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Oposição venezuelana resiste a Chávez
“Oposição venezuelana promete resistir às ocupações de Chávez”
“Os governadores venezuelanos da oposição rejeitaram nesta segunda-feira, 16, acatar a ordem do presidente Hugo Chávez que estabelece que os militares tomem portos e aeroportos do país, enquanto as autoridades regionais oficialistas saudaram a medida. ‘Não temos medo. Podem ter tanques e navios, mas nós temos a união do povo’, disse Pablo Pérez, governador do Estado de Zulia, no noroeste de país, onde fica Maracaibo, principal porto de exportação de petróleo.”
Tomara que a oposição reaja realmente. Torço para que se consiga uma resistência bem-sucedida, embora reconheça que a oposição que existe na Venezuela também não seja lá “flor que se cheire”. A realidade é que por mais que a oposição esteja certa em responder de forma negativa aos desmandos de Hugo Chávez, a Venezuela precisa de alternativas éticas, honestas e duradouras.
Por hora, a oposição precisa tentar manter um equilíbrio de forças, não permitindo que os venezuelanos se encontrem cercados por um regime mais autoritário do que já é. Afinal, as “razões estratégicas” dos chavistas estão muito mais explicadas e “descentralização” apenas “centraliza” cada vez mais qualquer tipo de setor nas mãos de Chávez, seus familiares e correligionários.
Como diz o Estadão na reportagem citada acima, a oposição acusa o presidente de tentar asfixiar economicamente governadores e prefeitos contrários a ele. Pois é justamente isso que está acontecendo. E o nome dos regimes que asfixiam a oposição é ditadura.
Cada vez mais os que defendem o regime de Chávez zqui no Brasil não conseguem justificar atos que demonstram claramente um regime autoritário, ditatorial, personalista e cooptador de instituições, comandado por um protótipo de caudilho que seria cômico se não fosse trágico.
Chávez, transportes e o autoritarismo venezuelano
“Chávez assume controle de sistema de transportes”
“A Assembleia Nacional da Venezuela aprovou nesta quinta-feira (12) uma medida que transfere dos governos estaduais para o governo federal o controle sobre as estradas, portos e aeroportos do país.
A decisão dá ao presidente Hugo Chávez o controle sobre as principais vias de transporte venezuelanas. Segundo críticos, a medida é inconstitucional e vai consolidar ainda mais o poder do presidente sobre os Estados e cidades governados pela oposição.
O governo argumenta ‘razões estratégicas’ para retirar este controle da mão dos governadores e prefeitos.”
Eu poderia já começar a criticar os argumentos do governo Chávez a partir do vago conceito de “razões estratégicas”, utilizado como justificativa para mais um ataque claro à democracia e às instituições venezuelanas, porém, antes, vou mostrar que a coisa fica pior ainda.
“Durante o longo debate na Assembleia, formada, em sua maioria, por correligionários de Chávez, os deputados governistas argumentaram que ao devolver o controle sobre as vias de transporte para o governo federal estariam garantindo maior participação popular nos assuntos públicos.
O líder do Partido Socialista Unido, Mario Isea, disse que eles estavam aprovando as mudanças para ‘defender o direito de acesso’ e ‘garantir serviços públicos essenciais’ para todos os venezuelanos.
‘A descentralização, para a gente, significa a transferência ao poder popular. E o poder nacional é o reitor, o ordenador desse poder popular’ disse o deputado e constitucionalista Carlos Escarrá.”
A manobra retórica seria cômica se não fosse trágica. Quer dizer então que as estradas, portos e aeroportos passaram a ser controlados pelo governo venezuelano para assegurar a participação popular, defender o direito de acesso e garantir os serviços públicos essenciais.
Eu não teria crítica nenhuma quanto a isso. Também acredito que os transportes devam ser democratizados, inclusive aqui no Brasil, com aumento da qualidade e diminuição dos custos, porém, o povo, para o regime venezuelano, não é o povo, é o próprio regime.
Descentralização é transferência para o poder popular e o poder popular é representado pelo regime? Ora por favor! Que dia algum venezuelano poderá opinar sobre a gestão desse setor? Quem será consultado a não ser Hugo Chávez e seus lacaios? Quer dizer que “descentralizar” é colocar na mão do povo na teoria, enquanto na prática “centraliza-se” tudo na mão de Chávez? Ora, que ironia o termo “descentralização”.
É verdade que na maioria dos países o povo também não opina sobre os rumos deste setor, mas pelo menos não existe a hipocrisia de se nacionalizá-lo sob a justificativa de se estar entregando-o ao “poder popular”.
A verdade nua e crua é que o controle que foi instituído tem objetivos políticos e ponto final. Visa enfraquecer ainda mais a oposição. Visa estender além do que já está estendido o poder do regime chavista.
A realidade é que “desde que o presidente perdeu apoio em uma série de postos-chave nas eleições locais do ano passado, entre eles a prefeitura de Caracas, tem havido uma disputa constante sobre jurisdição entre o governo federal e prefeituras e governos estaduais”.
E mais. Desde quando Hugo Chávez é o povo? Desde quando sua personalidade e suas vontades se confundem com as da população? Isso é puro caudilhismo, é puro personalismo. É um absurdo um governante achar que foi eleito para representar uma entidade que quando expressa sua vontade pessoal está, automaticamente, emanando o querer do povo. Que presunção!
E se fosse assim, o que impediria que os governadores, que estão perdendo a jurisdição sobre os setores que agora estão sob controle de Chávez, dissessem que eles, também eleitos pelo povo, é que emanam pessoalmente a vontade da sociedade?
Isso sem falar na Assembleia totalmente cooptada, ocupada apenas pelos membros que representam a situação, que aprova qualquer matéria que Chávez propuser, sem nenhum controle, sem nenhuma restrição, sem nenhum vislumbre de que o pretendido por Chávez, possa, um dia, não corresponder ao que é melhor para o povo.
Chávez foi eleito para liderar, ouvir o povo e o levar ao encontro do que deseja, coordenando. Chávez não foi eleito para escolher o que quer e dizer que é isso o que quer o povo, subordinando. É um autoritarismo descabido, é um personalismo que enoja.
Para completar o circo, “Hugo Chávez, determinou neste domingo que o Exército e a Marinha tomassem os portos e aeroportos do país, com o objetivo de controlar as instalações que estão nas mãos de governos estaduais da oposição. Ele ameaçou de prisão os governadores que tentarem resistir à decisão”.
Eu sou um blogueiro, e principalmente uma pessoa, que respeita as opiniões alheias. Acontece que cada vez mais me pergunto como alguém pode acreditar que os venezuelanos vivem em uma democracia.
Lógica inexplicável
Disse, sobre a aprovação das reeleições ilimitadas na Venezuela, o Presidente boliviano, e aliado de Hugo Chávez, Evo Morales:
“[A limitação de mandatos] fomenta a corrupção, como pude comprovar nas Prefeituras. Se um prefeito não puder voltar a se candidatar, será mais provável ele roubar durante seu mandato.
[...]
Se puder se ratificar no poder, terá como seguir trabalhando honestamente“
Quer dizer então que as reeleições ilimitadas se justificam pois, no vislumbre de roubar durante os sucessivos mandatos, os políticos roubariam menos no primeiro?
E mais. Quer dizer então que se o político pode continuar no poder ele trabalhará honestamente, pois terá seu empreguinho. Se isso não lhe for possível ele provavelmente roubará para garantir uma renda para quando estiver sem mandato?
Pelo visto, embora ele não tenha dito isso e reconheço que não disse, parece que Evo acredita que a corrupção meio que é de se esperar de quem tiver que mamar nas tetas do Estado apenas por um curto espaço de tempo. Pelo menos é o que parece que está sendo dito.
Genial! Brilhante! Sensacional! Estou sem palavras para descrever argumento tão embasado, tamanho raciocínio iluminado, enorme lógica inexplicável.
Pesar ilimitado
É com pesar que este blog anuncia a seguinte manchete:
“Venezuela aprova referendo que permite reeleição ilimitada”
Depois de tentar uma vez, perder, desrespeitar a vontade do povo e tentar de novo, Hugo Chávez finalmente conseguiu as reeleições ilimitadas. Agora o caminho está mais livre ainda para o personalismo, o autoritarismo, a censura, o caudilhismo e o mau uso do dinheiro público.
Os argumentos deste blogueiro que vos fala continuam os mesmos. Se Chávez é democrático, como dizem alguns, porque querer se perpetuar no poder? Por que não apoiar um sucessor com idéias parecidas? Por que fechar a RCTV? Por que tirar diversas prerrogativas do âmbito da Prefeitura de Caracas assim que ela foi conquistada pela oposição?
A democracia da América do Sul perdeu demais hoje. Foi aberta uma brecha para a destruição da alternância de poder, princípio fundamental da democracia. Foi concedido o passaporte para uma ditadura maior do que a que já ocorre. E não me venham dizer que Chávez pode, simplesmente, não ser reeleito. Com as instituições absurdamente nas mãos, obviamente ele será reeleito e quem nega isso é cínico.
Continuarão as nomeações de parentes, os aumentos das cortes de justiça para que maioria dos membros seja chavista e o crescimento do atraso econômico venezuelano. Aumentarão os financiamentos de políticos idênticos a Chávez em outros países a exemplo da Bolívia e do Equador. Tudo isso, agora, com tempo indeterminado. Ilimitado. Assim como meu pesar.
Eu voto “não”!
Está ocorrendo, neste momento, a votação do plebiscito que decidirá, na Venezuela, se ocorrerá ou não a criação da emenda constitucional que permite a Hugo Chávez se reeleger ilimitadamente.
A visão do blogueiro que vos fala sobre o regime chavista é conhecida pelos visitantes mais assíduos. Para os que não conhecerem minha opinião sobre a Venezuela de Chávez, basta clicar aqui e ler tudo que já escrevi sobre o caudilho.
Por tudo que este blog pensa sobre Hugo Chávez e seu governo, não poderia deixar de tomar outra posição senão o apoio incondicional ao “não”.
Pelo bem da democracia, principalmente no âmbito da alternância de poder, pelo bem de todos que são democratas e pelo bem da Venezuela, este blog torce para o “não”.
Embora a oposição tenha sido um tanto sufocada nestas eleições, muito porque Chávez sabe que o risco de perder é grande e até mesmo já perdeu em outra ocasião, mantenho as esperanças.
Lembro a todos que não acho que todo o povo venezuelano odeia Chávez. Penso apenas que ele poderia, simplesmente, apoiar um sucessor, que seria eleito caso a população realmente aprove a plataforma chavista. Acontece que o personalismo não permite, tanto pelo fato de Chávez só desejar ele mesmo no poder e não as idéias, como pelo fato dele saber que seu regime se baseia em sua pessoa e não em projetos de país reais.
A Venezuela realmente carece de outras opções fora do chavismo, a oposição tem que se qualificar, mas isso não justifica a perpetuação no poder de um líder que empobrece seu país, perde momentos históricos favoráveis ao petróleo da nação com gastos fúteis, censura, domina e coopta.
Por isso tudo, eu voto “não”!
Dedicado aos chavistas [2]
Continuando na incredulidade em relação à existência de pessoas sãs que possam crer que o regime chavista na Venezuela é democrático, este blogueiro que vos fala reproduz mais um texto, desta vez de Lourival Sant’anna, do Estadão, que busca exibir qual o cenário da disputa eleitoral em torno da emenda constitucional que autoriza Chávez a se tentar se reeleger quantas vezes quiser.
A parte em que o autor do texto revela que o governo de Chávez proibiu os comícios da oposição chega a ser didática sobre o que se passa no país. E sempre vale lembrar que a tentativa de Chávez de permitir as reeleições ilimitadas é o descumprimento de uma promessa que o Presidente fez ao povo do país, quando disse, após a derrota dessa proposta, que aceitaria a vontade soberana do povo e não mais tentaria aprovar tal matéria.
Sem mais delongas, segue o texto:
Por Lourival Sant’Anna, no Estadão:
“O último dia de campanha antes do referendo de amanhã na Venezuela serviu para evidenciar a desigualdade de condições entre oposição e governo. Depois que o presidente Hugo Chávez encerrou a campanha em favor da reeleição ilimitada em grande estilo, na quinta-feira, na Avenida Bolívar, a mais simbólica de Caracas, a oposição não teve autorização para fechá-la e nem para ocupar os locais alternativos que propôs. Os oposicionistas limitaram-se ontem a distribuir panfletos em vários pontos de Caracas, enquanto Chávez entrou na cidade em caravana, depois de fazer campanha no Estado de Vargas, ao norte da capital.
‘Trata-se da campanha eleitoral mais desigual dos últimos anos, pelo abuso de recursos públicos e pelo claro desvio das instituições públicas’, disse o líder oposicionista Leopoldo López. ‘Não nos deram permissão para fechar a Avenida Bolívar, mas não importa. Assim como nos disseram ‘não’, diremos ‘não’ no domingo.’ Na quinta-feira, enquanto o governo encerrava sua campanha em Caracas, os oposicionistas, sobretudo estudantes universitários, realizaram comícios em seis Estados.
Em dezembro de 2007, quando a reforma constitucional proposta por Chávez foi derrotada por 50,71% a 49,29%, a oposição pôde medir forças com o governo, ambos levando dezenas de milhares de pessoas para as ruas de Caracas às vésperas do referendo. O mesmo havia ocorrido noutras disputas – foram 15 votações desde que Chávez assumiu o poder, em 1999.
Desta vez, o Ministério de Interior e Justiça e a prefeitura de Libertador – o distrito do centro de Caracas – negaram oito pedidos de autorização da oposição para realizar seu comício de encerramento. O prefeito de Libertador, Jorge Rodríguez, acumula as funções de coordenador da campanha em favor da emenda constitucional.
De acordo com o líder estudantil David Smolansky, 30 mil estudantes estarão mobilizados no domingo para encorajar os eleitores a votar e para fiscalizar a votação. ‘Estamos chamando para votar ‘não’ pelo futuro, a esperança, o progresso, e a abertura dos diferentes espaços’, declarou o dirigente. ‘Para que não coloquem um teto sobre nós e sejamos atores de nosso presente e futuro.’”
Unanimidade falsa, dados duvidosos e megalomania
Todos sabem que pauto esse blog na imparcialidade, tanto informar e conscientizar, principalmente os jovens como eu, de modo idôneo e sem ser tendencioso. Porém, infelizmente, não posso deixar de fazer prevalecer minha opinião pessoal quando o assunto é o entendimento de alguns de que Hugo Chávez é democrata.
Não aceito. Para mim Chávez é autoritário, criador de uma elite de aliados do regime, cooptador de instituições, adepto da censura e um mau gestor do dinheiro público. E nada disso combina com democracia. Sobre o argumento de que a oposição também é contaminada, concordo. Acho que é verdade e que a Venezuela necessita, realmente, de opções. Sobre o argumento de que o apoio popular ao regime legitima a vontade chavista de se reeleger inúmeras vezes, discordo. Se o regime é amado, que se eleja um sucessor. Ora bolas, por que não? Por que o personalismo?
Alguns defensores de Hugo Chávez dizem que o “sim” em relação ao plebiscito que trata de uma proposta de emenda parlamentar, que permitiria ao líder venezuelano se reeleger de forma ilimitada, tem apoio de larga maioria da população.
Pode até ser que tenha, afinal, os institutos de pesquisa venezuelanos, tanto do governo, quanto da oposição, não são muito confiáveis. Porém, eu, que já desconfiava dessa maioria, até porque a idéia já foi derrotada no país e agora está sendo reapresentada, contrariando promessa feita por Chávez ao povo, agora tenho uma certa certeza de que ela não existe.
Segue abaixo, trecho reportagem do Estadão que corrobora minha opinião:
“Uma multidão estimada pelos organizadores em 600 mil pessoas saiu ontem às ruas de Caracas para protestar contra a emenda constitucional que – se aprovada no referendo do dia 15 – abrirá a possibilidade de reeleições ilimitadas para o presidente venezuelano, Hugo Chávez, atualmente em seu terceiro mandato (ele se elegeu em 1998; em 2000, sob as normas da Constituição de 1999, e em 2006).
A marcha pelo ‘não’, convocada inicialmente por estudantes universitários, percorreu 18 quilômetros, com os manifestantes exibindo camisetas e cartazes com o slogan ‘não é não’ – em referência à derrota imposta pela oposição a Chávez em 2007, quando uma emenda semelhante foi rejeitada
Três pesquisas de opinião divulgadas ontem mostram que a proposta de Chávez lidera com uma margem que varia de 3% a 16%, dependendo do instituto de pesquisa“.
Façamos a conta prejudicando meu pensamento e levemos em conta que Chávez lidera por 16%. Isso se chama amplo apoio da maioria da população? Acho que não. O que me parece é que tem gente que concorda com o que Chávez faz e quer dizer para nós que todos os venezuelanos também concordam.
E essa vontade de se convencer as pessoas de que o povo local ama seu governo, me lembra o que ocorreu anos atrás em relação a um país com situação e governo parecidos. Cuba.
Chávez vai no mesmo caminho de Fidel. No início, empreendeu reformas importantes. Mais tarde, não deu espaço para nenhum sucessor, tomou todas as rédeas com suas mãos. A megalomania o transformou.
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