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Número de filiados dos partidos políticos [2]
Na postagem “Número de filiados dos partidos políticos “ este blog fez o seguinte comentário:
Estive fazendo algumas pesquisas hoje e alguns dados me chamaram a atenção. Entre eles, a estimativa de quantos filiados os partidos brasileiros têm atualmente.
Poderia se pensar que o que me chamou a atenção foram as diferenças entre um partido e outro no que diz respeito ao número de filiados, mas não foi. A disparidade exibida já era mais ou menos conhecida por mim. É por mim sabido que o PMDB é o maior partido e que atrás dele vêm partidos como DEM, PT, PSDB, PDT, PP e PTB.
O que me chamou a atenção foi que se somarmos o número de filiados de todos os partidos políticos brasileiros chegaremos a um número relativamente alto, algo em torno de 10 milhões de pessoas aproximadamente.
Partindo do pressuposto de que quem se filia a um partido tem consciência política, me surpreendi com o número. Eu não gostaria que isso fosse verdade mas, fato é, que não devem existir 10 milhões de pessoas no Brasil interessadas nesse tipo de tema a ponto de se filiar a um partido.
Será mesmo que esses números estão corretos? Será que eu estou subestimando a consciência política do brasileiro? Ou será que, na realidade, consciência política não é um pré-requisito real para ser filiado a um partido, e sim, conveniência ou interesse? Pode ser também que muitos filiados tenham o feito a pedido de alguém que os lidera intelectualmente.
Enfim, fiquei encucado. Procurarei saber mais. Se alguém tiver alguma opinião, os comentários estão aí para isso.
Pois bem. Lendo hoje o site do Estado de São Paulo, encontrei uma matéria que, em parte, me dá razão. Existia, sim, uma dissonância entre as quantidades apresentadas pelos números de filiados aos partidos políticos brasileiros e a realidade das ruas.
Diz o Estadão:
Era provável que houvesse algo de errado com os números. Dificilmente existiriam tantos filiados a partidos políticos como eles propalavam. A situação real, longe da virtualidade das estatísticas, demonstrava algo diferente e ainda demonstra, ou seja, um país com poucas pessoas interessadas no tema, onde a maioria mal sabe que político pertence a que partido, fora as grandes estrelas partidárias. Os filiados, na realidade, se resumem aos poucos envolvidos com a estrutura partidária e com a militância, somando-se a estes os candidatos menores e os cabos eleitorais destes que migram para outras legendas com frequência.
PIB cai forte e a solução não é nem marolinha, nem torcer contra
“PIB cai 3,6% no quarto trimestre; expansão da economia em 2008 fica em 5,1%”
Se por um lado o PIB cresceu na soma total anual, por outro, o resultado do quarto trimestre foi horrível. Isso significa que se por um lado o país não vai tão mal assim, por outro, a crise é muito maior do que uma marolinha.
Repudio totalmente aqueles que parecem torcer contra o país. Por mais que eu discorde de algumas atitudes do governo, principalmente aquelas no campo do combate à corrupção e ao loteamento de cargos, o Brasil está acima de tudo. Torcer pela crise é torcer contra o país. Torcer contra o governo de Lula é torcer contra o país. Isso, para mim, é impensável.
Dito isso, é inevitável observar que se não podemos, em hipótese alguma, nos sentir felizes ao ver o Brasil tendo problemas financeiros, também não podemos minimizar os problemas.
Estão errados aqueles que torcem para que a crise chegue com força para que Lula perca popularidade e Dilma perca a eleição. Também estão errados aqueles que mantém a idéia da marolinha e dizem que proteção feita pelo governo Lula para a economia brasileira é invencível.
Nada de comemorar a confusão, nada de fingir que ela não existe. Em um momento de crise, onde os mairores afetados são os trabalhadores, os mais pobres, os mais humildes, e não os políticos que disparam farpas diretamente de seus gabinetes climatizados, devemos agir com bom senso, acima de tudo e de todos.
O governo deve ser precavido, deve admitir que existem problemas no horizonte, deve fazer o que está ao seu alcance para diminuir os efeitos do impacto, ao invés de ficar torcendo para que tudo dê certo e se comprove que Lula fez um grande trabalho.
A oposição deve se unir aos esforços, deve cooperar, deve opinar, deve sugerir, deve ajudar, ao invés de, como muitos, torcer para que tudo piore, tudo se desestabilize, para provar que a equipe de Lula não sabia o que estava fazendo e apenas seguiu um caminho trilhado por FHC e contou com uma boa conjuntura econômica externa enviada pelo divino.
Parece que se esquecem, como sempre aqui no país, que maior que os políticos, é o Brasil, que maiores que Lula e FHC, são os brasileiros, que muito mais importantes que os cacifes políticos são as saúdes financeiras e estabilidades familiares dos trabalhadores.
Chega de torcer contra e chega de marolinha. O Brasil precisa de responsabilidade. Dos dois lados. PT e PSDB não são times de futebol e seus partidários não são torcedores que se regozijam com a desgraça alheia. Não existe um campeonato mais importante do que o país que está aí para ser governado.
Consciência política urgente!
“Ficha de político não importa para 13% de eleitores, diz TSE”
É exatamente esse tipo de notícia que mostra que a consciência política do brasileiro tem tudo a ver com o nível da representação que temos. Como pode existir uma porcentagem tão alta de pessoas que não se importa com a ficha daquele que mereceu seu voto? Não sabem essas pessoas que a decisão de em quem votar é uma das mais importantes da vida, influindo diretamente em seu cotidiano?
Conversando com um amigo, ouvi que 13% não é uma porcentagem alta. Mas como não? Na minha concepção, se 13 pessoas entre 100 dizem que não se importam com a ficha corrida da pessoa em quem votaram, em quem, indiretamente, confiaram parte de seu destino, isso representa muito. Pouco seria 0,5%, e mesmo assim eu não estaria satisfeito.
Para completar o cenário dantesco, 14% das pessoas declararam que não se importam se o candidato usou ou não o chamado “caixa 2″ e 20% disseram que não pesquisam sobre o passado do candidato, ou seja, um quinto de todos os entrevistados.
Ouvi do mesmo amigo que 20% também não é um valor alto. Quer dizer então que se um candidato à presidência da República tem 20% das intenções de voto, ele é até certo ponto viável, mas se 20% dos entrevistados por uma pesquisa dizem que não procuram saber mais sobre os candidatos que escolhem não é muita coisa?
13%, 14% e 20% são valores baixos? São muito altos! Isso sim! A consciência política do brasileiro ainda tem muito o que evoluir e esse é um dos motivos que faz este blog existir. Sem falar na luta contra aqueles que tem o interesse de que toda essa falta de consciência continue. Precisamos de mais vontade política, de mais educação, de mais ética, de mais cidadania, de mais espírito cívico, e paro por aqui apenas para não me alongar.
Publicidade exagerada
“Governo prevê gastos de R$ 534 mi em publicidade em 2009″
A publicidade institucional é, em certos casos, necessária, porém, existe um limite estipulado pelo bom senso que não deveria ser ultrapassado. Quando um governo gasta demais com propaganda, mostra que não quer apenas informar o povo e realizar campanhas de utilidade pública, quer também se promover. É aí que mora o erro.
Quando o dinheiro gasto com publicidade institucional é destinado à autopromoção, rompe-se a barreira do tal limite imposto pelo bom senso e, porque não dizer, da ética.
É claro que o governo federal, por ser o de maior envergadura e ter jurisdição sobre todo o território nacional, deve, naturalmente, gastar uma quantia considerável de dinheiro com publicidade. Porém, acredito que 534 milhões de reais constituam uma quantia exagerada, beirando o desnecessário, ainda mais se levarmos em conta que o montante representa um aumento de 35% em relação ao do ano passado e que não se incluem nos cálculos as verbas de publicidade das estatais, por terem, essas, orçamentos próprios.
Muito da popularidade do Presidente Lula, se deve ao estardalhaço que muitas vezes se faz em relação a realizações de seu governo. Quem sabe com uma redução na carga de recursos da publicidade, o erário pudesse utilizar as verbas economizadas em áreas mais cruciais como saúde e educação. Parece que algumas melhorias para o povo em detrimento de alguma pequena queda na popularidade é um preço que o governo não está disposto a pagar.
Seria leviano de minha parte dizer que o governo brasileiro atual domina certos meios de informação, através da coação indireta que é causada pelos grandes montantes de dinheiro investidos em publicidade nos mesmos. Porém, é fato que alguns se sentem desconfortáveis, se é que é esse o termo, em criticar um governo que é seu maior anunciante.
Em resumo, a realidade é que alguns se sentem menos confortáveis para falar de um governo que financia, de certa forma, sua meio de informação. Além disso, ocorre uma autopromoção de qualquer governo que exagera na publicidade institucional. E mais, o montante previsto para 2009 é tão grande que, sendo economizado, daria para pagar, por exemplo, a construção de toda a Cidade da Música no Rio de Janeiro.
Pode acontecer, até mesmo, de pessoas que criticam a construção da Cidade da Música, mal saberem que o que é gasto com propaganda pelo governo federal seria suficiente para financiar a obra. Não estou aqui dizendo que a Cidade da Música foi barata, não é isso, apenas ressalto que é curioso ver que petistas, por exemplo, falam mal de uma obra pelo que ela gastou e esquecem de observar que um governo gerido por seu partido gasta o mesmo montante aproximado de reais em propaganda.
A quantas anda nosso ensino médio?
“Ensino médio precisa dobrar recursos”
É aqui que se situa o que deveria ser o real foco do debate sobre a educação brasileira. A reportagem referendada acima, do Estadão, reflete qual é a necessidade crucial do ensino tupiniquim.
O sistema de cotas, talvez por sua natureza polêmica, muitas vezes toma a frente, porém, a realidade é que o que deve ser discutido é a qualidade da educação brasileira, o tipo de prestação educacional que o Estado brasileiro nos dá em troca de nossos impostos, enfim, o que realmente causa a necessidade de existirem cotas.
Se o ensino público brasileiro fosse universal e de boa qualidade, todos teriam condições de competir em pé de igualdade pelas vagas nas universidades públicas, sendo assim, nenhuma polêmica sobre sistemas de cotas seria necessária já que as próprias cotas seriam injustificadas e sem motivo.
Como já defendido por mim na postagem “O que dizer sobre as cotas?”, o país precisa é promover a igualdade de condições na base e não tentar compensar as desigualdades no meio do caminho. Embora as cotas sejam, hoje, necessárias, seu modelo deve ser revisto e elas devem ser encaradas como tampões, meramente temporárias, improvisando uma solução para um problema que deve ser resolvido de outra forma. E esta forma é justamente a melhoria dos ensinos fundamental e médio.
Relembro que devem ser criados cursos profissionalizantes e escolas técnicas de ensino pós-médio para que os que não podem fazer faculdade se qualifiquem de alguma forma e possam, quem sabe, dar uma educação melhor aos seus filhos.
Por fim, ressalto que não basta aumentar os recursos para a educação, especificamente para o ensino médio, onde a situação é mais periclitante. É também de suma importância que haja a fiscalização do uso desses recursos, para que não ocorram desvios, essas máculas bem conhecidas por nós que contaminam todos os investimentos públicos brasileiros.
Além disso, após a devida fiscalização e a correta destinação dos recursos, o Estado deve, de alguma forma, observar a aplicação desses recursos na prática, para verificar se estão sendo utilizados de modo adequado, de forma a potencializar seus benefícios, sem desperdícios, e fomentar o que há de melhor em cada região, escola, ou até mesmo, aluno.
O significado de prioridade
“FGV: mais de 50% dos brasileiros não têm saneamento”
Os jornais, revistas, sites e a imprensa em geral, e este blog também, têm ressaltado temas como as eleições municipais que se passaram, a corrida presidencial para as eleições de 2010, a escolha do novo presidente americano, as presidências do Senado e da Câmara, etc.
Realmente, são assuntos relevantes, importantes, que merecem ser discutidos, porém, parece que às vezes nos esquecemos que enqüanto falamos desse tipo de tema, muitos brasileiros continuam passando fome, outros ainda estão sem água potável e outros ainda sem saneamento básico. Isso sem contar os que não têm acesso à educação e saúde que sejam públicas e de qualidade. Enfim, discutimos as eleições brasileiras e as manobras políticas das casas legislativas do país como se ele fosse desenvolvido, como se já tivesse ultrapassado a barreira dos problemas mais fundamentais, o que não é o caso.
Como podemos nos ater totalmente à corrida presidencial quando brasileiros ainda passam por cima de valas negras que correm em frente às suas casas? Como podemos nos importar tanto com a eleição de Barack Obama quando existem brasileiros morrendo de fome e de sede? É claro que a política, feita com honestidade, coerência e ética, é um dos meios de se melhorar esse quadro. É claro que políticos, que visem realmente o bem da coletividade, são catalisadores de importantes transformações nesses âmbitos. Porém, não podemos nunca deixar de lembrar que acima de qualquer eleição, de qualquer disputa política, de qualquer presidente estrangeiro, está a dignidade humana do brasileiro, consagrada em nossa Constituição.
Em suma, esse texto só visa alertar para o fato de que mais importantes do que Barack Obama, são os milhões de brasileiros que passam fome. Mais importantes do que Aécio Neves, são os milhões de brasileiros que não têm saneamento. Mais relevantes do que as disputas políticas das casas legislativas brasileiras, seriam forças-tarefa, que unissem todos os políticos de bem em torno de um objetivo comum, tornar o Brasil um país realmente desenvolvido. Onde a palavra desenvolvido se coloca representando um país com comida, água, saneamento, saúde e educação para todos. Um país que dá mais importância para o que é mais importante, que sabe o significado de prioridade.
Boa notícia
“Mais de 13 milhões de brasileiros subiram de faixa social na década, diz Ipea”
É uma ótima notícia, dá esperança para nós, idealistas de um Brasil melhor. Embora os ganhos alcançados que são citados nessa notícia sejam, em parte, fruto da conjuntura externa, é inegável resultado de pontos fortes dos governos FHC e Lula.
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