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Sérgio Cabral e o “famigerado” muro
Recentemente o Governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, anunciou uma medida que visa a contenção das favelas cariocas: A construção de um muro ao redor delas.
Para quem ainda não sabe, é isso mesmo. Sérgio Cabral pretende construir muros em certos limites atuais de algumas favelas do Rio de Janeiro para controlar o crescimento das mesmas.
Com esta medida claramente paliativa e, com certeza, errônea, Cabral conseguiu uma proeza difícil de se realizar: Foi criticado por todos os lados do espectro político. Pessoas de direita, de esquerda, brasileiros, estrangeiros, todos estão receosos e fazendo críticas quanto ao projeto do atual Governador do Rio de Janeiro.
Para ilustrar, reproduzo alguns comentários:
Jornalista Aydano André Motta:
“O que se esconde atrás do muro é puro, cristalino preconceito. O governo municipal, anacrônico como ele só, busca, com suas barreiras, sinalizar à classe média conservadora da Zona Sul que as favelas não vão crescer. Tenta agradar a turma que morre de medo de favelado, acha que lá só mora bandido – quando a esmagadora maioria dos habitantes, quase todos, é de trabalhadores honestos, gente que leva uma vida dura, sofre discriminação e, na maioria, serve aos bacanas.”
José Saramago:
“Cá para baixo, na Cidade Maravilhosa, a do samba e do carnaval, a situação não está melhor. A ideia, agora, é rodear as favelas com um muro de cimento armado de três metros de altura. Tivemos o muro de Berlim, temos os muros da Palestina, agora os do Rio”
BBC:
“O anúncio do governo do Rio de Janeiro de que pode construir um muro para cercar as favelas foi criticado por especialistas em direitos humanos e desenvolvimento urbano. O diretor do Programa de Direitos Humanos da Universidade de Harvard, James Cavallaro, compara a proposta à decisão do governo de Israel de construir um muro na Palestina. ‘Infelizmente é uma situação de apartheid social. Todo mundo sabe que não vai dar certo’. Para o professor Jorge Fiori, da Universidade College London, o projeto de construir muros nas favelas do Rio contraria toda a política de integração. ‘O muro é um absurdo, vai contra tudo o que se tem feito em termos de favela no Rio de Janeiro, contra projetos que buscam a integração e não o isolamento das favelas’, diz Fiori, que é especializado em desenvolvimento urbano.”
Elio Gaspari:
“O mais famoso dos muros, o de Berlim, erguido em nome da defesa da moeda da Alemanha comunista. Para a utopia de um Rio sem favelas (ou sem os seus moradores), o Muro do Cabral cria a expectativa de uma cidade onde essa questão, mesmo sem ser resolvida, será contida fisicamente. Quando uma comunidade crê que muros resolvem problemas sociais e urbanos há algo de estranho acontecendo. Sobretudo quando ela é governada por um cidadão que defendeu o aborto como instrumento de política de segurança e classificou a Rocinha como ‘fábrica de produzir marginal’. Julgar Sérgio Cabral pelas excentricidades que fabrica banaliza os problemas do Estado que ele administra. A sério, ele piora. “
Fica comprovado que Cabral está conseguindo unir todos contra ele. Com certeza o Governador terá uma luta pela reeleição bem difícil pela frente. Talvez impossível, dependendo de como as coisas caminharem.
Mas a reeleição de Sérgio Cabral é o que menos me preocupa, pelo contrário, tomara mesmo que ele deixe o governo do Rio de Janeiro. O que tira o sono é o fato de que a besteira dos muros, por mais que venha a conseguir, paliativamente, conter o crescimento geográfico das favelas, poderá gerar problemas sociais catastróficos.
Está na cara, para quem quiser ver, que as favelas devem ser urbanizadas, transformadas em bairros integrados aos outros mais nobres. Além disso, é óbvio para qualquer um que a favela tem, internamente, a sua lei própria, pois o Estado não faz presente a sua lei oficial. Há que se haver a entrada do Estado nas comunidades, com educação, saúde, saneamento básico e, também, lazer, para que os jovens se afastem das drogas e as novas gerações cresçam saudáveis.
Colocar os moradores de favelas entendendo que as pessoas mais abastadas são opressoras e que eles são interpretados por elas como merecedores de serem confinados poderá, além de não resolver o problema, criar um conflito de proporções gigantes e consequências tenebrosas.
Que venha 2010 e alguém mais sensato passe a governar o Rio de Janeiro. Hoje temos um Governador que prega medidas no mínimo erradas e um Prefeito que se submete a essas ideias estapafúrdias.
Paes com fobia de laranja
Informa o Jornal ‘O Dia’, do Rio de Janeiro, que o Prefeito Eduardo Paes está gastando dinheiro ordenando que se pintem todas as escolas municipais que são reformadas com a cor azul. Ao que parece, a obsessão com o azul está ocorrendo para que se deixe para trás o laranja característico da administração de Cesar Maia.
Outra coisa que é fácil de se observar é a mudança de toda a identidade visual da Prefeitura. Desde uniformes novos de funcionários que organizam o trânsito até o site da Prefeitura estão se rendendo ao azul, em substituição ao laranja. Tudo isso, obviamente, tem custos.
Resumindo, o Prefeito está gastando verbas que vêm do nosso bolso apenas para tentar esconder uma cor que, supostamente, teria relação com os feitos do seu antecessor. Poucas vezes ouvi falar de algo mais próximo de uma picuinha boba do que isso.
Em pensar que era justamente Paes que dizia que não se renderia a picuinhas políticas na hora de governar. Pelo visto as picuinhas dele não são nem políticas, são cromáticas, totalmente irrelevantes. Haja dinheiro público gasto com coisas que não têm nada a ver com governar.
Sintomas de um mal começo
Todos os leitores mais assíduos do blog sabem que, esse blogueiro que vos escreve, repudiou de forma veemente as práticas espúrias da campanha de Eduardo Paes à Prefeitura do Rio de Janeiro. Foram, para este blog, inaceitáveis, os panfletos apócrifos, os carros de som difamadores, etc. Também não é segredo para esses leitores que apoiei Fernando Gabeira.
Após a vitória um tanto conturbada de Eduardo Paes, com um feriadão malicioso criado pelo Governador que lhe apoiava e com diversas pessoas jurando que foram forçadas pela urna eletrônica a votar em Paes, torci pelo sucesso do peemedebista. Sim, torci. E continuo torcendo, pois sou carioca e não poderia, jamais, torcer contra o Rio.
Porém, parece que a minha torcida será em vão. Diversas postagens aqui deste blog tratam das trocas de cargos e das nomeações de pessoas com competência e idoneidade duvidosas para ocuparem futuramente as secretarias. Cheguei até mesmo a criar a série “Ruy está de olho”, onde um Ruy Barbosa fictício fiscaliza as ações do prefeito eleito, pois essa fiscalização me pareceu, realmente, muito necessária.
Em resumo o que ocorre é que 2009 está chegando, Paes tomará posse e eu já estou um tanto desesperançoso. Continuo torcendo para que o Rio não perca 4 anos, porém, sem ter muita crença nessa minha torcida, afinal, tudo o que vejo são sintomas de um mal começo. Desde a campanha até hoje.
Tomara que eu esteja errado e Eduardo Paes não prejudique o Rio, ao contrário, o beneficie. Torcer contra é uma besteira, do mesmo tamanho das que cometeram aqueles que votaram no PMDB. Porém, por mais que eu espere boas notícias, apenas as ruins sobressaem. É o típico “quanto mais rezo, mais assombrações me aparecem”.
A última diz respeito ao primeiro dia do prefeito eleito no cargo, como não podia deixar de ser pelo retrospecto recente, parece que Paes vai entrar na Prefeitura, já no primeiro dia de sua gestão, com o pé esquerdo.
Corre por aí a notícia de que Paes estaria distribuindo, para sua vasta e mutuamente contraditória gama de aliados, convites para sua posse. Acontece que as vagas são apenas quinhentas, divididas, pela tradição, em metade para os convidados do prefeito eleito e metade para os convidados do prefeito que deixa o cargo. Pelo visto, Paes vai atropelar o direito dos que, ao invés de quererem o ver tomar posse, gostariam, na verdade, de poder se despedir de Cesar Maia. Que falta de educação e finesse daquele que pretende ocupar o cargo mais importante de uma das cidades mais charmosas do mundo.
Como eu disse anteriormente, todos os fatos apontam para a mesma direção, sejam eles mais ou menos importantes. Todos partem de uma mesma espinha dorsal, são todos sintomas de um mal, péssimo, começo.
Carta à futura Secretária de Educação do Rio
Já faz um tempo que este blog está de olho na futura gestão de Eduardo Paes. O intuito disso é fiscalizar e verificar se sua administração seguirá a linha ética da campanha, pois, se isso acontecer, o Rio de Janeiro terá sérios problemas.
Um dos temas mais observados por mim é o que diz respeito às nomeações de futuros secretários, incluindo nesse balaio, as declarações dos respectivos futuros ocupantes das pastas municipais.
Uma nomeação que me chamou a atenção foi a da Secretária Cláudia Costin para a pasta da Educação. Isso ocorreu pois , na minha opinião, ela não acabará com a aprovação automática, o que será um descumprimento de uma das mais repetidas promessas de Eduardo Paes.
Falando sobre isso, escrevi a postagem “Ruy está de olho [2]“ , onde falo o seguinte:
Criou-se um fantasma, chamado aprovação automática, para caracterizar o sistema de ciclos. Esse fantasma era atacado na campanha como sendo algo terrível. Agora, depois da eleição, mostra-se que o fantasma nunca existiu, até mesmo por ser um fantasma. O sistema de ciclos irá continuar e aprovação automática passa, convenientemente, a ser um nome para a falta de aprendizado. E as brilhantes aulas de apoio serão responsáveis por acabar com isso. Ou seja, Paes irá mesmo acabar com a aprovação automática, mas irá fazer isso porque a aprovação automática de hoje não é a mesma de ontem.
Dito isso, abro espaço para uma carta aberta à futura secretária, que trata de muitos temas, entre eles a aprovação automática. Recebi esta carta por e-mail, o que me faz pensar que ela deve estar circulando pelas caixas de mensagem dos cariocas. Pesquisando na internet, encontrei o blog do autor da carta e, consequentemente, a postagem que deu origem ao texto que circula pelos gmails, hotmails, etc. Acredito que esta carta, escrita pelo professor Declev Dib-Ferreira, vá de encontro, em muitos momentos, ao âmago dos problemas da educação municipal, estadual e, até mesmo, nacional.
Por entender que essa carta tem diversos pontos em comum com o que penso sobre toda essa discussão que envolve a má qualidade do ensino, a falta de qualificação da mão-de-obra, a falta de interesse dos alunos, a marginalidade e a aprovação automática, é que a referendo aqui em meu blog.
Ressalto, antes de fazê-lo, que não me responsabilizo pelas palavras do professor Declev, apenas me solidarizo com sua causa e concordo com diversos pontos de seu texto, discordando levemente de alguns deles.
Dito isso, clique aqui e leia a “Carta aberta à futura Secretária de Educação do Rio de Janeiro, Cláudia Costin”, por Declev Dib-Ferreira.
Ruy está de olho [4]
“Paes anuncia Chiquinho da Mangueira para a Secretaria de Esportes”
O novo Secretário de Esportes do Município do Rio de Janeiro será Chiquinho da Mangueira. Chiquinho presidiu a Suderj durante muitos anos e teve a sua gestão fortemente criticada pelo próprio Paes que esteve à frente da mesma Suderj quando foi Secretário de Sérgio Cabral. Parece que o modo PMDB de fazer política prevaleceu novamente e um antigo criticado se tornou melhor amigo.
Vale ressaltar que Chiquinho foi acusado de ter ligações estreitas com o tráfico de drogas no Morro da Mangueira, seu reduto eleitoral. Com certeza não posso afirmar nada contra Chiquinho da Mangueira, seria leviano de minha parte, mas, normalmente, onde há fumaça, há fogo.
O que podemos fazer quanto a isso? Infelizmente, só podemos protestar. Enquanto isso, Ruy continua de olho.
Para entender melhor o título deste texto, leia a postagem “Ruy está de olho”.
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