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Torcer pela crise é um erro
“Crise devolve 563 mil à baixa renda”
Informa o Estadão na matéria citada acima:
“O ano de 2009 começou com uma reversão abrupta no crescimento da classe média – incluindo a classe C, a classe média popular – que caracterizou boa parte do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Somente em janeiro, a classe C nas seis maiores regiões metropolitanas do País perdeu 11% do seu crescimento no governo Lula. No mês, um total de 563 mil pessoas caiu da classe C para as classes D e E nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Salvador e Recife.”
É por essas e por outras que eu acredito que, independentemente da posição política da pessoa, ela não pode torcer contra o governo Lula e a favor da crise.
No caso mais específico da oposição, ela deve construir um discurso em torno dos argumentos que poderão convencer o povo brasileiro de que uma gestão futura composta por seus quadros, seria melhor que mais uma gestão petista.
Isso sim seria o correto. Na minha opinião, é totalmente desaconselhável torcer contra. Esse não é o caminho. Não só porque quem assumir terá um prejuízo para reverter em suas mãos, como também pelo fato de que, no fim das contas, quem paga não são os adversários políticos, e sim, o povo brasileiro prejudicado pela crise.
Torcer pela crise é um erro. Disputas políticas não devem ser maiores que o avanço do Brasil. Não só por esse avanço ser um motivo muito mais nobre, como também pelo fato desse avanço ter de ser, na teoria, o objetivo final de todos.
Quem perde politicamente com a crise, deve querer que seus efeitos sejam mínimos não só para não se prejudicar politicamente, mas também pelo País. O mesmo vale para a oposição, que deve querer vencer com seus argumentos, suas ideias e seus projetos, e não, torcendo pelo fracasso alheio.
A compostura do Presidente
Algumas vezes comentei aqui que o homem público, se não precisa ser engessado, também não pode perder a compostura, afinal, representa não só a si próprio mas a todos que o elegeram.
No caso dos cargos executivos de mais poder, ou seja, presidentes, governadores e prefeitos, a falta de compostura torna-se ainda mais grave, pois, aquele homem, representa não só os que o elegeram, mas também, o território que gere como um todo.
O Presidente Lula, por exemplo, tem a obrigação de manter a compostura. E não digo isso pelo fato dele ser famoso por suas metáforas e frases de efeito. Acredito que esses momentos de descontração sirvam, até mesmo, para apresentar à sociedade brasileira um líder mais simpático e, porque não, que fala em uma linguagem mais próxima da que é utilizada pelo povo em geral.
Acontece que existe uma linha tênue entre os momentos em que o Presidente quebra o protocolo e demonstra certa simpatia e os em que a quebra do protocolo representa, também, perda da compostura, que deveria ser inerente ao cargo.
Um caso que ilustra bem o que digo é o do famigerado “sifu”. Ora, o Presidente, obviamente, não pareceu nada simpático, e sim, com pouco bom senso, ao usar tal tipo de expressão.
É a mesma coisa que acho agora da mais nova frase do Presidente, que embora não seja tão infeliz quanto o “sifu”, também poderia ter sido evitada.
Sobre a crise econômica, ele disse que “uma gripe, num cabra muito fino, deixa ele de cama. Num cabra macho, ele vai trabalhar e não perde uma hora de serviço por causa de uma gripe”.
Temos aí mais um exemplo de bobagem gratuita falada por alguém que deveria zelar pela boa fala. Entendo que o Presidente queira que as pessoas mais humildes se identifiquem com ele, acho válido e, até mesmo, esperto, porém, existe limite.
Comparar a crise a uma gripe e dizer que o se resistirá pois se é “macho” foi demais. Sobre a chacota feita aos “cabras finos”, podemos chegar à conclusão de que Lula fez uma análise econômica através de uma metáfora um tanto estranha.
Não é necessário que um Presidente seja intelectual ou use palavras que confundam até os dicionaristas, porém, acredito que “cabra muito fino” e políticos de alto nível, não combinem.
Não é uma questão de ir contra as palavras das ruas, é apenas uma questão de acreditar que o Presidente deva seguir o cerimonial e se comportar de modo apropriado.
Quando o desvio é leve, transmite até simpatia e carisma. Quando é exagerado, transmite amadorismo.
Meirelles, no PP, para Governador de Goiás
Informa o Painel, da Folha de São Paulo:
“Henrique Meirelles formalizará em setembro, no prazo-limite, sua já acertada filiação ao PP, partido pelo qual pretende disputar o governo de Goiás. No entender de aliados, não haverá problema em que ele, já com a ficha assinada, continue na presidência do Banco Central até a data da desincompatibilização. Há quem discorde”
Os boatos sobre o desejo de Meirelles de concorrer ao governo de Goiás já circulam há algum tempo. Pelo que eles dizem, Meirelles se descompatibilizaria do cargo de Presidente do Banco Central no apagar das luzes para poder concorrer.
Não sei até que ponto esses boatos são verdadeiros, porém, pelo fato deles ressurgirem com frequência, acredito que haja um fundo de verdade. Sendo asism, dependendo da intensidade da vontade de Meirelles e da repercussão que o fato tenha dentro do governo, pode ser algo a ser explorado pelos que desejam uma troca no comando do Banco Central.
O que mais motiva os que desejam a troca é a política de juros do BC em tempos de crise.
Em tempo, vale ressaltar que, sobre esse tema, contou Elio Gaspari, hoje, em O Globo, que Meirelles seria substituído pelo economista Luiz Gonzaga Belluzzo, agora Presidente do Palmeiras, porém, a obtenção do “investment grade” pelo país segurou o Presidente do BC e a idéia foi engavetada. Ao que parece, muitos se ressentem de que se tenha deixado a idéia de lado, sendo alguns deles, os próprios que o fizeram.
A popularidade de Lula, Dilma 2010 e a crise
Disse este blog, em 16/10/2008, ou seja, aproximadamente 5 meses atrás, na postagem “Lula e a prova da crise”:
A crise internacional chegou para ficar, ninguém mais guarda dúvidas quanto a isso. Outra coisa sabida hoje é que o Brasil será atingido sim, não por algo gigantesco, mas por algo bem maior que uma marola.
A oposição sempre disse que Lula era sortudo, que teria feito uma administração péssima do país caso tivesse encarado uma crise econômica das brabas. Em suma, a oposição justifica o governo ruim de FHC em seu segundo mandato dizendo que ele foi vítima das crises internacionais. Aproveitam para dizer que Lula só faz um governo melhor que o de Fernando Henrique pois não enfrentou crises semelhantes.
Estamos então em um momento de prova, um momento de verificação. Lula tem, com a crise que se aproxima cada vez mais, a chance de provar ao país que seu governo é mesmo melhor, que sua administração foi e é mesmo mais competente. Se o país atravessar a crise, que é muito maior do que as que FHC enfrentou, com certa tranquilidade, provará que o PT soube mesmo guiar nossa economia. Se o governo Lula fracassar no manejo da crise, e o país afundar de forma significativa, estará comprovada a tese tucana.
[...]
Lula acredita na primeira tese. Ele acredita que o país sairá da crise demonstrando que se fortaleceu nos dois mandatos conquistados pelo PT, que a “desculpa esfarrapada” da oposição vai cair por terra e que, de quebra, Dilma vai se fortalecer para 2010 com a comprovação do sucesso do governo petista. Tenho minhas dúvidas sobre se Lula está correto, mas também não posso afirmar hoje que o PSDB é o senhor da verdade. Daí a ansiedade quanto ao resultado da prova que será enfrentada por Lula. Será praticamente uma avaliação final, daquelas que as escolas aplicam no fim do ano. Lula pode tirar 10, mas também pode tirar uma nota abaixo de 5. Quem viver, verá.
Sobre este tema, diz reportagem recente do jornal O Globo entitulada “Crise na economia já atinge articulações para candidatura de Dilma em 2010, mas governo ainda aposta no carisma de Lula”:
“Apesar de um discurso otimista, a avaliação no Palácio do Planalto é que o agravamento da crise financeira internacional no Brasil pode começar a afetar a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ter reflexos, inclusive, na candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência da República. O temor de uma recessão em 2009, a partir da queda de 3,6% do PIB no último trimestre de 2008, acima do esperado, assustou não só a área econômica do governo, mas também o núcleo político.
O consenso entre integrantes do governo, da oposição e de cientistas políticos ouvidos pelo GLOBO é que, até agora, Lula segura os índices de aprovação do governo com a sua capacidade de produzir discursos otimistas. Mas já se considera que isso pode não bastar. Para analistas de pesquisas e políticos, Lula tem conseguido passar a imagem de que o governo age para enfrentar os efeitos da crise internacional. Agora precisará mostrar as ações, de fato. “
Aí está, a prova prevista pelo blog começou.
O caminho é assumir a crise e lutar contra ela
Indubitavelmente, a crise econômica atual é externa e o Brasil não teve quase nada a ver, a não ser estar interligado com personagens da crise, como qualquer outro país, com o seu nascimento. Porém, isso não é a mesma coisa de dizer que o país não tem nada a ver com isso.
Se por acaso não foi o Brasil o causador de uma crise, isso não quer dizer que medidas enérgicas não devam ser tomadas para que ela não atinja nosso mercado. Mais errado ainda seria dizer que o governo não deve agir com força a partir do momento que a crise, em detrimento de todos os esforços, desembarca no país.
Resumindo, o fato da crise ter seu nascedouro nos Estados Unidos não quer dizer que o Brasil não será atingido de alguma forma. Sabendo disso, como muitos de nós sabem, o governo deveria ter tomado providências preventivas mais determinantes, ao invés de ficarmos em um lenga-lenga de marolinhas e reuniões do COPOM. Agora, com os dados ruins em mãos, todos começam a tentar remediar.
Como disse Míriam Leitão: “A crise é externa; veio de fora. Não há dúvida. Mas os erros do governo são: ele subestimou o impacto na economia brasileira; confundiu desejo com a realidade, aposta com análise; tem atuado ao ritmo dos lobbies que aparecem em Brasília; antecipou a disputa eleitoral; ainda não tem uma estratégia para enfrentar a crise. Não há sinal de mudança de atitude.”
Não estou dizendo que o Presidente Lula está errado em ser otimista. Nada disso. O papel de um Presidente e de seu governo é mesmo esse. Porém, ser otimista e não pessimista, não quer dizer negar a realidade. Declarar que a crise não chegaria ao país não foi otimismo, foi leviano.
O governo deveria agora admitir que a crise tomou um vulto maior do que o esperado e dizer que agirá de todas as maneiras possíveis para conter o impacto. Porém, ao contrário, fala-se sobre quando tudo voltará ao normal, projetando índices bons para o futuro e tentando salvar a versão já desqualificada de que o país está protegido. É justamente o que Míriam diz acima sobre não se mudar de atitude.
Se pelo menos no âmbito econômico o governo agir, enquanto no front político tudo é dito como estando às mil maravilhas, já será uma redução do problema. Por mais que seja um absurdo ver um governo mais preocupado com o debate eleitoral do que com uma crise que assola o mundo inteiro. que Se ao contrário, a equipe econômica do governo comprar a versão de que o país está destinado a sair por cima da carne seca, as coisas vão se complicar ainda mais.
Se o Brasil não está sofrendo golpes mortais com a crise, também não está ileso. O governo deveria, simplesmente, admitir isso e partir para a ação possível. Nada de negar o que já é sabido. Nada de pensar em ganhos eleitorais e políticos desprestigiando o prejuízo já ocorre de verdade.
Parece que o governo ainda não entendeu que ele, de qualquer forma, não será culpado pela crise ter existido. Não se precisa ter medo de perder votos admitindo que ela existe. O que o povo quer ver, para não se decepcionar, é um governo que trabalha para minimizar os efeitos internos, assumindo o que está ocorrendo e jogando limpo. Se isso não for feito é que o governo será criticado. Como já está sendo.
Será que o medo de prejudicar Dilma fez o governo se engessar? Será que não é possível para a equipe governamental enxergar que a inércia atrapalhará mais ainda? Enquanto isso, quem sofre de verdade são as famílias brasileiras.
PIB cai forte e a solução não é nem marolinha, nem torcer contra
“PIB cai 3,6% no quarto trimestre; expansão da economia em 2008 fica em 5,1%”
Se por um lado o PIB cresceu na soma total anual, por outro, o resultado do quarto trimestre foi horrível. Isso significa que se por um lado o país não vai tão mal assim, por outro, a crise é muito maior do que uma marolinha.
Repudio totalmente aqueles que parecem torcer contra o país. Por mais que eu discorde de algumas atitudes do governo, principalmente aquelas no campo do combate à corrupção e ao loteamento de cargos, o Brasil está acima de tudo. Torcer pela crise é torcer contra o país. Torcer contra o governo de Lula é torcer contra o país. Isso, para mim, é impensável.
Dito isso, é inevitável observar que se não podemos, em hipótese alguma, nos sentir felizes ao ver o Brasil tendo problemas financeiros, também não podemos minimizar os problemas.
Estão errados aqueles que torcem para que a crise chegue com força para que Lula perca popularidade e Dilma perca a eleição. Também estão errados aqueles que mantém a idéia da marolinha e dizem que proteção feita pelo governo Lula para a economia brasileira é invencível.
Nada de comemorar a confusão, nada de fingir que ela não existe. Em um momento de crise, onde os mairores afetados são os trabalhadores, os mais pobres, os mais humildes, e não os políticos que disparam farpas diretamente de seus gabinetes climatizados, devemos agir com bom senso, acima de tudo e de todos.
O governo deve ser precavido, deve admitir que existem problemas no horizonte, deve fazer o que está ao seu alcance para diminuir os efeitos do impacto, ao invés de ficar torcendo para que tudo dê certo e se comprove que Lula fez um grande trabalho.
A oposição deve se unir aos esforços, deve cooperar, deve opinar, deve sugerir, deve ajudar, ao invés de, como muitos, torcer para que tudo piore, tudo se desestabilize, para provar que a equipe de Lula não sabia o que estava fazendo e apenas seguiu um caminho trilhado por FHC e contou com uma boa conjuntura econômica externa enviada pelo divino.
Parece que se esquecem, como sempre aqui no país, que maior que os políticos, é o Brasil, que maiores que Lula e FHC, são os brasileiros, que muito mais importantes que os cacifes políticos são as saúdes financeiras e estabilidades familiares dos trabalhadores.
Chega de torcer contra e chega de marolinha. O Brasil precisa de responsabilidade. Dos dois lados. PT e PSDB não são times de futebol e seus partidários não são torcedores que se regozijam com a desgraça alheia. Não existe um campeonato mais importante do que o país que está aí para ser governado.
A crise e o novo paradigma
Hoje, em tempos de crise, muitos estão pregando que os problemas da economia mundial e as consequências deles podem representar importante oportunidade para que se mudem os paradigmas. Independentemente de serem pessoas que já acreditavam antes que os hábitos e os sistemas da humanidade estavam errados, ou pessoas convencidas disso pela crise, o número dos que crêem que algo deve mudar nas relações humanas para que não implodamos nossa vivência só aumenta.
Ao contrário do que dizem aqueles que acreditam que crises como essas são normais, cíclicas e inevitáveis, alguns pregam que a crise prova que a humanidade está se baseando nos valores errados, estabelecendo prioridades equivocadas e fomentando a desigualdade e o consequente desastre.
Não é possível afirmar que alguma das vertentes seja a senhora da razão. Ao mesmo tempo que é fato que os seres humanos precisam resgatar certos valores como família e deixar de lado certas ganâncias como o lucro exorbitante, não se pode dizer com convicção que a crise é algum tipo de castigo. Ela é, claro, consequência de atos humanos errôneos mas não pode ser encarada, pelo menos não com absoluta certeza, como uma prova cabal de que a humanidade vai no caminho errado.
A crise pode ser um acidente no percurso certo ou uma prova de que estamos no percurso errado. No fim das contas a realidade é que a busca do lucro e uma certa ganância são naturais do ser humano e qualquer tentativa de diminuir esse impulso seria um tanto mal sucedida.
A crise não é prova de que buscar o lucro é algo errado. A crise prova que a busca do lucro deve estar acompanhada de outras buscas. A busca por segurança, por responsabilidade, por igualdade, etc. A crise prova que ganhar deveria ser o bastante, uma vida confortável deveria ser suficiente. O máximo possível nem sempre é aconselhável.
Por que não lucrar com investimentos produtivos ao invés de procurar os lucros fáceis do especulador? Por que não preferir a proteção do que é real ao invés da permissão de bolhas que ao mesmo tempo que geram lucros enormes, estourarão um dia?
Em suma, tudo isso é muito vago e subjetivo. Falar da crise em termos econômicos é muito mais fácil do que analisar a sociedade humana à luz da crise. A única coisa que posso afirmar com certeza de que não estarei dizendo bobagens é que os novos paradigmas são algo a se pensar. Com carinho.
Torcer contra não traz bem algum [2]
Esse blog busca, através de suas postagens, fomentar a conscientização e o aprendizado político, principalmente dos jovens. Além disso, procura incentivar discussões inteligentes e profícuas, que de vez em quando acontecem através dos comentários.
O assunto abordado na postagem “Torcer contra não traz bem algum” apresenta diversas facetas. Uma delas foi abordada por mim, porém, tenho que admitir que deixei a desejar ao abordar outra.
Ocorre que o leitor Gabriel, atento ao que escrevi, ressaltou tal faceta esquecida de forma brilhante. Por isso, só me resta reproduzir, para que todos leiam, o comentário do leitor na íntegra, assim como minha resposta para ele.
Na postagem citada, falei sobre como é impróprio e inadmissível o ato de torcer contra o próprio país por simples divergências políticas. Gabriel ressaltou que sim, isso é impróprio, mas que, porém, muitas vezes alguns petistas classificam como tal opiniões que não tinham esse cunho, tentando culpar, por erros próprios, seus adversários.
Que isso sirva de exemplo para todos os leitores. Sintam-se a vontade para comentarem, darem suas opiniões, concordarem e divergirem, sempre tendo em mente a criação de um debate sadio e produtivo. Aproveito para agradecer encarecidamente ao leitor Gabriel.
Sem mais delongas, o comentário do leitor e minha resposta subsequente:
Gabriel diz: “Bruno, pode até ser que haja opositores e críticos em geral que preferem ver o circo pegar fogo. Mas, pelo que percebo, essa coisa de ‘torcer contra’ é, mais uma vez, a bem sucedida tática da propaganda petista, pela qual o governo colhe os frutos de tudo o que é positivo, e tenta pôr no colo dos seus adversários o máximo de problemas possíveis, ainda que eles não tenha nada a ver com isso. Basta ver como foi o comportamento do presidente e de alguns ministros com a derrota da CPMF: quiseram, de início, pôr no colo da oposição qualquer probelma nessa área a partir de então, como se antes, com a CPMF, a saúde estivesse perfeita. Nesse caso da crise econômica, repito, pode haver quem torça, claro. Mas a atitude da oposição vem sendo justamente no sentido contrário: critica certas posturas do presidente, tenta colaborar com as medidas anti-crise, e não fica, como o PT fazia no governo FHC, usando eventuais medidas amargas do governo diante do probelma para fazer o jogo ‘ricos vs pobres’ – afinal, Lula ajuda grandes empresas, e isso no passado era pecado mortal para o PT. Enfim, o presidente diz isso para, caso realmente a crise tenha impactos grandes aqui, usar o fato para apontar o dedo nos outros e colocar todos os defeitos possíveis e, assim, se safar dos probelmas. Essa tem sido sua forma de fazer política. Isso sim é canalhice É realmente lamentável essa postura para um presidente da República.”
Bruno Kazuhiro diz:
Gabriel,
Obrigado por seu comentário.
Sobre ele, não tenho o que fazer a não ser concordar. Esse é um viés da coisa que não foi observado por mim, mas que deveria ter sido. Em toda a postagem, critiquei quem torce contra o país apenas por divergência políticas, o que está, para mim, equivocadíssimo, mas esqueci de mencionar, realmente, algo que também já observei e concordo, ou seja, que os petistas gostam de apontar os que criticam como culpados de tudo e que a reclamação em relação à imprensa e aos políticos adversário pode ser, realmente, uma tentativa de já começar a “jogar no colo” dos outros os problemas. Nos resta esperar e ver qual atitude eles tomarão dessa vez, mas você está certo em se basear no precedente. A probabilidade de acontecer mais uma vez é grande.
Muito bem apontado por você isso tudo, Gabriel. É para esse tipo de comentário que o blog foi feito. Aquele que contribui, e muito, com a discussão.
Volte sempre!
Torcer contra não traz bem algum
Uma verdade que os críticos do Presidente Lula, e de seu governo, não podem negar é o fato de que, entre eles, existem alguns que estão “torcendo contra” na luta contra a crise, o que, consequentemente, é “torcer contra” o Brasil. Por mais que eu tenha minhas reticências quanto ao governo Lula, principalmente no campo ético, acho isso inadmissível.
Por mais que seja claro que o governo Lula passará pela prova da crise, deixando seu cacife político, principalmente para 2010, dependente dos resultados brasileiros frente à crise, nada justifica que se torça para que o país naufrague. Muito menos a vontade de conquistar o Palácio do Planalto.
Qualquer político que tenha o intuito de liderar um país como o Brasil, e que preze a si próprio, se eximirá de nutrir um sentimento de triunfalismo quando vê certos setores da economia brasileira sucumbirem por força da crise econômica.
Primeiramente, o governo de qualquer pessoa que assuma depois de um baque econômico no país será muito complicado, não é algo a se desejar. Em segundo lugar, as divergências políticas devem ser resolvidas no debate, nas urnas, deixando o povo decidir que projeto é melhor para o país e não torcendo para que as iniciativas dos adversários dêem errado, ou seja, deve-se querer sempre ter as melhores idéias, e não, querer nivelar por baixo. Por último, e mais importante, é o fato de que nenhum líder que torça contra o seu país e merecedor dessa liderança, não se pode ter um postulante a chefe maior de uma nação se comprazendo com o sofrimento de muitos dos habitantes que irá comandar, apenas pelo fato desse sofrimento ser creditado na conta do adversário.
Em resumo, não se deve torcer contra, deve-se apresentar melhores idéias, melhores propostas, utilizar boa persuasão e convencer o povo, além de, mais tarde, executar e realizar, realmente, tudo de bom que foi prometido. Ressaltando que a inadmissibilidade dessa torcida contra vale para setores avessos ao Presidente Lula que não são compostos pelos políticos adversários, e sim, por qualquer outro tipo de pessoa, como professores com outras ideologias, jornalistas, analistas políticos, leitores deste blog, etc.
Todos, sem exceção, gostemos de Lula ou não, temos que torcer pelo Brasil, depois se olhe o resto. O bom senso deve se sobrepor às opiniões mais extremadas. Você que em muitos casos faz oposição a Lula, assim como eu, pense bem e perceba, se é que já não o fez, que apontar os erros é produtivo, mas que torcer contra não traz bem algum.
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