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Sensus: Serra também lidera, Aécio perde em segundo turno para Dilma
O Instituto CNT/Sensus lançou, alguns dias após o Datafolha, os seus mais novos números sobre os níveis de intenção de voto dos pré-candidatos à presidência em 2010. Diversos cenários foram testados, substituindo José Serra por Aécio Neves e Dilma Rousseff por Ciro Gomes. Além disso, foram feitas também simulações de segundo turno.
Seguem abaixo os cenários de primeiro turno e os números aferidos:
José Serra x Dilma Rousseff x Heloísa Helena
Serra – 45,7% (tinha 42,8% em janeiro)
Dilma – 16,3% (tinha 13,5% em janeiro)
Heloísa Helena – 11% (tinha 11,3% em janeiro)
Aécio Neves x Dilma Rousseff x Heloísa Helena
Aécio – 22% (tinha 23,3% em janeiro)
Dilma – 19,9% (tinha 16,4% em janeiro)
Heloísa Helena – 17,4% (tinha 18,2% em janeiro)
José Serra x Ciro Gomes x Heloísa Helena
Serra – 43,3% (tinha 41,9% em janeiro)
Ciro – 14,9% (tinha 10,6% em janeiro)
Heloísa Helena – 12,8% (tinha 13,8% em janeiro)
Aécio Neves x Ciro Gomes x Heloísa Helena
Aécio – 21,2% (tinha 21,9% em janeiro)
Ciro – 19,2% (tinha 16,1% em janeiro)
Heloísa – 19% (tinha 18,9% em janeiro)
Agora os cenários de segundo turno e os respectivos índices:
José Serra x Dilma Rousseff
Serra – 53,5% (tinha 50,8% em janeiro)
Dilma – 21,3% (tinha 16,6% em janeiro)
Aécio Neves x Dilma Rousseff
Dilma – 29,1% (tinha 23,9% em janeiro)
Aécio – 28,3% (tinha 30,4% em janeiro)
José Serra x Ciro Gomes
Serra – 49,9% (tinha 50,2% em janeiro)
Ciro – 20,3% (tinha 14,7% em janeiro)
Aécio Neves x Ciro Gomes
Ciro – 31,2% (tinha 24,7% em dezembro)
Aécio – 26,8% (tinha 29,1% em janeiro)
Na minha opinião, vale a pena ressaltar três fatos que são observados à luz desses números:
1- José Serra demonstra, através de mais um instituto de pesquisa, que é favoritíssimo.
2- Ciro Gomes não é colocado em nenhum cenário contra Dilma Rousseff. O instituto parece entender que o candidato da base aliada do governo será ou um, ou outro, o que, para mim, pode não ocorrer. Se por acaso Ciro viesse a ser colocado contra Serra, Dilma e Heloísa Helena, o que eu acho que deveria ser feito, pois sua candidatura própria a despeito de Dilma pode ocorrer, os números poderiam se alterar sensivelmente, tendo Ciro Gomes atraindo votos que foram para José Serra e Dilma Rousseff.
3- Pela primeira vez um instituto coloca Aécio Neves perdendo para Dilma Rousseff em um possível segundo turno. Isso pode significar o fortalecimento da tendência serrista dentro do PSDB. Os aecistas devem estar alertas.
Pesquisa Ibope – Serra continua liderando
Informa Ricardo Noblat:
“Pesquisa nacional do Ibope, aplicada entre 11 e 15 de março junto a 2.002 eleitores, confere a José Serra (PSDB) 39% das intenções de voto para a sucessão de Lula – contra 14% de Ciro Gomes (PSB), 9% de Dilma Rouseff (PT) , 8% de Heloísa Helena (PSOL) e 2% de Cristovam Buarque (PDT).
[...]
Na simulação feita pelo Ibope sem o nome de Serra, dá Ciro com 25%, Aécio Neves (PSDB) com 12%, Heloísa com 11%, Dilma com 10% e Cristovam, 3%.
Sem Ciro, Serra tem 47%, Dilma e Heloísa 10%, e Cristovam 3%.
Sem Ciro e Dilma, Serra fica com 48%, Heloísa 11%, Tarso Genro (PT) e Cristovam com 4% cada um.”
A pesquisa confirma certas análises que vem sendo feitas há algum tempo por este blog:
1- José Serra é favoritíssimo para vencer em 2010.
2- A candidatura de Ciro Gomes é, sim, viável. Embora não pareça, por outro lado, forte o suficiente para vencer. Uma vitória demandaria um ótimo trabalho, uma boa campanha e um pouco de sorte.
3- Caso Ciro e Heloísa não concorram, a eleição pode se resolver no primeiro turno entre Serra e Dilma.
4- Dilma Rousseff estará bem se começar a campanha em um patamar de 25-30%, porém, isso está se tornando mais difícil, principalmente com o vislumbre da queda de popularidade de Lula por conta da crise.
Ciro diz que é candidato e critica Dilma
Em entrevista ao jornalista Hugo Marques, da revista Istoé, Ciro Gomes afirmou que é candidato e aproveitou para, confirmando a tendência de separação adiantada pelo blog aqui, criticar Dilma Rousseff, seu projeto e sua candidatura.
Pelo visto, Ciro Gomes deve mesmo tentar ser candidato. Se não conseguir, pelo menos valorizará seu passe. O caminho que está sendo trilhado por ele, como vem adiantando este blog, é o de afirmar que não está disposto a participar da chapa de Dilma Rousseff.
No cenário que se desenha atualmente, é mais provável que Ciro seja vice de Aécio Neves, caso este venha a ser escolhido, do que de Dilma. Caso Serra, inimigo declarado de Ciro, venha a ser o candidato, a trajetória a seguir deve ser a da candidatura própria.
Leia os principais trechos da entrevista concedida por Ciro à Istoé:
ISTOÉ – O sr. passou um período retraído e agora está saindo para a estrada de novo, se lançando para a campanha presidencial?
Ciro – Tive alguns problemas. Tive uma paralisia facial causada por um vírus, que me deixou no estaleiro 40 dias. Na sequência, minha sogra internou- se, minha mulher gravando uma novela, sem poder dar assistência, achei que era meu dever dar apoio a ela. Minha sogra morreu. Foram basicamente dois ou três meses que eu não podia estar na luta. Já fui candidato a presidente da República duas vezes, portanto não posso andar mentindo, como certos candidatos notórios que dizem que não são candidatos. Eu sou. Mas já tenho experiência suficiente para saber que ninguém consolida uma candidatura a tal distância do processo.
ISTOÉ – Seu projeto para o País se parece com o da ministra Dilma?
Ciro Gomes – Eu diria que a Dilma não tem projeto.
ISTOÉ – É bom que ela bote logo as ideias na rua?
Ciro – Advogo que a gente tem que discutir projetos. Uma mera luta pelo poder, sem nenhum conteúdo, fará muito mal ao Brasil. Trata-se de quê? De voltar à hegemonia do PSDB-PFL ou garantir a presença do PT a qualquer preço, a qualquer circunstância? É isso que o País precisa que se ponha em discussão.
ISTOÉ – A ministra elogiou o sr.
Ciro – Minha relação com ela é de muita amizade, de muita fraternidade. A Dilma é uma administradora sem par. Talvez a única lacuna na vida pública dela seja a falta de vivência política. Mas isso não é nada que não possa suprir com esforço.
ISTOÉ – O problema numa dobradinha com Dilma é que hoje o sr. tem mais votos do que ela? Ciro – Isso tudo é ilusão de ótica. Na hora certa, vamos ver o que interessa.
ISTOÉ – Ela pode crescer nas pesquisas?
Ciro – Com certeza, se ela for a candidata apontada pelo Lula. O cruzamento da influência dele com a preferência relativa que o PT tem dá a ela um patamar de 25% fácil.
ISTOÉ – O sr. conversou com o presidente Lula sobre a sucessão?
Ciro – É cedo. O Lula é um gênio político. O que o Lula está fazendo? Ele conhece o PT mais que ninguém. Ele sabe que se não botasse a mão, ainda que oficiosamente, no ombro de uma pessoa, numa hora dessas as diversas correntes do PT estariam se engalfinhando. Ele bota a mão, aparentemente, na Dilma, e trava o debate. Está prevenindo a desgraceira de uma brigalhada das diversas correntes do PT pela sucessão dele.
ISTOÉ – O sr. acha correto o PT restabelecer algumas personalidades, como o Delúbio Soares? Ciro – No Brasil, o que é compreensível, como temos uma democracia muito verdinha, há um justiçamento por parte da imprensa. Ela não percebe que faz justiçamentos. Há direitos e garantias universais. Presunção de inocência até o julgamento final, o contraditório, o ônus da prova de quem acusa. Não vejo o Delúbio como um marginal, um perigoso gângster como vi desenhado na imprensa. Cassar direitos políticos de uma pessoa cujo julgamento está pendente é estranho.
ISTOÉ – José Serra está com 40% sem ter se lançado candidato. É possível alguém derrotar o governador de São Paulo na próxima eleição?
Ciro – É perfeitamente possível. Sempre achei que a oposição ao governo Lula, ao nosso governo, saía do processo com certo favoritismo. Isso não quer dizer vitória de véspera.
ISTOÉ – O sr. apoia a iniciativa do governador mineiro Aécio Neves de andar pelo Brasil em campanha?
Ciro – O governador de Minas tem a obrigação de expor sua posição no debate político nacional. Boa parte do que está sofrendo o Brasil deve-se ao desmantelamento da presença equilibradora de Minas Gerais na política.
Tenho para mim, conhecendo bem o gênio político do Fernando Henrique, que isso foi deliberado. Fernando Henrique sabia que para reinar, ou seja, para a reeleição e para a perpetuação desse grupo plutocrata que ele lidera a partir da avenida Paulista, precisava enfraquecer Minas. Ele cuidou disso muito bem, dizimou a política mineira, destruiu a memória do Itamar Franco, espalhou a cizânia.
ISTOÉ – O PMDB ficou forte com as presidências da Câmara e do Senado. A próxima eleição presidencial tem que passar pelo PMDB?
Ciro – A questão é quais são os princípios morais e intelectuais que presidem esta ou aquela aliança. Já censurei essa tática, quando o Fernando Henrique fez essa aliança com o PMDB, porque o que preside essas alianças é o ajuntamento, é a fisiologia, é o clientelismo, é a concessão à safadeza, à ladroeira, e isso não leva o País a lugar nenhum, isso é uma ilusão de alianças.
ISTOÉ – O presidente Lula tem recebido críticas por aparelhar o serviço público.
Ciro – O Brasil precisa de administração profissional e meritocrática. A administração pública brasileira não vai bem. O desempenho do PAC é sinal disso. É muito curioso, se não fosse trágico: hoje tem muito mais dinheiro que capacidade de fazer.
ISTOÉ – O Brasil não consegue gastar o dinheiro do PAC?
Ciro – Não consegue por gap gerencial, por falta de estrutura de prestação profissional. Há uma legislação estúpida na área de ambiente, estúpida na área de licitação, estúpida na área de controle de contas.
ISTOÉ – A popularidade do presidente Lula pode cair ainda mais?
Ciro – Vai cair. Nada trágico, mas vai cair consistentemente.
ISTOÉ – O presidente do BC, Henrique Meirelles, deveria ser mais agressivo com a queda dos juros?
Ciro – O Meirelles ajudou o Brasil de forma substantiva no primeiro mandato do presidente Lula. Mas o modelo está errado. O Banco Central cometeu um desatino quando a crise já estava instalada e tinha proporções que sabíamos terríveis. Eles fizeram essa política maluca de aumentar os juros nacionais olhando uma inflação de demanda estúpida, que não existia. Acrescentou um dado nacional desnecessário, estúpido, àquilo que seria grave. O problema é o modelo, não é o Meirelles.
Se Aécio concorrer, Ciro estará com ele
Informa Lauro Jardim, na revista Veja:
“Ciro Gomes já decidiu: se Aécio Neves for o candidato do PSDB à Presidência, terá seu apoio. A princípio, seu plano é trabalhar para ser o candidato a vice-presidente da chapa – e para isso precisa convencer Eduardo Campos, o ‘dono’ do PSB e aliado de primeiríssima hora do PT, a aderir à empreitada. Mas, a alguns interlocutores, já avisou: estará na campanha de Aécio ainda que seu partido decida apoiar a candidatura da ministra Dilma Rousseff. Está tudo certo, a não ser por um detalhe: o favorito dos tucanos hoje é seu desafeto José Serra.”
O jornalista Lauro Jardim informa, na nota reproduzida acima, sobre fato importantíssimo para a disputa pela presidência em 2010. Pelo que ele conta, Ciro Gomes estará ao lado de Aécio Neves caso este venha a concorrer à presidência pelo PSDB. E mais, Ciro estaria disposto a ser o vice de Aécio, e não de Dilma, por mais que o PSB, seu partido, não viesse a apoiá-lo nesta decisão. O que faria com que ele pudesse, até mesmo, mudar de legenda.
Lauro Jardim observa ainda um fato que não poderia ficar de fora da análise, o de que José Serra é favoritíssimo a ser o escolhido pelo PSDB. Acontece que Jardim coloca isso como empecilho para a consolidação da aliança entre Aécio e Ciro, porém, eu vou mais além. Quem sabe não é justamente o fato de Serra ser favorito, e ao mesmo tempo desafeto declarado de Ciro Gomes, que faz com que Ciro apóie Aécio. Pode ser que o ex-Governador do Ceará entenda que, apoiando Aécio, poderá estar dando armas ao Governador mineiro para desbancar Serra.
Além dessa hipótese, fica ainda a dúvida sobre qual seria o rumo de Ciro caso Serra, apesar de tudo, fosse mesmo o candidato. Afinal, se existe uma aproximação com Aécio, existe também uma aproximação com o PSDB. Sendo assim, seria correto afirmar que Ciro estaria se distanciando de Dilma, o que faria com que suas únicas opções, caso Serra seja o tucano indicado, fossem ficar neutro ou lançar candidatura própria, justamente para tentar conter Serra.
Por saber que Ciro deseja por demais deter José Serra, acredito mais na segunda hipótese aventada, caso uma disputa entre Serra e Dilma venha a se configurar. Nesse caso, se o PSB estiver com Dilma, Ciro poderia até mesmo concorrer por outra legenda.
Em um jogo polarizado entre PT e PSDB, o apoio de Ciro Gomes, uma espécie de terceira força, poderá ser o fiel da balança.
Sucessão cearense: Cid Gomes é favorito
Conta a Folha de São Paulo sobre os resultados da pesquisa Datafolha a respeito da sucessão pernambucana:
“Atual governador do Ceará, Cid Gomes (PSB) lidera com folga as intenções de voto dos cearenses para o governo do Estado. Nos dois cenários projetados pelo Datafolha Cid seria reeleito, com vantagens superiores a 15 pontos percentuais sobre o segundo colocado.
No retrovisor de Cid Gomes, disputam entre si o senador e ex-governador Tasso Jereissati (PSDB), o ex-governador Lúcio Alcântara (PR), a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), e o ex-deputado federal Moroni Torgan (DEM).
Na pesquisa espontânea, em que nomes de possíveis candidatos não são apresentados ao eleitor, Cid Gomes também lidera, com 20% das intenções de voto. Em segundo lugar, aparece seu irmão, o deputado federal e ex-governador Ciro Gomes, do mesmo partido.
Ciro não foi incluído em nenhum dos dois cenários porque a tendência mais forte, no momento, é que ele tente uma candidatura presidencial, ainda que como vice.”
Não há muito o que comentar sobre o resultado das pesquisas realizadas no Ceará. Cid Gomes deve mesmo se reeleger.
A família Gomes, se não está tendo o destaque que deseja na corrida presidencial, deve manter o controle do estado que representa seu reduto, o Ceará.
Sucessão pernambucana: Campos e Jarbas empatados
Informa a Folha de São Paulo sobre a pesquisa do Datafolha acerca da disputa pelo governo de Pernambuco:
“O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) aparecem empatados tecnicamente em dois possíveis cenários na disputa pelo governo do Estado em 2010, segundo pesquisa Datafolha.
Em um cenário sem nome do PT, o ex-prefeito de Recife João Paulo, Campos tem 40% das intenção de voto, seguido por Jarbas, com 34%. Nesta simulação, os dois estão em empate técnico no limite da margem de erro -três pontos percentuais para mais ou para menos.
O equilíbrio entre Campos e Jarbas não reflete, segundo o diretor do Datafolha, Mauro Paulino, a presença do senador no noticiário recente. Em entrevista à revista ‘Veja’, em fevereiro, Jarbas afirmou que ‘boa parte do PMDB quer mesmo é corrupção’, gerando críticas da cúpula do partido. Na ocasião, também disse que ‘mais de 90% [do PMDB] praticam o clientelismo, de olho principalmente nos cargos’.
A 18 meses das eleições, no entanto, o que conta mais é a memória do eleitor, segundo Paulino. ‘O noticiário reforça uma imagem que ele [Jarbas] já tem, mas não chega a atingir a maioria do eleitorado. Os índices refletem mais a tradição dele em administrações anteriores em Pernambuco, e isso acaba contando mais nesse momento.’ Jarbas foi duas vezes seguidas governador de Pernambuco (1999-2006).
No cenário em que o ex-prefeito João Paulo foi incluído, a distância entre Campos e Jarbas diminui. O atual governador aparece com 34% das intenções de voto, e Jarbas, com 31%.”
Vale ressaltar dois fatos:
Primeiramente, é importante ter em mente que Jarbas pode não sair candidato ao governo do Estado de Pernambuco. Uma de suas outras possibilidades é, até mesmo, migrar para o PPS e ser vice na chapa tucana, como já informou há algum tempo este blog.
Em segundo lugar, vale atentar para o fato de que o PT, assim como a oposição, está lutando para unificar os palanques, o que poderia fazer com que o partido não lançasse candidato próprio, retirando João Paulo, ex-Prefeito de Recife, da disputa e apoiando a reeleição de Eduardo Campos, do PSB. Com certeza isso será uma das moedas de troca possíveis para que o PSB não lance Ciro Gomes como candidato, e sim, apóie Dilma.
Dilma quer atrair o bloquinho
“A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, já começou a articular sua candidatura presidencial com os partidos de esquerda que formam o bloquinho (PC do B, PSB e PDT). Nas conversas, Dilma tem afirmado que, apesar de valorizar a aliança com o PMDB, pretende reagrupar os parceiros históricos do PT. Mais: diz que seu destino político depende do êxito do governo Lula. Ela teria comentado, em café da manhã com dirigentes do PC do B, no dia 5, que quer continuar a obra de Lula, mas que será difícil sem ele.
O argumento oficial para essas reuniões é aproximar mais os partidos de esquerda do Planalto. O PSB do deputado Ciro Gomes (CE), por exemplo, é um dos que mais reclamam do “esquecimento” do governo. Ex-ministro da Integração Nacional, Ciro não esconde a contrariedade: quer lançar seu nome para a disputa ao Planalto e disse considerar ‘um grave erro’ a intenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de apresentar candidatura única dos aliados.”
Para Dilma Rousseff seria melhor, com certeza, contar com o apoio do bloquinho, ou seja, de PC do B, PSB e PDT. Porém, a recíproca pode não ser verdadeira e essa aliança não representar a melhor coisa para o bloquinho.
Se Dilma priorizasse o bloquinho, acredito que tudo ficaria em seu lugar, acontece que a equipe do governo, que articula a candidatura de Dilma, trata mal o bloquinho que entende como aliado garantido, na ânsia de agradar apenas o PMDB com tudo o que for possível e atraí-lo para a chapa.
Acontece que o bloquinho não está aí para brincadeira e, na realidade, não se enxerga fraternalmente ligado a Dilma. A prá-candidatura de Ciro Gomes está aí para comprovar isso.
Na minha modesta opinião, Ciro Gomes deveria, sim, lançar candidatura própria. Caso chegasse ao segundo turno contra Dilma, poderia receber o apoio dos tucanos e caso chegasse ao segundo turno contra Serra, com certeza receberia o apoio do governo.
O perigo para ele, obviamente, seria a possibilidade não ter um bom desempenho. Porém, neste caso, acredito que pouca coisa mudaria. Ele tenderia a se aproximar de Dilma em um eventual segundo turno como sócio minoritário, sendo o PMDB o principal aliado da Ministra. Alguém acredita que aconteceria algo diferente disso mesmo que Ciro estivesse com ela desde o início?
Noves fora, se eu fosse Ciro Gomes, me candidataria. Se ele fosse mal, teria facilidade para se colocar na mesma posição que teria se não se candidatasse. Se ele fosse bem, poderia ser a única chance do governo de vencer o PSDB, o que faria Lula descarregar o apoio dele em sua candidatura.
Corrida 2010: Nova pesquisa Datafolha
“Serra lidera com folga disputa à sucessão presidencial; Dilma volta a subir”
O Datafolha divulgou nova pesquisa sobre a corrida presidencial, seguem os números nos diferentes cenários e, depois, os comentários:
Cenário 1 – Serra como candidato tucano
Serra – 41% / Ciro – 16% / Heloísa Helena – 11% / Dilma – 11%
Cenário 2 – Aécio como candidato tucano
Ciro – 25% / Heloísa Helena – 17%/ Aécio – 17% / Dilma – 12%
Cenário 3 – Com Serra e sem Ciro
Serra – 47% / Heloísa Helena – 15%/ Dilma – 13%
Cenário 4 – Com Aécio e sem Ciro
Heloísa Helena – 27% / Aécio – 22% / Dilma – 16%
Cenário 5 – Com Serra, Ciro e Aécio
Serra – 35% / Ciro – 14% / Heloísa Helena – 12% / Aécio – 12% / Dilma – 11%
Podemos perceber alguns pontos interessantes analisando essa pesquisa, entre eles:
1- O recall (lembrança do candidato pelo eleitorado devido a ele já ter concorrido) ainda está tendo um forte efeito, maquiando números como os de Ciro e Heloísa Helena que, em campanha, com certeza se reduziriam.
2- Embora ainda seja muito cedo, Serra se coloca cada vez mais como grande favorito.
3- Caso Heloísa Helena e Ciro Gomes não concorram, a eleição pode, como alguns estão prevendo, se resolver no primeiro turno. Não existem outros nomes que possam dividir o eleitorado. Nessa hipótese, Ciro apoiaria Dilma e Heloísa preferiria concorrer ao Senado, disputando uma eleição onde tem chances de vencer.
4- A vantagem de Serra sobre Aécio continua grande, mantendo o argumento dos tucanos mais serristas de que o Governador de São Paulo deveria ser apontado como candidato de forma consensual, sem prévias, devido ao seu desempenho nas pesquisas de intenção de voto.
5- Dilma Rousseff continua subindo, porém, em um ritmo que talvez não permita a ela chegar aos 30% no início da campanha, o que é desejado e esperado pelos petistas mais otimistas.
O que Ciro Gomes quer de 2010
Pouco a pouco, Ciro Gomes vai mudando o tom e as atitudes e mostrando que está de acordo com os conselhos que aqueles que desejam vê-lo como protagonista na corrida presidencial de 2010 lhe dão.
O ex-candidato a Presidente e ex-Governador do Ceará, atual Deputado Federal, começa a colocar as manguinhas de fora e aparecer mais, trabalhando, de certa forma, contra o plano de Lula de unir toda a base aliada em torno de Dilma.
De passagem por Natal, capital do Rio Grande do Norte, Ciro Gomes concedeu entrevista ao jornal Diário de Natal, o chamado “Poti”. Na entrevista, Ciro dá o tom do que parece ser seu plano de ação para os próximos meses, além de explicitar algumas de suas opiniões sobre o cenário para 2010.
O pré-candidato do PSB chega a comentar, inclusive, sobre a, para ele, inexistência de um “sistema governista” cuja existência poderia se supor observando a vontade de Lula de unir a base aliada em 2010. Fala ainda, nas entrelinhas, sobre José Serra, demonstrando que tem uma gana de concorrer para poder evitar que esse seu inimigo de longa data chegue ao Planalto.
A entrevista constitui importante fonte de informação sobre o que Ciro quer de 2010. Sendo assim, seguem abaixo os trechos mais relevantes da longa entrevista:
Qual o projeto do PSB e do senhor, pessoalmente, para 2010?
Eu disse aos companheiros – eles estão preocupados com essa precipitação do debate da sucessão do Lula, eu tenho uma vivência de 30 anos na política, e isso me dá um olhar mais sereno – time que não joga não ganha torcida. Eu acho que o partido devia disputar a presidência da República e todos os governos estaduais possíveis. Eu fiquei muito chateado com o que aconteceu aqui em Natal. Eu queria que o partido disputasse a prefeitura com candidatura própria.
Foi o senhor, inclusive, que lançou o deputado Rogério Marinho num encontro do PSB em Natal.
Claro. O Rogério Marinho é um cara qualificado, respeitado no partido, a gente com prefeitura de Natal, com governo do estado bem avaliado.
Essa semana, ele conseguiu autorização do TSE para deixar o PSB sem perder o mandato.
É lamentável. Mas, como eu ia dizendo, eu defendo que o partido tenha candidato em qualquer circunstância. Eu estou muito preocupado com o futuro do Brasil. Não é porque eu estou vendo uma tragédia no futuro. Basta que eu perceba a tragédia crônica que é o viver da média do povo brasileiro para ficar preocupado com o futuro do Brasil. Qual é a minha preocupação política mais grave hoje? Nós perdermos os inimigos caricatos. A ditadura, hoje não há um só político que não seja eleito pelo voto e há uma gravíssima, especialmente entre jovens, perda de confiança na política e na sua representação. Isso é muito grave. A inflação, antigamente nós tínhamos uma inflação de 84% ao mês. Então, tinha aquele debate todo que tinha que ser a emergência a ser combatida. Isso acabou. E não temos mais o inimigo, a ameaça da esquerda no poder. O Lula mata esse mito. E, às vezes, até mais realista que o rei. Ninguém pode mais duvidar de que a esquerda pode governar com muita responsabilidade e melhorar a vida do povo. Mas também não trouxe o paraíso para a terra. Existe uma frustração perigosa aí: acabou a inflação, mas e a vida do povo? A classe média, especialmente, onde a consciência crítica é maior, paga dobrado para viver no Brasil. Morre com o Imposto de Renda retido na fonte – não tem nem como escapulir – e paga plano de saúde porque a rede pública de saúde é uma vergonha, paga mensalidade escolar porque a rede pública de educação é uma vergonha, a despeito do esforço dos médicos e professores, a segurança pública não funciona e frequentemente as famílias têm custo com segurança privada. E você tem a questão do futuro. Seis de cada 100 garotos e garotas, apenas, têm acesso ao ensino superior público. Que é o único que ainda tem alguma qualidadezinha. O resto fica condenado a pagar uma faculdade privada que, via de regra, é uma arapuca. Vai virar um desempregado de nível superior. As pessoas estão se comportando meio como se não tivesse saída para isso. E eu sei que há.
O senhor está falando como candidato a presidente.
Eu já fui candidato a presidente duas vezes. Não fui a terceira para ajudar o Lula. Então, eu não posso estar mentindo para o povo e dizer que eu não quero ser. Evidente que quem já foi já revelou que quer ser. Agora, não é candidato de si mesmo. Eu quero ver o seguinte: qual a discussão que vai dar no bloco de esquerda que está incomodado com essa onda conservadorismo que, aliás, o PMDB e o PT estão impondo ao país. Se você vir o que eu estou vendo na Câmara Federal, você vai se arrepiar, você não vai acreditar o que o PMDB está patrocinando.
O senhor acha que o Congresso está regredindo?
Não, não está regredindo. Mas nenhum político brasileiro, do mais modesto vereador ao mais graduado presidente da República, hoje está aí sem ter sido eleito pelo povo. Tem alguma coisa errada nas instituições políticas, mas tem alguma coisa errada na desvalorização da política como linguagem. E, infelizmente, para o bem ou para o mal, é a política, e só ela, quem dita o destino da nação. Se você é displicente, descrente, se você aceita essa generalização reacionária que a grande imprensa do sul faz de dizer que política é uma coisa imunda, é sujeira, e o jovem especialmente se desencanta, chega o dia da eleição com toda a displicência, com todo o descuido, não reflete, e se livra da obrigação.
O senhor acha que o presidente Lula fez certo de se comprometer antecipadamente com a candidatura da ministra Dilma Roussef?
O presidente Lula é um político intuitivo brilhante. Eu conheço bem o presidente Lula, tenho por ele grande estima, e eu já vi como com muita audácia e brilho ele antecipa certas situações. Ele conhece melhor do que todo mundo o PT. Se ele não põe a mão num quadro petista que ele possa, sobre esse quadro, fazer um plano tático, inclusive para mudar de candidato ou manter o candidato, se ele não antecipa essa indicação informal, uma hora dessas vocês iriam ver a maior troca de dossiês e de canelada entre petistas. Porque aquilo lá às vezes é um ninho de rato. Uma hora dessas, Tarso Genro, Patrus Ananias, Jacques Wagner, Marta Suplicy, que seriam os pretensos candidatos, uma hora dessas estariam se tratando muito bem, aqui por cima da mesa e em baixo, canelada. E o governo ia pagar o pato disso. Não duvide que uma parte daquela esculhambação do mensalão foi guerra de petista.
Em relação a essa decisão antecipada do presidente somada à aliança mais estreita com o PMDB, o senhor enxerga que a tendência é que o sistema governista tenha múltiplas candidaturas à presidência da República?
Veja bem. Não existe sistema governista. Eu compreendo o que você está querendo dizer. Mas as forças que apóiam o governo Lula são tão heterogêneas, que eu vejo como absolutamente improvável que esta heterogeneidade que tem uma coesão nacional na sustentação do governo pelas razões mais variadas, desde afinidades históricas e ideológicas à fisiologia mais desbragada e a expectativa de meter a mão no cofre público. Então, não precisa estar junto, não deve estar junto, o povo aguardar atenciosamente que isso não esteja junto. Porque se não, não é o povo que escolhe, é meia dúzia de gente importante em Brasília.
Como fica o Brasil com a crise econômica?
Graças ao que nós fizemos no primeiro governo do Lula, pela primeira vez num século e meio, em função de uma crise internacional, o Brasil não vai sofrer graves consequências. O governo do Lula fez superávit nas transações do Brasil com o estrangeiro no primeiro mandato, usou esse superávit para fazer reservas cambiais. O déficit chegou e o Brasil quebraria. Mas nós estamos fechando esse buraco tirando um pouco da nossa caderneta de poupança. Então, vai depender um pouco da extensão dessa crise que, na minha opinião, sob o ponto de vista internacional, demora mais uns dois anos o epicentro dela. E nunca mais o sistema será o mesmo. O efeito prático no Brasil é que nós vamos cair de um pico de crescimento econômico ao redor de 6% ao ano, de setembro de 2007 a setembro de 2008, para, na melhor hipótese, algo em torno de 1,5% esse ano. Tudo começa a andar um pouco para trás. O que é lamentável. E não precisava ser assim. Se não fosse o ato de conservadorismo do Banco Central que errou feio, criminosamente no olhar dessa crise, quando o mundo inteiro praticou as mais drásticas reduções das taxas de juros, inacreditavelmente o Banco Central brasileiro subiu cavalarmente essa taxa, acrescentando sem razão uma causa interna a uma crise que de fora já traria consequências ao país.
O presidente Lula tem o melhor índice de aprovação de todos os tempos, jamais visto. O senhor acha que essa crise econômica vai afetar?
Vai. Mas existem duas questões centrais. A primeira é que o Brasil só melhorou. Não sou solidário só porque sou amigo. Eu acompanho e brindo dizendo que só tem um número que piorou que foi o da dengue. O juro é alto? É. Mas na média é o mais baixo juro real da história recente do país, sendo o mais alto do mundo. A outra razão intrínseca ao presidente Lula. Ele carrega a carga simbólica e no imaginário popular é a demonstração de que o filho do pobre mais humilhado pode vencer os seus desafios. Porque ele é filho de pobre que sofreu todas as humilhações que essa sociedade injusta, besta e doente que o Brasil ainda tem, elitista, e virou o presidente da República de sucesso internacional.
O presidente Lula tem uma candidata a presidente. Como é que se é candidato contra o governo que o senhor admira?
Eu não sou candidato contra. O Lula é o presidente do Brasil, não é o imperador que escolhe o sucessor e pronto. E eu não sou candidato. Posso ser, não posso negar que desejo ser, mas não serei a qualquer custo, não serei em nenhum a circunstância para atrapalhar o passo adiante que o país precisa ter. Eu acho que o que está em jogo não é conservar o governo Lula, o que está em jogo é não deixar andar pra trás, porque o nosso principal adversário é do PSDB, era da equipe econômica do governo Fernando Henrique, era ministro do Planejamento, todo o descalabro da privataria que aconteceu foi essa turma que fez e a concentração de poder, riqueza e informação na oligarquia em São Paulo. Segundo, não é conservar o governo do Lula. O governo do Lula é um avanço? Sim. Mas acho que o Brasil precisa avançar mais. O Lula fez a parte dele brilhantemente e, agora, vamos parar? É isso que nós queremos para o nosso povo? O que está aí? Não. Nós queremos melhorar muito mais e podemos fazer.
Olha o Ciro aí
“Ciro critica Lula por apostar todas as fichas em Dilma em 2010″
Muitos diziam, entre eles eu mesmo, que Ciro Gomes, se quisesse participar ativamente da sucessão presidencial em 2010, teria que aparecer mais, se colocar sob os holofotes, enfim, exibir-se na vitrine.
Pois parece que isso vai começar. Ciro declarou, em seminário, que Lula não deveria apostar todas as fichas em Dilma, além de, como sempre, falar mal de Henrique Meirelles e dos juros altos.
É muito claro o que Ciro quis dizer, ele disse algo como: “Não aposte só nela, lembre de mim”.
Ciro tem cacife, e recall, para, se forçar a barra, se colocar de alguma forma no jogo de 2010. Seja como candidato da base governista que fecharia com Dilma um acordo de apoio mútuo em um provável segundo turno, seja como vice da Ministra.
Acontece que o PSB não parece muito disposto a lançá-lo como candidato. Devem achar que a candidata da base governista a chegar ao segundo-turno deve mesmo, por força do apoio de Lula, ser Dilma. Sendo assim, valeria mais a pena apoiá-la logo de cara e cobrar por isso.
Desse modo, continua sendo interessante para Ciro se exibir. Já que isso não serve só para pavimentar candidaturas, serve também para cavar colocações em chapas.
Se o PMDB não fechar com Dilma, o vice poderia, com grandes chances disso acontecer, ser ele. O adversário seria Eduardo Campos, presidente atual do PSB e governador no Nordeste.
Mas existe um cenário ruim para Ciro. Aquele onde o PMDB fecha com Dilma, tornando-se sócio majoritário e colocando o PSB em segundo plano, e onde o PSB aceita essa situação e apóia Dilma da mesma forma.
Ciro aparece justamente para tentar evitar coisas do tipo. Para quem dizia que ele andava sumido demais para quem queria alguma coisa em 2010, olha o Ciro aí.
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