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Cristovam nega ter proposto plebiscito sobre fechamento do Congresso

“Cristovam nega propor plebiscito sobre fechamento do Congresso, mas critica inoperância do Legislativo”

Informa a Folha na reportagem citada acima:

“O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) negou nesta terça-feira que tenha proposto a criação de plebiscito para questionar a população sobre o fechamento do Congresso Nacional. Cristovam disse que nunca pensou em elaborar tal proposta e que o episódio não passou de uma ‘grande confusão’.

Segundo ele, a confusão começou depois de afirmar numa entrevista a um programa de rádio no domingo que alguém acabaria propondo uma consulta popular sobre o fechamento do Congresso após os últimos escândalos envolvendo o Senado.”

Não sei se Cristovam realmente acabou, sem querer, gerando um mal entendido, ou se, na verdade, voltou atrás no que disse e alegou a suposta confusão como justificativa.

Porém, de qualquer forma, é bom saber que, embora tenhamos um Congresso inoperante, desmoralizado e um tanto corrompido, existem diversos brasileiros que ainda estão dispostos a defender a existência do Parlamento como pressuposto primordial para a democracia nacional.

Essas pessoas sabem que a solução é qualificar e moralizar o Congresso, e não, destruir o Poder Legislativo brasileiro, desequilibrando o sistema dos três poderes.

Cristovam sugere plebiscito sobre fechamento do Congresso

“Senador sugere plebiscito para debater fechamento do Congresso: Cristovam Buarque (PDT-DF) ressalta que não apresentará proposta. Para ele, Congresso está hoje ‘quase irrelevante’ e precisa de ‘limpeza’”

Normalmente, admiro as posições do Senador Cristovam Buarque. Por mais que, de vez em quando, existam algumas divergências entre o que ele prega e o que eu defendo, na maioria das vezes concordo com ele.

Essa questão do plebiscito é uma das que causará uma discordância entre nós. Não concordo com a ideia de realização deste plebiscito em hipótese alguma, por mais que eu entenda que o Congresso realmente necessite da “limpeza” e realmente esteja interpretando papel “irrelevante”.

Acredito que o Parlamento precise, sim, de uma “sacudida”, porém, não entendo que esta deva vir na forma de um plebiscito que julgue se o Congresso deve ser fechado ou não.

Por mais que o Congresso brasileiro esteja sofrendo com mazelas como a falta de ética dos seus membros, a corrupção endêmica, a troca de favores e o tráfico de influência como práticas comuns, o loteamento de cargos, o uso abusivo de verbas públicas, a baixa produção legislativa e a desmoralização junto à opinião pública, ele, como instituição, é elemento básico da democracia brasileira.

Em resumo, concordo com Cristovam quando ele diz que o Congresso não está cumprindo seu papel e que, por isso, a população tem o direito de vir a entender que ele é desnecessário. Porém, acho que esta não é a saída aconselhável pois, errado é o Congresso que temos, e não, a existência de um Congresso.

Acabar com o Congresso não seria punir os políticos corruptos, seria punir o povo brasileiro. A democracia brasileira ainda amadurece e algo assim seria um golpe forte. Talvez forte demais para que ela continuasse de pé.

Que a “sacudida” que o Congresso precisa venha na forma de medidas como a redução do número de MPs, que limitam as possibilidades legislativas do Parlamento, tornando-o submisso ao Executivo; a criação de novos requisitos para a inscrição de candidaturas para cargos eletivos, investigando melhor o passado dos candidatos e retirando dos pleitos aqueles que apresentam indícios de má conduta inegáveis e claros; uma reforma política bem feita, altamente necessária para que a representatividade volte a bafejar os eleitos; e um Parlamento mais fiscalizador de si mesmo, com instrumentos e dispositivos internos para coibir conchavos, nomeações abusivas, entre outros.

Com certeza o Congresso precisa levar um “susto”. A Câmara e o Senado precisam lembrar que representam a sociedade brasileira e que, por isso, devem estar sintonizados com ela, além de bem serví-la.

O plebiscito, para mim, não deveria ser realizado, pois poderia acabar causando instabilidade em nossa democracia, desequilibrando os três poderes e deixando prerrogativas, demais nas mãos do Executivo, mais ainda do que hoje, porém, causa uma lembrança importante: O soberano é o povo, ele deve ser a quem se serve, e não, o servidor.

E quem serve o povo honestamente não tem do que reclamar. Cumpre sua obrigação ética e moral, ao passo que recebe muito bem para isso.

Aprovada no Senado proposta que aumenta o número de deputados

Uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que cria até sete novas vagas de deputados, a serem escolhidos pelos brasileiros que vivem no exterior, foi aprovada no Plenário do Senado.

Os novos deputados, se realmente vierem a ser eleitos, formariam uma espécie de nova bancada, que lutaria pelo interesse das comunidades de brasileiros que residem no exterior, como por exemplo, a grande comunidade brasileira em Nova York.

Sem dúvida nenhuma a ideia de que os brasileiros que emigraram merecem representação, mesmo que pequena, é correta, porém, isso não significa que o número de deputados tenha, necessariamente, que subir.

É correta a afirmação dos que defendem o projeto de que o gasto extra, quando analisado à luz do montante total de gastos do Legislativo, seria pequeno. Porém, de qualquer forma seria um gasto desnecessário, que utilizaria recursos que poderiam ser melhor destinados.

Na minha modesta opinião, o problema do Legislativo brasileiro não é essencialmente o número de deputados, e sim, o fato de que muitos deles não fazem coisa alguma. Se tivéssemos 500 deputados, de um total de 513, que fossem atuantes, ninguém questionaria a validade do número alto.

Em resumo, acredito que o aumento do número de deputados não é o problema em si, e sim, as entrelinhas. Muitos brasileiros criticam a ideia por entenderem que seriam mais homens sugando o Estado brasileiro e não produzindo nada em troca.

Essas pessoas, por entenderem que a representação dos brasileiros no exterior é importante, defendem que as vagas de deputados que representam os estados fossem redivididas e, assim, abertas as vagas para os que estão no exterior dentro do limite de 513.

Essa me parece uma ideia justa. Ela mantém o intuito de que os brasileiros que vivem fora tenham representatividade, até mesmo os recompensando pelas remessas de divisas, ao passo que não aumenta o gasto público com o Legislativo.

Acontece que os deputados não querem que as vagas sejam redivididas. Eles colocam a situação dentro de uma estrutura que só comporta a não-representação dos brasileiros no exterior ou o aumento de vagas. Buscando assim, aumentar as vagas com o argumento de que os brasileiros que residem em outros países merecem ser representados.

Mas são essas as únicas opções que temos. Não temos só a possibilidade de criarmos uma bancada com os deputados eleitos aqui para representar os brasileiros no exterior, o que seria, claramente, uma idiotice, afinal, só teriam legitimidade aqueles eleitos pelas comunidades brasileiras no estrangeiro, ou a possibilidade de não haver representação para eles.

Resumindo, muitos colocam a polêmica centrada em extremos que induzem ao aumento do número de deputados, ocultando o fato de que os deputados dentro do Brasil poderiam ser diminuídos e os do exterior implantados, gerando representatividade para os que moram em outros países, porém, não aumentando gastos, assessores, etc.

Fica provado então que a ideia, lançada com boas intenções pelo Senador Cristovam Buarque, já foi pervertida. A busca de muitos que apóiam a ideia já não é mais a de proporcionar representação para os brasileiros residentes no exterior, e sim, a de aumentar o número de vagas e, mais tarde, tentar capitalizar algo com isso.

Seguir o exemplo da Itália no sentido de aumentar as vagas no Congresso através da eleição de representantes dos emigrantes é algo defendido por muitos. É o avanço que vem do exterior que é entendido como bom.

O exemplo de países como os Estados Unidos, que mesmo tendo uma população muito maior, tem menos deputados, é, misteriosamente, deixado de lado.

Mudam as regras da verba indenizatória

Informa o jornal O Globo:

“A Mesa Diretora da Câmara decidiu nesta terça-feira fazer mudanças no uso da verba indenizatória, que hoje é de R$ 15 mil para cada um dos 513 deputados. A Mesa proibiu o uso da verba para a contratação de empresas que sejam de propriedade do próprio deputado ou de seus familiares. A decisão foi tomada como uma resposta ao caso de Edmar Moreira, deputado que apresentou notas de uma empresa de segurança de sua propriedade e está sendo investigado pelo Conselho de Ética.

Outra decisão da Mesa foi limitar os gastos com segurança em 30% e proibir o uso da verba indenizatória para gastos com alimentação, assessoria e contratação de pesquisas ou de trabalho técnico. Ficou mantida a regra de que 30% da verba pode ser usada com gastos com combustível e a contratação de consultoria.

- Proibimos o gasto da verba com alimentação porque fica complicado ficar analisando o que o deputado comeu. No caso das assessorias, os parlamentares já têm em seu gabinete 25 assessores a sua disposição. Portanto, não precisam contratar mais – disse o primeiro-secretário da Casa, Rafael Guerra (PSDB-MG).

Guerra anunciou ainda que a partir desta quarta-feira, 1º de abril, devem estar na internet as notas relativas aos gastos com a verba indenizatória. Na próxima semana, a Mesa deve aprovar novas regras para o uso de passagens aéreas. A ideia é limitar as passagens para o parlamentar, familiares e assessores.”

Qualquer tentativa de moralizar o uso da “famigerada” verba indenizatória deve ser bem recebida, porém, a realidade é que ainda há espaço para muitos desvios e todo o conceito da verba indenizatória é que deveria ser revisto, não só suas regras.

Cristovam Buarque e os ideais do Perspectiva Política

Por entender que o mais novo artigo do Senador Cristovam Buarque (PDT-DF) reflete com precisão tanto aquilo que o blog Perspectiva Política busca fazer em relação ao jovens, como aquilo que o blogueiro pensa sobre o que seria a prática da boa política, reproduzo-o abaixo na íntegra.

É até surpreendente ver como o Senador consegue, em seu texto, se aproximar do que este blogueiro busca fomentar nos leitores mais jovens com suas críticas e análises e do que este blog entende como sendo o que os políticos brasileiros de bem deveriam estar perseguindo. Além de descrever bem como vem acontecendo o processo de transferência de prerrogativas do Legislativo para o Executivo e para o Judiciário.

Sem mais delongas, segue o artigo:

“Neste ano, o Brasil completou 24 anos da redemocratização. Tempo suficientemente longo para que comecemos a nos esquecer de como foi a ditadura. Porém, tempo insuficiente para consolidarmos a democracia. Já não há mais medo da ditadura, mas ainda não existe confiança na democracia.

O poder ditatorial se mantém por meio de armas nas mãos dos ditadores; o poder democrático, pela credibilidade dos parlamentares junto ao olhar público. E pela capacidade de se reciclar, atraindo os melhores quadros para a vida pública.

A atual crise de confiança que atravessa o Senado Federal está provocando dois fenômenos que ameaçam a democracia: a descrença da opinião pública e a perda do entusiasmo dos jovens pela vida pública. As pesquisas mostram um Senado com baixíssima credibilidade, e quem anda entre jovens percebe que não há renovação da vocação política. A juventude despreza os políticos e a política. Pior, a sensação é de que os jovens que desejam seguir a carreira política estão mais interessados nos benefícios e vantagens do que em servir ao País.

Por isso, nós que fazemos parte do parlamento de hoje, nós que somos o centro dos escândalos, temos de pensar não só na honra pessoal ameaçada, mas na nossa responsabilidade com a consolidação da democracia. Temos idade para nos lembrar dos males da ditadura, e obrigação de senti-la ameaçada. Por isso, precisamos reagir.

Primeiro, precisamos entender nossa culpa e responsabilidade. Mesmo que a imprensa possa exagerar, a notícia é sempre despertada, nunca inventada. Ela é o alarme de que precisamos para corrigir erros que às vezes não vemos em nós ou ao nosso redor. Por isso, a primeira ação deve ser garantir transparência em todos os atos, gestos e gastos. Não se comete crime e pecado do lado de lá de um vidro limpo, sob o olhar do público. Crimes e pecados são cometidos entre paredes fechadas, por trás de cortinas grossas. O Senado precisa assumir a transparência, tornar tudo público, como deve ser em uma instituição de eleitos pelo povo.

A segunda ação é aumentar nossa produtividade. O que mais deve incomodar a opinião pública é o fato de não ver, ao lado das notícias de escândalos, o resultado concreto do nosso trabalho para melhorar o dia-a-dia do povo brasileiro. Somos um poder irrelevante diante das Medidas Provisórias e das Decisões Judiciais, espremidos entre o Executivo e o Judiciário. Por nossa ausência, Executivo e Judiciário se assenhorearam do poder de toda a República. Já que nossa Casa que não aparenta produção concreta, além de discursos, salvo uma ou outra lei de interesse público, o povo nos vê apenas como despesa. Devemos recuperar o poder que temos a obrigação de ter, revertendo as leis que dão mais poder ao Executivo, definindo as regras de como o Judiciário deve legislar. Na democracia, a Casa do Povo é o Congresso, ou não há democracia.

Para isso, precisamos de uma terceira ação: temos de mudar radicalmente nosso comportamento. É impossível ter poder parlamentar quando se fica apenas dois dias por semana no Congresso, não mais que poucas horas no Plenário, raríssimas vezes em sessões plenárias, e nunca em sessões nas quais dialoguemos, discutamos, parlamentemos. O maior de todos os escândalos é o fato de que, no Brasil de hoje, nós, parlamentares, não parlamentamos.

A quarta ação é renovar o compromisso com a agenda do povo. Mesmo nossos discursos são raramente centrados nos problemas reais da nação brasileira, no futuro do Brasil. Gastamos muito tempo debatendo generalidades, enquanto o Brasil enfrenta uma crise estrutural e outra conjuntural, e precisa enfrentar as duas.

O Brasil espera de nós mais do que estancar escândalos. Quer que demonstremos nosso poder de mudar o País, fazendo um Congresso que orgulhe a todos os brasileiros, que faça as mudanças que o Brasil espera há séculos, e sobretudo que justifique e consolide a democracia, atraindo os jovens para a vida pública em vez de afastá-los, como hoje acontece.”

Diretorias do Senado: 181 e subindo…

Este blog noticiou ontem que o Senado contava com 131 diretorias, o que já configurava um absurdo, um gasto de dinheiro público despropositado. Porém, a notícia é, literalmente, de ontem, pois o número de diretorias do Senado, por força dos olhares mais minuciosos e investigativos causados pelo escândalo, não para de crescer.

As diretorias,  ainda no momento em que o convênio com a Fundação Getúlio Vargas era anunciado, eram 131. Mais tarde, o número foi atualizado por José Sarney, passando para 136.

Acontece que agora ocorreu mais uma atualização, passando o número de diretorias do Senado, entre elas as, imagino, utilíssimas, Diretoria de Garagem e Diretoria de Autógrafos, para 181.

Pelo visto nem mesmo o próprio Senado, como instituição, ou o seu atual Presidente José Sarney sabem o número real de diretorias e, consequentemente, de diretores extremamente bem remunerados. A farra de cargos deve ter sido tão boa que até as contas foram perdidas.

Eu não duvidaria se os números voltassem a subir. Quem sabe sejam mais de 200 diretorias? A Câmara dos Deputados, por sua vez, já contribui com, até agora, 104 diretorias para as contas do Congresso como um todo.

Fica aqui a crítica a essa coisa inaceitável que é a farra de cargos altamente bem pagos, porém inúteis, bem típicos daqueles que “mamam” nas “tetas” do Estado.

Fica o registro de minha extrema indignação para com esse tipo de prática que é disseminada na classe política nacional. É angustiante lembrar que somos nós que estamos pagando, com nossos impostos, por toda essa “orgia” de dinheiro público.

As “vacas” mamadas por estes crápulas, que pervertem o sentido da representação política e frustram os esperançosos de termos um dia a prevalência do bem servir no serviço público, somos nós. E que registre-se que crápulas são os políticos que agem desta forma e também os funcionários das Casas Legislativas que são mancomunados com estes e coniventes.

181 diretorias e subindo…

Movimento pela Transparência quer bens dos políticos na internet

O Movimento pela Transparência, denominação adotada pela frente suprapartidária anticorrupção fundada pelos deputados Fernando Gabeira (PV) e Gustavo Fruet (PSDB), além do Senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), entre outros, vem fazendo barulho.

A mais nova proposta do grupo é a de disponibilizar, na internet, para acesso de qualquer cidadão, a parte do imposto de renda dos políticos que corresponde à listagem de bens. Parece que ocorrerá a tentativa de incluir a proposta dentro de uma medida provisória que já tramita, a MP 449, relatada pelo deputado Tadeu Filippelli.

Por conta de fazer com que suas reivindicações sejam atentidas ou, pelo menos, levadas à votação, a frente conversou com o Presidente da Câmara, Deputado Michel Temer.

Tanto cobraram que conseguiram um compromisso de Temer. O Deputado paulista de comprometeu a desengavetar projetos como a emenda constitucional do voto aberto no plenário, já aprovada em primeiro turno, e o projeto que acaba com o foro privilegiado dos deputados e senadores, que faria com que eles fossem julgados por seus erros na justiça comum e, não mais, no STF, coibindo a impunidade.

Tomara que esse grupo, o MPT, não esmoreça. Por enquanto, estão lutando por importantes avanços em direção a uma democracia mais moral, mais ética e mais transparente. Torço para que não seja apenas discurso moralizante barato, típico de alguns hipócritas que, infelizmente, temos na política nacional.

Chico Alencar repassa verba indenizatória para aliado

“Deputado do PSOL repassa verba para empresa de correligionário”

Diz a Folha:

“O deputado federal Chico Alencar (PSOL) repassou, em dois anos, R$ 55 mil de sua verba indenizatória para a empresa de um integrante de seu partido, o vereador João Alfredo Telles Melo.

O parlamentar fez 21 pagamentos mensais de fevereiro de 2007 a dezembro de 2008 no valor de R$ 2.625 para a empresa Eco Social Consultoria Sócio-Agrário-Ambiental Ltda, que tem Melo como um dos sócios.

Alencar afirmou que a empresa prestou serviço na área de meio ambiente, acompanhando audiências públicas em comissões parlamentares. ‘Não sou especialista nessa área, o mandato tem essas carências’, disse.

João Alfredo –advogado, mestre em direito público pela Universidade Federal do Ceará, professor de direito ambiental e ex-deputado federal– foi o candidato a vereador em Fortaleza mais votado no ano em que recebeu R$ 26 mil.”

Pode até ser que Chico Alencar só tenha repassado os recursos à empresa Eco Social Consultoria Sócio-Agrário-Ambiental pelo fato de precisar de aconselhamento sobre os temas ambientais por não ser especialista na área, mas, ainda assim, ter de atuar em questões sobre o tema por ser Deputado Federal.

Porém, acredito que não foi algo muito correto de se fazer. Por mais que Chico realmente não tenha tido más intenções, o bom senso demonstrava claramente que isso poderia ser mal visto, ainda mais com a possibilidade de se pensar que o dinheiro teria ajudado a financiar a campanha de alguém que acabou sendo o vereador mais votado de uma capital do país.

Se Chico Alencar não fez por mal, deveria ter pensado melhor antes fazê-lo, até mesmo para zelar pela imagem do PSOL, partido que prega tanto a ética. Se por acaso Chico tinha sim a intenção de beneficiar o colega, tornando o repasse de verbas um mero meio de utilizar dinheiro público para financiar a atuação política do aliado, e isso for comprovado, deve ser punido exemplarmente.

Dou o benefício da dúvida ao Chico, afinal, sou carioca, e nunca soube de nada que suje a ficha do Deputado. Porém, é fato que tudo isso poderia ser evitado. Se foi com más intenções, não o deveria ter feito e não é digno do cargo que ocupa. Se não houve má intenção, houve no mínino falta de previdência.

Só espero que Chico não tenha deixado de lado os valores que sempre pareceu ter, pelo fato de que estava deixando de se beneficiar de um esquema em que todos os outros se beneficiavam. Esse não é o caminho. Um erro nunca justificou o outro, ainda mais nesse caso.

Edmar falta mas recebe salário integral

Conta o jornalista Claudio Humberto que o deputado Edmar Moreira (MG), que foi expulso do Democratas por suspeitas de mal uso da verba indenizatória, sumiu da Câmara desde o dia em que estourou o escândalo de seu castelo de R$ 25 milhões, há mais de um mês. Além disso, conta ele que apesar desse fato, ele receberá seu salário de R$ 16,5 mil integralmente e sem nem um dia de atraso, já que,  embora desaparecido desde o dia 5 de fevereiro, só foram registradas suas faltas no mês de março.

Pelas regras da Câmara dos Deputados, parlamentares faltosos sofrem descontos em seus vencimentos, completa Claudio Humberto. Porém, pelo visto, como suas faltas em fevereiro foram “virtuais”, pelo menos segundo a instituição, ele receberá toda a verba pública chamada de salário que lhe cabe.

Em qualquer empresa do mundo, um funcionário muito faltoso, que não dá uma justificativa condizente para isso, é descontado em seu salário. Parece que a Câmara dos Deputados está longe de ter uma eficiência técnica, nesse tipo de quesito, tão “avançada” quanto essa.

A necessidade do mea-culpa

Para mim é inegável que toda a classe política brasileira é responsável, de alguma forma, pela situação que temos. Os que agem de forma ilícita são responsáveis diretos. Os honestos e éticos que não lutam veementemente contra os primeiros, são responsáveis indiretos.

Sendo assim, é importante que, ao criticarem a falta de ética e de transparência e a corrupção, todos os políticos, envolvidos ou não, analisem até que ponto são responsáveis pelo cenário que temos. Uns serão mais, outros serão menos, mas quase ninguém pode, com certeza, se eximir.

Se existem aqueles que trabalham diariamente para sujar a política brasileira, existem aqueles que, com as vassouras à disposição, não as pegam para varrer.

Por isso, quando li texto que reproduzirei abaixo de autoria de César Rocha, do Diário de Pernambuco, percebi que ele tinha total razão que o texto que eu acabara de ler era um dos melhores relatos recentes do que é necessário acontecer para que o cenário mude.

Se o que é necessário, claramente, se configura como algo extremamente difícil, baseio minha esperança no fato de não ser, também, impossível. Principalmente se tivermos pessoas comprometidas sendo eleitas pela população.

Sem mais delongas, segue o texto de César Rocha, que, em suma, pede que todos, sem exceção, façam a sua parte contra a corrupção, o fisiologismo e outros cânceres da política brasileira, principalmente, a oposição que, se chegar ao poder no primeiro dia de 2011, será cobrada, com certeza, pelo que defendem hoje e dizem faltar no governo Lula:

Definitivamente, só a sociedade civil organizada salva – se é que isso existe ainda.

Acompanhei por dever de ofício e paixão pela história contemporânea do Brasil todo o pronunciamento do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB) e os apartes que se seguiram.

Óbvio, claro e ululante que a sociedade deseja e quer imediatamente a moralização da política. Nada mais urgente. É possível ver isso aqui da janela.

Aquela gente maltrapilha que vagueia pelas ruas do bairro de Santo Amaro, polo de violência e agressão aos direitos humanos, é o retrato disso.

Mas não dá para apostar que o Brasil vá melhorar depois de observar um ex-governador por dois mandatos seguidos; ex-prefeito do Recife por outros dois mandatos acusando o mundo de coisas (algumas delas) que praticou quando administrava o estado e o município.

Ora, ora, ora. Por que Tasso Jereissati quando foi governador por outras tantas vezes, no Ceará, não deu a contribuição dele à moralização da política, ao fim do loteamento de cargos públicos?

Por que Tasso, Marconi Perillo – que presidiu a sessão ‘histórica’ do Senado e é ex-governador de Goiás – e Arthur Virgílio, ex-homem forte nos anos de governo Fernando Henrique Cardoso, não expurgaram o loteamento de cargos e outras práticas tão banais da política?

Por que eles não condenaram, quando deveriam, o senador Eduardo Azeredo, do PSDB de Minas Gerais, pelo envolvimento dele no mensalão mineiro e por introduzir na cena nacional aquela figura do Marcos Valério?

E o senador Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB? Como ele administrou os cargos que ocupou nos governos Jarbas e nos de Miguel Arraes?

Por que Guerra não mudou a forma de condução da máquina pública no Lafepe? E na secretaria de Desenvolvimento Urbano?

Ora, porque está cada dia mais claro que o movimento deles tem outro objetivo, o de influir de alguma maneira nas eleições gerais de 2010.

Amigos, essa polarização não nos interessa. É preciso rejeitar o mensalão petista, mas também o tucano.

Por que o governador José Serra não adota no governo de São Paulo aquilo que se defendeu hoje? Por que não na cidade de São Paulo, administrada pelo Democratas? E no Rio Grande do Sul?

Quem disse alguma palavra minimamente crítica em relação a Cássio Cunha Lima, governador tucano cassado na Paraíba?

Infelizmente, é pouco provável, pelo menos hoje, que o movimento liderado por Jarbas surta efeitos práticos.

Para isso, seria preciso, antes de mais nada, fazer um mea-culpa. E acima de tudo assumir o compromisso de mudar a prática política no governo – agora e amanhã, caso vençam as eleições com Serra.”

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