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Brasil sempre foi cotista do FMI: Lula não poderá ser primeiro Presidente a ceder recursos para o Fundo

É claro que quando o Presidente Lula diz que o Brasil passará de devedor do FMI a fonte de recursos, ele o faz por entender que o Brasil, hoje, já tem uma condição econômica que permite ao País não necessitar da ajuda do Fundo Monetário Internacional. A questão de “emprestar” seria apenas algo que simboliza isso, esse avanço econômico.

Sim, isso é verdade. Porém, vale ressaltar que, ao contrário do que diz o Presidente, ele não poderá ser o primeiro líder brasileiro a “emprestar” ao FMI. Isso se dá pelo fato de que o Brasil é, há muitos anos, cotista do Fundo.

O Brasil já cedia recursos ao FMI mesmo quando era devedor do mesmo Fundo. A realidade é que o FMI tem sócios e o dinheito de todos eles socorre aqueles que estão em dificuldade.

O Brasil se utilizava, em parte, de dinheiro do FMI que ele mesmo cedeu ao Fundo. Por isso, é impossível que Lula venha a ser o primeiro a “emprestar”.

Eu entendo que o momento econômico brasileiro de hoje é outro e que Lula entende que essa atitude de contribuir com o Fundo de forma mais intensa simbolize isso, demonstrando que, nesses novos tempos, o Brasil não é devedor.

Porém, é importante que se saiba que a afirmação de que Lula seria o primeiro é errônea. Ela nunca poderia ser verdade, existe uma impossibilidade irrevogável.

Aliás, essa impossibilidade e o fato de se ser primeiro ou não é o que menos importa. Ao invés de se preocupar em provar que não tem mais dívida externa, o país deveria, além de consolidar suas reservas monetárias, começar a resolver o problema de sua grande dívida interna.

Como reduzir o custo Brasil?

Nós, que acompanhamos o cenário político nacional, muitas vezes encontramos situações em que conseguimos identificar problemas a serem resolvidos, porém, sem podermos, ao certo, propor muitas soluções factíveis para esses problemas. Acabamos ficando na teoria, por não termos acesso real à gama de medidas que o governo poderia tomar, enfim, não sabemos ao certo, se estivéssemos na posição dos que analisamos, o que estaria em nosso alcance.

É justamente por isso que ganha ainda mais valor um texto de Murilo de Aragão, que reproduzo abaixo, onde o cientista político fala sobre como reduzir o custo Brasil, problema tão bem identificado por nós, com o seu solucionamento tão pedido, porém, sem medidas tão enérgicas assim contra ele sendo vistas.

A realidade é que por mais que seja importante discutir a política nacional, são coisas como lutar muito para reduzir o custo Brasil e diminuir os gargalos do país que ajudarão, mais ainda, a termos, no futuro, um país desenvolvido para nossos filhos.

Se o texto de Aragão propõe soluções totalmente possíveis, apenas quem está dentro do governo poderia dizer, porém, a iniciativa de propor já é por si só, com certeza, extremamente válida.

Sem mais delongas, segue o texto:

“Todos conhecem o paradoxo que asfixia o Brasil há anos: ser um país com preços caros e salários baratos. Qual é o mistério? A intermediação. Mais do que a taxa de juros, cara no Brasil é a taxa de spread. Mais do que os salários, o que custa caro no Brasil são os custos indiretos da mão de obra. Temos ainda uma carga tributária excessiva: nórdica em seu peso, ibérica no seu manejo. Resulta em outro paradoxo: custos britânicos e serviços públicos africanos. A crise nos coloca face a face com tais paradoxos e representa uma excepcional oportunidade para enfrentá-los.

Tenho participado com interesse redobrado das reuniões de monitoramento da crise no âmbito do CDES (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social), o Conselhão da Presidência da República. Os debates têm sido intensos e ricos. O governo, evidentemente preocupado com a profundidade da crise, vem se desdobrando para irrigar o sistema financeiro, pondo sua formidável máquina estatal de crédito à disposição do setor privado. No entanto, isso não é suficiente. Temos que atacar o custo Brasil.

O primeiro deles é a intermediação financeira. Não basta reclamar dos juros. A sociedade deve agir para que o spread bancário também seja reduzido. Em recente reunião do Conselhão, o presidente da CUT, Arthur Ramos, lançou um desafio aos presidentes da Caixa Econômica e do Banco do Brasil: ele se dispôs a levar 500 mil trabalhadores (e suas respectivas contas correntes) para um dos dois bancos em troca de tarifa zero para serviços bancários e juros reduzidos. O presidente do BC, Henrique Meirelles, que assistia ao debate, imediatamente concordou e sugeriu que o caminho para derrubar a taxas de juros é o consumidor usar o seu poder de barganha enfrentando a intermediação do dinheiro. Adiante, Meirelles defendeu as cooperativas de crédito e alfinetou a FIESP, que reclama da taxa de juros, mas não coloca a sua cooperativa de crédito em funcionamento.

Os caminhos apontados – tanto a mobilização da CUT quanto o fortalecimento das cooperativas de crédito – devem ser adotados rapidamente para que o spread bancário seja reduzido. Outro ponto importante é o custo da mão de obra. Em vez da tentarmos reduzir direitos e garantias, conquistas do trabalhador, devemos facilitar a contratação. Expandir o benefício da carteira assinada para todos que trabalham. Como? Falar é fácil, difícil é fazer. O caminho está na redução dos impostos e contribuições que incidem sobre as empresas. Tanto sobre o faturamento quanto sobre a folha de pagamento. O custo do governo deve ser menor para que a contratação seja mais barata. Temos ainda a questão tributária. Nossa carga é indecente. Todos sabemos.

O pior não é o tamanho, é a distribuição e a diversidade de impostos e taxas. Pagamos impostos demais e o custo de gerenciá-los é altíssimo. O ‘Simples’ é um caminho. Mas deve ser aprofundado. Mais do que reduzir a carga tributária, temos que simplificá-la e, no momento seguinte, reduzi-la paulatinamente. A Reforma Tributária que está no Congresso é um passo. Mas parece insuficiente. E há a questão da burocracia. O PAC, por exemplo, está atolado na burocracia estatal. Apenas 20% dos 504 bilhões de reais de investimentos previstos para o período de 2007 a 2010 foi realizado. É um vexame. Mesmo tendo empresas consideradas eficientes como a Eletrobrás e a Petrobrás, o PAC não anda na velocidade que necessitamos. O que está errado? Falta gestão privada e sobra burocracia estatal. Curiosamente, o único investimento do PAC a ficar pronto antes do prazo foi a usina hidroelétrica de São Salvador, cuja participação estatal limita-se ao financiamento.”

Novamente Jarbas

Depois de protagonizar uma grande polêmica por conta da entrevista que deu à revista Veja recentemente, o Senador Jarbas Vasconcelos deve voltar aos holofotes nas próximas semanas. Isso acontece pois o pernambucano está planejando detalhar como ocorrem as práticas políticas corruptas que citou na entrevista.

É isso mesmo que você está lendo. Para não deixar que o Carnaval faça com que se esqueça o tema do combate à corrupção e às práticas políticas espúrias, Jarbas Vasconcelos pretende reacender a polêmica e incentivar mais ainda que se lute contra o cenário político atual. O Senador está pensando em fazer isso através de um discurso, que destrincharia minuciosamente as ações corrompidas dos políticos antiéticos, na tribuna do plenário do Senado.

Segundo Jarbas, não se pode permitir que a discussão “urgente e inevitável” da corrupção na política brasileira caia no esquecimento. O discurso que pretende fazer tem como intuito não deixar que isso aconteça. Para isso, o Senador pernambucano planeja ir mais fundo na ferida e falar, entre outros temas, do loteamento de cargos nas estatais.

O Senador, como informa o jornalista Josias de Souza, se faz a seguinte pergunta: “Qual é a explicação lógica, a justificativa racional para que um partido como PMDB reivindique o comando e diretorias financeiras de uma estatal como Furnas?”

Todos nós sabemos a resposta e Jarbas, obviamente, também. Ocorre que ele pretende falar o que todos fingem que não sabem na tribuna do Senado. Ele justifica esse seu ato futuro dizendo que: “É preciso desnudar diante dos olhos da nação esse esquema nefasto dos partidos para alcançar os cofres do Estado”.

Como se pode ver, devemos aguardar ansiosamente pelo discurso de Jarbas. Mas não por ele ser um herói ou algo do tipo, e sim, pelo simples fato de que ele irá falar o que, por conveniência, ninguém fala.

Este blog acompanhará de perto o desenrolar dessa história.

Pseudo-fama não é competência

“Val Kilmer planeja se candidatar a governador nos EUA”

“Estrela pornô quer se tornar senadora nos EUA”

Observando as notícias citadas acima, me recordei do que vem acontecendo em nosso país. No Brasil está se tornando comum o fato de pessoas, que têm “15 minutos de fama”, tentarem um cargo eletivo após o término desses “15 minutos”. A realidade é que, salvo raras exceções, essas pessoas tentam se aproveitar da recente popularidade, antes que ela se esvaia, para conseguir um emprego estável que paga bem.

Acontece que ex-BBBs, cantores de forró e apresentadores de televisão, a não ser que estudem muito ou que configurem alguém diferenciado, como Jô Soares por exemplo, não têm cabedal intelectual e cultural para representar o povo da maneira que ele merece. É verdade que muitos dos que não se aproveitam de popularidade efêmera na mídia, e sim, de uma popularidade de bairro moldada por milícias, também não têm esse cabedal, mas isso em nada justifica a nova moda de se candidatar a deputado para compensar a queda nos convites para eventos, que atinge pessoas que em quase nada contribuem para o todo legislativo, afinal, ou não propõem leis ou só propõem futilidades.

Vale ressaltar, entretanto, que o problema não é desenhado pelo registro de candidatura desse tipo de pessoa. Qualquer pessoa pode se candidatar, ninguém deve ser tolhido deste direito. O problema reside no fato dessas pessoas serem eleitas.

Não é nem apenas no Brasil que pseudo-celebridades tentam se tornar políticas. Em muitos países, principalmente naqueles onde as celebridades são um tanto endeusadas, como nos Estados Unidos, muitas pseudo-celebridades tentam ocupar cargos eletivos. Isso está comprovado pelas notícias referendadas acima. A diferença é que tanto nos EUA, como na Alemanha e na Holanda, para citar alguns, esse tipo de pessoa concorre para fazer estardalhaço, sabe que não vencerá. No Brasil, ela se elege.

Portanto, podemos criticar sim esse tipo de pessoa. Porém, devemos criticar mais ainda a consciência política majoritária do brasileiro. Não se pode impedir que qualquer pessoa se candidate, restando ao povo votante saber que pseudo-fama não é competência.

Efeito Obama

“Pela 1.ª vez, republicanos elegem negro para dirigir partido”

Pela primeira vez na história do Partido Republicano americano, um político negro foi eleito como presidente. Michael Steele, ex-Vice-Governador de Maryland foi escolhido nesta sexta-feira e ninguém tem dúvidas que a eleição tem tudo a ver com Barack Obama.

Depois de uma assistir a uma vitória relativamente fácil do Partido Democrata na eleição presidencial com Barack Obama, vivendo uma legislatura em que é minoria nas duas Casas do Congresso, o Partido Republicano precisa de reinventar.

Tendo visto os ganhos eleitorais de se ter um negro como protagonista das ações do partido, como por exemplo,  os proporcionados pela maior facilidade que os negros têm para serem ouvidos pelas minorias americanas, o Partido Republicano junta bom senso, visão de conjuntura e um pouco de oportunismo político e coloca um negro em sua presidência.

Os republicanos, além de viverem um momento em que precisam de sangue novo urgentemente, não quiseram ficar para trás no quesito inclusão política dos negros. Se o Partido Democrata elegeu um Presidente negro, o mínimo que o Partido Republicano podia fazer, embora nada pudesse se igualar a Obama, era colocar um negro em um de seus cargos de destaque.

Além disso, analisando as qualidades pessoais de Michael Steele, chega-se à conclusão de que o Partido Republicano pode ver nele uma saída para que seu desempenho melhore entre os segmentos que estão se tornando cada vez mais avessos aos democratas, como os hispânicos, os negros, os brancos com ensino superior, etc. Isso se dá pelo fato de Steele ser um republicano bem-sucedido e com diálogo na sociedade, dentro de um Estado tradicionalmente democrata.

Independentemente de sua cor, Steele tem difíceis missões, entre elas, unir o Partido Republicano, que se divide em facções que defendem a reafirmação dos valores do partido e facções que defendem mudanças profundas para atingir aos anseios do eleitor. Além disso, Steele terá de colocar o Partido Republicano na era digital, tentando igualar o bom desempenho dos democratas quando o assunto é internet e aproveitamento eleitoral das novas tecnologias. Por último, porém não mesmo complicado, o ex-Vice-Governador de Maryland terá que trabalhar para que, já nas próximas eleições, os republicanos consigam se aproximar ou até ultrapassar o número de democratas nas Casas do Congresso.

Por enquanto, Steele ainda não mostrou seu poder de fogo, muito menos ao que veio, só se pode especular. O que já se pode dizer com certeza é que, por mais que tenha luz própria, Steele dificilmente seria escolhido se não fosse pelo fenômeno ocorrido na política americana com o advento de Barack Obama. O novo presidente do Partido Republicano, por mais que seja contrário aos democratas, é fruto completo do “efeito Obama”.

Os anônimos

“Brasil tem 14 empresas em lista de grandes companhias emergentes”

Aos poucos, o Brasil vai consolidando sua posição de “player” global. E é bom que isso aconteça. É interessante para a população ter uma economia mais aquecida, mais empregos e mais inovação. É interessante para os acionistas das empresas que elas lucrem mais. É interessante para o Estado Brasileiro que o país seja sede de empresas importantes no cenário mundial, gerando para o país respeitabilidade, credibilidade e, é claro, dividendos e impostos.

Porém, como dizem até mesmo nas histórias em quadrinhos, grandes poderes trazem grandes responsabilidades. Na medida que avançam as empresas brasileiras, é papel do Estado fiscalizar para que avancem também as responsabilidades sociais das mesmas. De que adianta um país ter empresas impressionantes e milhões na miséria? A grandeza do Brasil do futuro será averiguada a partir do critério de quanto do crescimento brasileiro foi revertido em melhoria da qualidade de vida da população. Nem só de empresas e conglomerados vive um país.

Também cabe ao Estado, além de fiscalizar as contrapartidas sociais das empresas, empregar corretamente os dividendos que advém do crescimento do mercado interno e das exportações. De que adianta o avanço da empresa brasileira se ele apenas servir para evidenciar mais ainda nossos gargalos? O Estado Brasileiro tem como função importantíssima alargar esses caminhos, investindo pesado em infra-estrutura, em energia e em qualificação de mão-de-obra.

Por mais que as empresas brasileiras cresçam e figurem em listas das mais importantes dos países emergentes, de nada adiantará para o cotidiano brasileiro se o Estado, encarnando o papel de fiscalizador e fomentador, não proporcionar meios para que o progresso continue e segurança jurídica para que os investimentos frutifiquem, além de verificar em que medida o avanço do Brasil corresponde a avanço real, a desenvolvimento. Não importa só PIB, importa também IDH. O Brasil dos sonhos é o Brasil que sabe repartir sua prosperidade entre seu povo. Esse é o bom capitalismo. Sem os extremos da esquerda radical ou da direita que defende o Estado mínimo, o país precisa investir em igualdade, em justiça social.

O Brasil precisa de suas empresas, e é ótimo que elas prosperem, maravilhoso mesmo. Porém o Brasil verdadeiro não é o das sociedades anônimas é o dos verdadeiros anônimos.

Dez motivos para que tudo falte

Chavez

“Assembléia venezuelana aprova reeleição ilimitada: Mas pesquisas indicam que o presidente Hugo Chávez terá dificuldade de obter aval da população para se candidatar novamente”

A notícia citada acima apenas vem comprovar alguns fatos. E nenhum deles é bom, todos apontam para uma Venezuela dominada por um governo antidemocrático, megalomaníaco, ditatorial, personalista e a favor da perpetuação no poder. A uníca exceção é a informação de que o povo venezuelano dificilmente dará a Chávez o direito de se candidatar sucessivas vezes.

Motivado por todo esse cenário, resolvi escrever sobre dez coisas que me indignam sobre Hugo Chávez, e saibam que foi fácil chegar a esse número, muitas coisas ainda ficarão faltando.

Em primeiro lugar, um país não se pode considerar uma democracia quando tem um Poder Legislativo dominado pelo Executivo, desequilibrando a relação entre os três poderes. A assembléia venezuelana é formada por fantoches do Presidente Hugo Chávez, totalmente cooptados e amordaçados. Realizam as votações apenas para manter uma fachada e continuar a serem beneficiados pelo regime. Qualquer venezuelano com um mínimo de solidariedade e ética defende que essa assembléia seja renovada, através da entrada de pessoas independentes, se é que isso ainda é possível, e sabe que só assim o país progredirá de verdade, e não do modo maquiado do regime de Chávez.

Em segundo lugar, a perpetuação no poder é um câncer para qualquer país que precisa construir uma democracia. A alternância de poder é essencial não só para que realmente exista uma democracia no país, como também para que essa democracia amadureça e fomente instituições fortes e respeitadas. É importante para que o povo venezuelano saia do abismo em que se encontra, justamente, rejeitar a emenda que permite as reeleições infinitas de Chávez.

Em terceiro lugar, vale lembrar sempre que a Venezuela é um país que perdeu o bom momento da economia mundial, não conseguirá enfrentar de forma bem sucedida a crise econômica e, provavelmente, estará mais pobre e desigual depois de Chávez do que antes dele. A realidade é que Chávez utilizou os grandes lucros do petróleo, que poderiam ser usados para causar uma revolução no país, para brincar de líder mundial, emprestar dinheiro a países para comprar apoio político, criar uma elite formada por aliados e amigos do regime e aumentar fortemente a desigualdade social do país. Ou seja, o dinheiro do ouro negro foi usado para tudo, menos para melhorar a vida do povo venezuelano.

Em quarto lugar, Chávez mentiu. Sim, mentiu. Já tentou em outra oportunidade aprovar uma emenda que possibilitaria a ele se perpetuar no poder, não teve o apoio popular necessário e prometeu respeitar a vontade soberana do povo. Posso estar enganado, mas tentar aprovar a mesma medida alguns anos mais tarde não me parece ser respeitar a vontade soberana do povo.

Em quinto lugar, Chávez configura um mal exemplo para a região, um pólo emanador de influências negativas. Ele financia e serve de modelo para políticos que, uma vez eleitos, implementam as mesmas medidas fracassadas, obsoletas, injustas e autoritárias do mestre. Vide Bolívia e Equador, lembrando que o primeiro jogou toda sua insegurança jurídica contra a Petrobras e o último, recentemente, ensaiou até mesmo um calote ao Brasil.

Em sexto lugar, Chávez leva a cabo um regime ditatorial e autoritário, afinal, ele não apenas coopta parlamentares e juízes, desequilibrando os três poderes. Isso não o deixa satisfeito. Ele ainda censura a imprensa, cassa o registro da maior rede de televisão do país pelo simples fato de não o apoiar, persegue opositores, tomando até mesmo as posses de alguns, e  tenta monopolizar os meios de informação.

Em sétimo lugar, o Presidente da Venezuela utiliza dinheiro do povo venezuelano para ajudar as FARC, ou seja, ajuda financeiramente, na clandestinidade, um grupo de guerrilheiros, que, além de serem terroristas, dominam parte do território que deveria estar sob a soberania do governo colombiano. Como se não bastasse isso, Chávez faz cara de bom moço, finge não ter nada a ver com as Forças Revolucionárias, e se oferece para ser um mediador “imparcial” entre a guerrilha e o governo colombiano. Mas que “imparcialidade”. Isso sem mencionar as relações um tanto “estranhas” com o Irã e com Cuba.

Em oitavo lugar, as medidas de Hugo Chávez na tentativa de continuar no poder por tempo indeterminado vão contra a vontade popular,  o que é comprovado pelas pesquisas de institutos independentes. Ao passo que prega a República Socialista e Bolivariana, que teoricamente teria como objetivo principal olhar pelo povo, ignora os anseios desse povo e coloca nas ruas institutos de pesquisa estatais, instruídos para maquiar os resultados a favor do regime.

Em nono lugar, a família de Hugo Chávez, após sua ascensão ao poder, passou a controlar estados venezuelanos, quilômetros e quilômetros de terras e nomeações. Se no Brasil o nepotismo é um problema, na Venezuela é padrão. Ser um Chávez é ter poderes ilimitados.

Em décimo e último lugar, para ficarmos por aqui e não incentivarmos mais ainda a irritação do leitor para com o que ocorre na Venezuela, lembremos que Hugo Chávez tentou, antes de chegar ao poder pela via democrática, chegar lá através de um golpe, o que comprova que o presidente nunca teve, realmente, muita admiração pelas regras e pela justiça, quiçá pela democracia.

Bom, pode ser que eu tenha me alongado e talvez a notícia citada acima não desse margem, em seu conteúdo, para tantos comentários. Porém, a realidade é que toda notícia que informa sobre os arroubos de Hugo Chávez me causa toda uma rememoração de quão odioso é o regime, de quão atacada é a democracia na Venezuela e de quão indignado eu sou em relação a tudo isso.

Não sou ingênuo de acreditar na balela de que o padrão americano de democracia e liberdade são imprescindíveis para um país. Muitos menos defendo intervenções militares de países como os EUA, em países que, embora desrespeitem a democracia e os direitos humanos, ainda são soberanos sobre seus territórios. Acontece que a realidade é que a democracia e a liberdade, dentro do contexto cultural de cada país, e não do modelo americano necessariamente, são extremamente importantes para a qualidade de vida de um povo, para que ele tenha oportunidades, escolhas, possibilidade de ascensão social e, porque não, felicidade. Falta tudo na Venezuela, menos dez motivos para que tudo falte.

E me perdoem se fui radical demais na crítica do regime venezuelano, esse blog tenta ser imparcial ao máximo. Infelizmente, a indignação, algumas poucas vezes, não permite.

Mas quem disse que isso é tudo?

China

“China revisa PIB e se torna 3ª maior economia mundial”

Parece que a China vai mesmo galgar os degraus que as previsões projetam. O país acaba de ultrapassar a Alemanha e agora é a 3ª maior economia do mundo. Já está na caça do Japão, para mais tarde, alcançar os EUA. Realmente é um feito e tanto, mas quem disse que isso é tudo?

Na minha concepção o mais importante do crescimento chinês não é a força da indústria ou o modo como o país movimenta a economia internacional por ser um grande importador de matéria-prima, e sim, o fato desse crescimento proporcionar ao país poder retirar milhões de seus cidadãos da pobreza.

Essa devia ser sempre a real medida da riqueza de um país, ou seja, a qualidade de vida de seus habitantes e, não apenas, quanto dinheiro é movimentado por ele. Para mim, vale menos a força econômica do país, e mais, qual a expectativa de vida do povo e qual a qualidade do saneamento básico das moradias. Quem parece viver melhor? O camponês da China que tem a terceira maior economia do mundo ou alguém que reside em uma pequena cidade de um país com alto IDH? Aliás, o que é o IDH senão um índice muito mais apurado que quão bom é um país para se viver?

A realidade é que a China tem muitos passos para dar em uma longa caminhada rumo ao real desenvovimento. É claro que, o crescimento econômico robusto, é um facilitador para todos os outros setores e não pode ser desprestigiado, já que toda caminhada, como diriam provavelmente os próprios chineses, começa com o primeiro passo. Porém, apenas quando o país diminuir a imensa desigualdade social, der mais liberdade ao seu povo e puder garantir a cada um seu prato de comida, será realmente avançado. O que adiantam novos bilionários se pessoas vivem apenas de arroz? O que adiantam milhares de computadores com sites  que não agradam ao regime sendo bloqueados?

Parabenizo a China por seu importante crescimento econômico, mas ao mesmo tempo, não reconheço um país em que deixar meninas recém-nascidas nas esquinas para morrerem é natural, como avançado. E não é uma questão de etnocentrismo, de acreditar que a cultura chinesa seja pior que a ocidental, não, é apenas uma questão de humanidade.

O Grande Dragão ainda tem um longo caminho pela frente. Tem um ar poluído ao extremo para purificar, tem uma liberdade de pensamento e de imprensa para construir, tem um autoritarismo para derrotar, tem uma democracia para implantar, até porque, outro requisito para ser desenvolvido, é ser um país em que os habitantes possam respirar, pensar sozinhos, se informar e votar.

Que o avanço econômico da China represente avanço social e que o futuro avanço social represente a geração de uma consciência política, a implantação de uma democracia representativa, a fragmentação, em pequenos grupos distintos e com ideologias diversas, de um partido único inchado e ditador.

E se por acaso, o povo chinês melhorar de vida, mas não tiver liberdade, informação e democracia, não será por mim respeitado. O chinês tem que ter o direito de dizer o que pensa, de pesquisar sobre qualquer assunto, de escolher seus representantes. A vida plena é uma vida cívica, culta e cidadã. E não há dinheiro de Pequim no mundo que compre isso.

O fígado presidencial

Blog do Noblat: “Lula afirma que imprensa faz mal ao seu fígado”

Por mais que tenhamos todos que reconhecer que o governo Lula tem seus méritos, uma coisa é inegável até mesmo para seus apoiadores e aliados. A falta de compostura que, muitas vezes, acomete o Presidente.

É impossível discordar de que, para qualquer líder, as relações com a imprensa podem ser tortuosas. Embora o regime democrático exija a liberdade de imprensa e ela seja respeitada, isso não quer dizer, necessariamente, que a ligação entre imprensa e governo seja das mais amorosas. Muitos são os governantes, democratas até a raiz dos cabelos, que se indispõem com a imprensa.

Acontece que existem coisas de não se dizem, declarações que não se proferem, sob pena de que as palavras não estejam à altura do cargo. E é isso que, de quando em vez, acontece com o Presidente. Por mais que Lula tenha, claramente, amadurecido ao longo dos anos na política, de vez em quando fala certos impropérios que poderiam ter sido deixados no limbo das palavras pensadas e nunca ditas.

Resumindo, que o Presidente tenha uma relação onde não há muito amor com a imprensa, é aceitável. Até porque todo líder está sujeito a várias críticas e nem sempre é fácil, para qualquer ser humano, lidar com elas. E também é difícil conviver com as invasões de privacidade e com a vigilância 24 horas por dia. Porém, nada justifica que o líder máximo da nação diga, através da própria imprensa, que a imprensa de seu país lhe faz mal ao fígado.

Primeiramente, não é correto que alguém que chefia uma nação busque se distanciar das notícias do país e do mundo. Os fatos, muitas vezes, norteiam suas ações. Em segundo lugar, não se deve ter funcionários e acessores que funcionem como filtros do que é crítica e do que é elogio, e sim, do que é importante e do que é supérfluo, assim, toma-se conhecimento tanto das opiniões a favor, quanto das opiniões contra, no que diz respeito a assuntos que mexem com a sociedade que se lidera. E por último, um Presidente que é alvo de chacotas por sua relação com as bebidas alcóolicas, nunca deveria citar coisas que lhe afligem o fígado.

Crise do carnê

A crise econômica é um dos assuntos mais freqüentes dos jornais e sites de notícias. Todo mundo fala dela, todo mundo repercute as notícias vindas do exterior, todos comentam sobre como fecharam as bolsas de Nova York e Frankfurt.

Qualquer pessoa que tenha um bom nível de informação já ouviu falar em sub-prime, nas hipotecas, no mercado financeiro americano, etc. Outra coisa recorrente nos noticiários são as declarações dos governistas dizendo que as coisas estão sob controle, que o Brasil não será afetado tão diretamente pela crise, enfim, todos na linha “a crise, se chegar ao país, será uma marolinha”, declaração um tanto infeliz do Presidente Lula.

Enfim, sem entrar no mérito da questão sobre se o Presidente Lula fez bem ou mal em dizer isso, se o papel do Presidente de um país é mesmo ser otimista, etc, embora vocês, leitores, possam querer falar sobre isso nos comentários, o meu objetivo ao escrever esta postagem é alertar para uma coisa diferente, mas que também tem tudo a ver com a crise.

Que a crise começou com a insolvência de alguns americanos mais pobres, todo mundo sabe. Certos bancos resolveram apostar nesse filão e acabaram não recebendo os pagamentos mensais devidos por eles. Quem dependia desses pagamentos para solver outros compromissos ficou na mão e aí a bola de neve começou a girar montanha abaixo.

O que pouca gente percebeu é que existem outras empresas, que não bancos, aqui no Brasil, que apostam em um público mais pobre e que, como os bancos americanos, contam com os pagamentos mensais destes. Esses pagamentos mensais são feitos através de um carnê. Lembrou? Isso mesmo ! As empresas citadas por mim são as Casas Bahia, o Ponto Frio, a Ricardo Eletro e afins.

No momento em que os brasileiros mais pobres forem atingidos pela piora da conjuntura internacional, ou seja, quando perderem o acesso a um crédito antes fácil e que hoje já escasseia, eles podem, assim como os americanos, deixar de honrar seus compromissos. O professor Carlos Lessa, por exemplo, é um dos que alerta para o que ele chama de “sub-prime das Casas Bahia“.

Todos, desde banqueiros e analistas econômicos até os donos das empresas citadas e os cidadãos comuns, deveriam ficar de olho nesses carnês. O crédito popular está diminuindo, para que os carnês comecem a não ser pagos, é uma questão de tempo.

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