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Brasil sempre foi cotista do FMI: Lula não poderá ser primeiro Presidente a ceder recursos para o Fundo
É claro que quando o Presidente Lula diz que o Brasil passará de devedor do FMI a fonte de recursos, ele o faz por entender que o Brasil, hoje, já tem uma condição econômica que permite ao País não necessitar da ajuda do Fundo Monetário Internacional. A questão de “emprestar” seria apenas algo que simboliza isso, esse avanço econômico.
Sim, isso é verdade. Porém, vale ressaltar que, ao contrário do que diz o Presidente, ele não poderá ser o primeiro líder brasileiro a “emprestar” ao FMI. Isso se dá pelo fato de que o Brasil é, há muitos anos, cotista do Fundo.
O Brasil já cedia recursos ao FMI mesmo quando era devedor do mesmo Fundo. A realidade é que o FMI tem sócios e o dinheito de todos eles socorre aqueles que estão em dificuldade.
O Brasil se utilizava, em parte, de dinheiro do FMI que ele mesmo cedeu ao Fundo. Por isso, é impossível que Lula venha a ser o primeiro a “emprestar”.
Eu entendo que o momento econômico brasileiro de hoje é outro e que Lula entende que essa atitude de contribuir com o Fundo de forma mais intensa simbolize isso, demonstrando que, nesses novos tempos, o Brasil não é devedor.
Porém, é importante que se saiba que a afirmação de que Lula seria o primeiro é errônea. Ela nunca poderia ser verdade, existe uma impossibilidade irrevogável.
Aliás, essa impossibilidade e o fato de se ser primeiro ou não é o que menos importa. Ao invés de se preocupar em provar que não tem mais dívida externa, o país deveria, além de consolidar suas reservas monetárias, começar a resolver o problema de sua grande dívida interna.
Novamente Jarbas
Depois de protagonizar uma grande polêmica por conta da entrevista que deu à revista Veja recentemente, o Senador Jarbas Vasconcelos deve voltar aos holofotes nas próximas semanas. Isso acontece pois o pernambucano está planejando detalhar como ocorrem as práticas políticas corruptas que citou na entrevista.
É isso mesmo que você está lendo. Para não deixar que o Carnaval faça com que se esqueça o tema do combate à corrupção e às práticas políticas espúrias, Jarbas Vasconcelos pretende reacender a polêmica e incentivar mais ainda que se lute contra o cenário político atual. O Senador está pensando em fazer isso através de um discurso, que destrincharia minuciosamente as ações corrompidas dos políticos antiéticos, na tribuna do plenário do Senado.
Segundo Jarbas, não se pode permitir que a discussão “urgente e inevitável” da corrupção na política brasileira caia no esquecimento. O discurso que pretende fazer tem como intuito não deixar que isso aconteça. Para isso, o Senador pernambucano planeja ir mais fundo na ferida e falar, entre outros temas, do loteamento de cargos nas estatais.
O Senador, como informa o jornalista Josias de Souza, se faz a seguinte pergunta: “Qual é a explicação lógica, a justificativa racional para que um partido como PMDB reivindique o comando e diretorias financeiras de uma estatal como Furnas?”
Todos nós sabemos a resposta e Jarbas, obviamente, também. Ocorre que ele pretende falar o que todos fingem que não sabem na tribuna do Senado. Ele justifica esse seu ato futuro dizendo que: “É preciso desnudar diante dos olhos da nação esse esquema nefasto dos partidos para alcançar os cofres do Estado”.
Como se pode ver, devemos aguardar ansiosamente pelo discurso de Jarbas. Mas não por ele ser um herói ou algo do tipo, e sim, pelo simples fato de que ele irá falar o que, por conveniência, ninguém fala.
Este blog acompanhará de perto o desenrolar dessa história.
Pseudo-fama não é competência
“Val Kilmer planeja se candidatar a governador nos EUA”
“Estrela pornô quer se tornar senadora nos EUA”
Observando as notícias citadas acima, me recordei do que vem acontecendo em nosso país. No Brasil está se tornando comum o fato de pessoas, que têm “15 minutos de fama”, tentarem um cargo eletivo após o término desses “15 minutos”. A realidade é que, salvo raras exceções, essas pessoas tentam se aproveitar da recente popularidade, antes que ela se esvaia, para conseguir um emprego estável que paga bem.
Acontece que ex-BBBs, cantores de forró e apresentadores de televisão, a não ser que estudem muito ou que configurem alguém diferenciado, como Jô Soares por exemplo, não têm cabedal intelectual e cultural para representar o povo da maneira que ele merece. É verdade que muitos dos que não se aproveitam de popularidade efêmera na mídia, e sim, de uma popularidade de bairro moldada por milícias, também não têm esse cabedal, mas isso em nada justifica a nova moda de se candidatar a deputado para compensar a queda nos convites para eventos, que atinge pessoas que em quase nada contribuem para o todo legislativo, afinal, ou não propõem leis ou só propõem futilidades.
Vale ressaltar, entretanto, que o problema não é desenhado pelo registro de candidatura desse tipo de pessoa. Qualquer pessoa pode se candidatar, ninguém deve ser tolhido deste direito. O problema reside no fato dessas pessoas serem eleitas.
Não é nem apenas no Brasil que pseudo-celebridades tentam se tornar políticas. Em muitos países, principalmente naqueles onde as celebridades são um tanto endeusadas, como nos Estados Unidos, muitas pseudo-celebridades tentam ocupar cargos eletivos. Isso está comprovado pelas notícias referendadas acima. A diferença é que tanto nos EUA, como na Alemanha e na Holanda, para citar alguns, esse tipo de pessoa concorre para fazer estardalhaço, sabe que não vencerá. No Brasil, ela se elege.
Portanto, podemos criticar sim esse tipo de pessoa. Porém, devemos criticar mais ainda a consciência política majoritária do brasileiro. Não se pode impedir que qualquer pessoa se candidate, restando ao povo votante saber que pseudo-fama não é competência.
Mas quem disse que isso é tudo?

“China revisa PIB e se torna 3ª maior economia mundial”
Parece que a China vai mesmo galgar os degraus que as previsões projetam. O país acaba de ultrapassar a Alemanha e agora é a 3ª maior economia do mundo. Já está na caça do Japão, para mais tarde, alcançar os EUA. Realmente é um feito e tanto, mas quem disse que isso é tudo?
Na minha concepção o mais importante do crescimento chinês não é a força da indústria ou o modo como o país movimenta a economia internacional por ser um grande importador de matéria-prima, e sim, o fato desse crescimento proporcionar ao país poder retirar milhões de seus cidadãos da pobreza.
Essa devia ser sempre a real medida da riqueza de um país, ou seja, a qualidade de vida de seus habitantes e, não apenas, quanto dinheiro é movimentado por ele. Para mim, vale menos a força econômica do país, e mais, qual a expectativa de vida do povo e qual a qualidade do saneamento básico das moradias. Quem parece viver melhor? O camponês da China que tem a terceira maior economia do mundo ou alguém que reside em uma pequena cidade de um país com alto IDH? Aliás, o que é o IDH senão um índice muito mais apurado que quão bom é um país para se viver?
A realidade é que a China tem muitos passos para dar em uma longa caminhada rumo ao real desenvovimento. É claro que, o crescimento econômico robusto, é um facilitador para todos os outros setores e não pode ser desprestigiado, já que toda caminhada, como diriam provavelmente os próprios chineses, começa com o primeiro passo. Porém, apenas quando o país diminuir a imensa desigualdade social, der mais liberdade ao seu povo e puder garantir a cada um seu prato de comida, será realmente avançado. O que adiantam novos bilionários se pessoas vivem apenas de arroz? O que adiantam milhares de computadores com sites que não agradam ao regime sendo bloqueados?
Parabenizo a China por seu importante crescimento econômico, mas ao mesmo tempo, não reconheço um país em que deixar meninas recém-nascidas nas esquinas para morrerem é natural, como avançado. E não é uma questão de etnocentrismo, de acreditar que a cultura chinesa seja pior que a ocidental, não, é apenas uma questão de humanidade.
O Grande Dragão ainda tem um longo caminho pela frente. Tem um ar poluído ao extremo para purificar, tem uma liberdade de pensamento e de imprensa para construir, tem um autoritarismo para derrotar, tem uma democracia para implantar, até porque, outro requisito para ser desenvolvido, é ser um país em que os habitantes possam respirar, pensar sozinhos, se informar e votar.
Que o avanço econômico da China represente avanço social e que o futuro avanço social represente a geração de uma consciência política, a implantação de uma democracia representativa, a fragmentação, em pequenos grupos distintos e com ideologias diversas, de um partido único inchado e ditador.
E se por acaso, o povo chinês melhorar de vida, mas não tiver liberdade, informação e democracia, não será por mim respeitado. O chinês tem que ter o direito de dizer o que pensa, de pesquisar sobre qualquer assunto, de escolher seus representantes. A vida plena é uma vida cívica, culta e cidadã. E não há dinheiro de Pequim no mundo que compre isso.
O fígado presidencial
Blog do Noblat: “Lula afirma que imprensa faz mal ao seu fígado”
Por mais que tenhamos todos que reconhecer que o governo Lula tem seus méritos, uma coisa é inegável até mesmo para seus apoiadores e aliados. A falta de compostura que, muitas vezes, acomete o Presidente.
É impossível discordar de que, para qualquer líder, as relações com a imprensa podem ser tortuosas. Embora o regime democrático exija a liberdade de imprensa e ela seja respeitada, isso não quer dizer, necessariamente, que a ligação entre imprensa e governo seja das mais amorosas. Muitos são os governantes, democratas até a raiz dos cabelos, que se indispõem com a imprensa.
Acontece que existem coisas de não se dizem, declarações que não se proferem, sob pena de que as palavras não estejam à altura do cargo. E é isso que, de quando em vez, acontece com o Presidente. Por mais que Lula tenha, claramente, amadurecido ao longo dos anos na política, de vez em quando fala certos impropérios que poderiam ter sido deixados no limbo das palavras pensadas e nunca ditas.
Resumindo, que o Presidente tenha uma relação onde não há muito amor com a imprensa, é aceitável. Até porque todo líder está sujeito a várias críticas e nem sempre é fácil, para qualquer ser humano, lidar com elas. E também é difícil conviver com as invasões de privacidade e com a vigilância 24 horas por dia. Porém, nada justifica que o líder máximo da nação diga, através da própria imprensa, que a imprensa de seu país lhe faz mal ao fígado.
Primeiramente, não é correto que alguém que chefia uma nação busque se distanciar das notícias do país e do mundo. Os fatos, muitas vezes, norteiam suas ações. Em segundo lugar, não se deve ter funcionários e acessores que funcionem como filtros do que é crítica e do que é elogio, e sim, do que é importante e do que é supérfluo, assim, toma-se conhecimento tanto das opiniões a favor, quanto das opiniões contra, no que diz respeito a assuntos que mexem com a sociedade que se lidera. E por último, um Presidente que é alvo de chacotas por sua relação com as bebidas alcóolicas, nunca deveria citar coisas que lhe afligem o fígado.
Crise do carnê
A crise econômica é um dos assuntos mais freqüentes dos jornais e sites de notícias. Todo mundo fala dela, todo mundo repercute as notícias vindas do exterior, todos comentam sobre como fecharam as bolsas de Nova York e Frankfurt.
Qualquer pessoa que tenha um bom nível de informação já ouviu falar em sub-prime, nas hipotecas, no mercado financeiro americano, etc. Outra coisa recorrente nos noticiários são as declarações dos governistas dizendo que as coisas estão sob controle, que o Brasil não será afetado tão diretamente pela crise, enfim, todos na linha “a crise, se chegar ao país, será uma marolinha”, declaração um tanto infeliz do Presidente Lula.
Enfim, sem entrar no mérito da questão sobre se o Presidente Lula fez bem ou mal em dizer isso, se o papel do Presidente de um país é mesmo ser otimista, etc, embora vocês, leitores, possam querer falar sobre isso nos comentários, o meu objetivo ao escrever esta postagem é alertar para uma coisa diferente, mas que também tem tudo a ver com a crise.
Que a crise começou com a insolvência de alguns americanos mais pobres, todo mundo sabe. Certos bancos resolveram apostar nesse filão e acabaram não recebendo os pagamentos mensais devidos por eles. Quem dependia desses pagamentos para solver outros compromissos ficou na mão e aí a bola de neve começou a girar montanha abaixo.
O que pouca gente percebeu é que existem outras empresas, que não bancos, aqui no Brasil, que apostam em um público mais pobre e que, como os bancos americanos, contam com os pagamentos mensais destes. Esses pagamentos mensais são feitos através de um carnê. Lembrou? Isso mesmo ! As empresas citadas por mim são as Casas Bahia, o Ponto Frio, a Ricardo Eletro e afins.
No momento em que os brasileiros mais pobres forem atingidos pela piora da conjuntura internacional, ou seja, quando perderem o acesso a um crédito antes fácil e que hoje já escasseia, eles podem, assim como os americanos, deixar de honrar seus compromissos. O professor Carlos Lessa, por exemplo, é um dos que alerta para o que ele chama de “sub-prime das Casas Bahia“.
Todos, desde banqueiros e analistas econômicos até os donos das empresas citadas e os cidadãos comuns, deveriam ficar de olho nesses carnês. O crédito popular está diminuindo, para que os carnês comecem a não ser pagos, é uma questão de tempo.
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