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Serra e Aécio: Acordo ou Prévias
O tom da disputa interna entre Aécio Neves e José Serra vem sendo dado pela contraposição entre a vontade de Serra de que se chegue a um consenso e a vontade de Aécio de que se realizem as prévias.
Como esse blog já falou inúmeras vezes, Aécio quer mostrar força, fortalecer seu nome nacionalmente e se colocar determinantemente como próximo da fila. Para isso, as prévias servem mesmo que ele as perca.
Por outro lado, José Serra é o favorito para vencer as eleições e também o favorito da cúpula do partido, sendo assim, só tem a perder. As prévias poderiam desgastá-lo para o embate final contra o PT, por isso, quer que exista acordo em torno de seu nome e ponto final.
Sendo este o cenário, os aliados de Serra defendem a ideia da “chapa pura”, ou seja, buscam oferecer a Aécio a vaga de vice e a promessa de que ele teria papel de destaque dentro de um futuro governo, pavimentando seu caminho para ser o sucessor. Essa proposta seria o que os serristas querem dar para Aécio em troca de sua desistência em favor de José Serra.
Até mesmo membros de outros partidos, como o Prefeito paulistano Gilberto Kassab, defendem a ideia da “chapa pura”. Ele o faz não só por entender que as chances de vitória da chapa que seu partido integrará são maiores com Serra, como também por ser forte aliado do Governador paulista.
Recentemente, até mesmo Geraldo Alckmin, antigo aecista, defendeu a “chapa pura”, o que significa, nas entrelinhas, defender o nome de Serra e o fim do projeto das prévias, por mais que essa parte não seja admitida. Alckmin o faz pois conta que, com isso, será o candidato do Governador ao Governo de São Paulo.
A noção de que as prévias poderiam enfraquecer o tucanato para a disputa final é correta, porém, também é correta a ideia de que as prévias fazem com que o eleitorado conheça melhor os candidatos, além de se apresentarem os projetos de cada um para o Brasil e do método ser bem mais democrático do que uma decisão de cúpula, fortalecendo a democracia brasileira, ainda em construção.
Enquanto isso, Aécio diz que as prévias são inevitáveis caso haja disputa. Ora bolas, o que ele quer dizer com isso é que as prévias ocorrerão se não houver acordo, e não, que o acordo é impossível. Isso nós todos já sabemos, queríamos saber era se ele aceitaria acordos ou não. Pelo visto sim.
Até o momento, como o acordo não veio, até porque parece que a oferta da “chapa pura” não seduziu Aécio, as prévias vão se aproximando. O TSE já respondeu à consulta do PSDB sobre as regras da pré-disputa e, segundo o Presidente dos tucanos, Sérgio Guerra, as coisas já estão sendo formatadas.
A conjuntura atual é essa, mas pode mudar a qualquer momento. Tudo depende de Aécio se convencer de que deve desistir de forçar as prévias e aceitar o que os serristas querem lhe dar em troca. Se não acontecer isso, pode ser que as prévias realmente ocorram.
Se ocorrerem, os pré-candidatos terão, como propõe Aécio para provar que as prévias não desgastarão, o que não acredito, que ter uma “agenda comum”, que inclui viagens conjuntas e temas comuns.
Resumindo, Serra não quer prévias e Aécio parece aceitar um acordo, embora queira um melhor do que o que lhe oferecem. Se não houver esse algo melhor, devem ocorrer prévias e Aécio, para tentar mostrar que elas serão benéficas, defende que os pré-candidatos disputem apenas em torno do nome do candidato tucano, enquanto levantam as mesmas bandeiras.
Aécio, obviamente, minimiza subida de Dilma
“Aécio minimiza subida de Dilma em pesquisa e diz que ministra é beneficiada por exposição”
Sim, é verdade que Dilma é altamente beneficiada pela grande exposição. Porém, isso não muda o fato de que a queda de Aécio é, sim, prejudicial para sua pretensão de vencer José Serra dentro do PSDB e ser o candidato do partido.
A visão provável de muitos tucanos seria mais ou menos a seguinte: “Por mais que Dilma esteja, sim, sendo beneficiada pela exposição, Serra ainda está na frente dela e você, Aécio, não está. Logo, ele parece-nos um candidato mais forte que você”.
Resumindo, Aécio minimiza a subida de Dilma pois isso é o que ele tem de fazer. Ou alguém esperava que ele fizesse algo diferente disso? Obviamente que não. Porém, no fundo, o alerta está ligado entre os aecistas.
Espontânea Sensus: Lula lidera, Aécio cai
Além de ter feito uma pesquisa de intenção de voto para o primeiro e o segundo turnos da eleição presidencial de 2010, comentada por este blog aqui, o Instituto Sensus perguntou, através de pesquisa espontânea, ou seja, aquela em que os candidatos não são sugeridos e o eleitor cita quem quiser, em quem os seus 2 mil entrevistados pretendem votar para presidente da República em 2010.
O resultado continua sendo o de vitória de Lula, porém, com uma margem bem menor para o segundo colocado, José Serra. Como Serra se manteve e Dilma Rousseff subiu, podemos chegar à conclusão de que os níveis de Lula vão diminuindo pois está aumentando a percepção do povo de que ele não pode se candidatar e de que Dilma Rousseff é sua candidata.
Aécio Neves caiu, confirmando o momento ruim expressado pela derrota para Dilma Rousseff na simulação de segundo turno entre os dois candidatos, realizada pelo mesmo instituto. Os tucanos aecistas devem estar em estado de alerta.
Confiram os números:
Pesquisa espontânea para a eleição presidencial de 2010
Lula – 16,2% (21,3 em janeiro)
José Serra – 8,8% (8,7% em janeiro)
Dilma Rousseff – 3,6% (2,5% em janeiro)
Aécio Neves – 2,9% (3,9% em janeiro)
Indecisos – 56,9% (53,6% em janeiro)
Sensus: Serra também lidera, Aécio perde em segundo turno para Dilma
O Instituto CNT/Sensus lançou, alguns dias após o Datafolha, os seus mais novos números sobre os níveis de intenção de voto dos pré-candidatos à presidência em 2010. Diversos cenários foram testados, substituindo José Serra por Aécio Neves e Dilma Rousseff por Ciro Gomes. Além disso, foram feitas também simulações de segundo turno.
Seguem abaixo os cenários de primeiro turno e os números aferidos:
José Serra x Dilma Rousseff x Heloísa Helena
Serra – 45,7% (tinha 42,8% em janeiro)
Dilma – 16,3% (tinha 13,5% em janeiro)
Heloísa Helena – 11% (tinha 11,3% em janeiro)
Aécio Neves x Dilma Rousseff x Heloísa Helena
Aécio – 22% (tinha 23,3% em janeiro)
Dilma – 19,9% (tinha 16,4% em janeiro)
Heloísa Helena – 17,4% (tinha 18,2% em janeiro)
José Serra x Ciro Gomes x Heloísa Helena
Serra – 43,3% (tinha 41,9% em janeiro)
Ciro – 14,9% (tinha 10,6% em janeiro)
Heloísa Helena – 12,8% (tinha 13,8% em janeiro)
Aécio Neves x Ciro Gomes x Heloísa Helena
Aécio – 21,2% (tinha 21,9% em janeiro)
Ciro – 19,2% (tinha 16,1% em janeiro)
Heloísa – 19% (tinha 18,9% em janeiro)
Agora os cenários de segundo turno e os respectivos índices:
José Serra x Dilma Rousseff
Serra – 53,5% (tinha 50,8% em janeiro)
Dilma – 21,3% (tinha 16,6% em janeiro)
Aécio Neves x Dilma Rousseff
Dilma – 29,1% (tinha 23,9% em janeiro)
Aécio – 28,3% (tinha 30,4% em janeiro)
José Serra x Ciro Gomes
Serra – 49,9% (tinha 50,2% em janeiro)
Ciro – 20,3% (tinha 14,7% em janeiro)
Aécio Neves x Ciro Gomes
Ciro – 31,2% (tinha 24,7% em dezembro)
Aécio – 26,8% (tinha 29,1% em janeiro)
Na minha opinião, vale a pena ressaltar três fatos que são observados à luz desses números:
1- José Serra demonstra, através de mais um instituto de pesquisa, que é favoritíssimo.
2- Ciro Gomes não é colocado em nenhum cenário contra Dilma Rousseff. O instituto parece entender que o candidato da base aliada do governo será ou um, ou outro, o que, para mim, pode não ocorrer. Se por acaso Ciro viesse a ser colocado contra Serra, Dilma e Heloísa Helena, o que eu acho que deveria ser feito, pois sua candidatura própria a despeito de Dilma pode ocorrer, os números poderiam se alterar sensivelmente, tendo Ciro Gomes atraindo votos que foram para José Serra e Dilma Rousseff.
3- Pela primeira vez um instituto coloca Aécio Neves perdendo para Dilma Rousseff em um possível segundo turno. Isso pode significar o fortalecimento da tendência serrista dentro do PSDB. Os aecistas devem estar alertas.
Pesquisa Ibope – Serra continua liderando
Informa Ricardo Noblat:
“Pesquisa nacional do Ibope, aplicada entre 11 e 15 de março junto a 2.002 eleitores, confere a José Serra (PSDB) 39% das intenções de voto para a sucessão de Lula – contra 14% de Ciro Gomes (PSB), 9% de Dilma Rouseff (PT) , 8% de Heloísa Helena (PSOL) e 2% de Cristovam Buarque (PDT).
[...]
Na simulação feita pelo Ibope sem o nome de Serra, dá Ciro com 25%, Aécio Neves (PSDB) com 12%, Heloísa com 11%, Dilma com 10% e Cristovam, 3%.
Sem Ciro, Serra tem 47%, Dilma e Heloísa 10%, e Cristovam 3%.
Sem Ciro e Dilma, Serra fica com 48%, Heloísa 11%, Tarso Genro (PT) e Cristovam com 4% cada um.”
A pesquisa confirma certas análises que vem sendo feitas há algum tempo por este blog:
1- José Serra é favoritíssimo para vencer em 2010.
2- A candidatura de Ciro Gomes é, sim, viável. Embora não pareça, por outro lado, forte o suficiente para vencer. Uma vitória demandaria um ótimo trabalho, uma boa campanha e um pouco de sorte.
3- Caso Ciro e Heloísa não concorram, a eleição pode se resolver no primeiro turno entre Serra e Dilma.
4- Dilma Rousseff estará bem se começar a campanha em um patamar de 25-30%, porém, isso está se tornando mais difícil, principalmente com o vislumbre da queda de popularidade de Lula por conta da crise.
Lula vê benefícios em polarização com FHC
Kennedy Alencar, da Folha, revela que o Presidente Lula, após se irritar inicialmente, entendeu como positivo o fato de Fernando Henrique Cardoso criticar Dilma Rousseff, Lula e o governo como um todo.
Segundo o jornalista, o Presidente entende que, ao polarizar com Lula, FHC facilita a construção do futuro discurso petista de comparação das duas gestões. O que, para a equipe do governo, facilitaria a eleição de Dilma por contrapor os feitos do PSDB e do PT.
Acontece que os governistas acreditam que, para o povo, em uma comparação entre as duas gestões, a de Lula sairia ganhando, não só pelo fato de terem sido obtidos melhores resultados econômicos e criados programas sociais mais abrangentes, como também, pelo segundo mandato de FHC ser muito mal visto pela população.
Essa análise do governo, em minha opinião, tem certa lógica. Talvez a oposição erre ao fazer de Fernando Henrique, seu interlocutor. Porém, por outro lado, tendo FHC como crítico do governo, o PSDB pode estar pensando em liberar os seus pré-candidatos da tarefa de fazerem os ataques mais duros, possibilitando assim a tal estratégia “pós-Lula” ao invés de “anti-Lula”.
Resumindo, a polarização de FHC com Lula, provavelmente, será melhor para o PT e para Dilma, considerando-se a visão da população em geral, porém, se por acaso Serra e Aécio conseguirem se descolar de FHC, os ataques dele podem servir para atingir o governo, mas não, para prejudicar seus pré-candidatos na campanha.
É esperar para ver, afinal, partindo de um pressuposto de polarização positiva para Lula, o PT fará de tudo para atribuir a Serra, ou Aécio, o título de continuador do governo de Fernando Henrique. Para muitos, isso não representaria algo ruim, porém, para outros muitos, isso poderia, sim, atingir em cheio a candidatura tucana.
Se Aécio concorrer, Ciro estará com ele
Informa Lauro Jardim, na revista Veja:
“Ciro Gomes já decidiu: se Aécio Neves for o candidato do PSDB à Presidência, terá seu apoio. A princípio, seu plano é trabalhar para ser o candidato a vice-presidente da chapa – e para isso precisa convencer Eduardo Campos, o ‘dono’ do PSB e aliado de primeiríssima hora do PT, a aderir à empreitada. Mas, a alguns interlocutores, já avisou: estará na campanha de Aécio ainda que seu partido decida apoiar a candidatura da ministra Dilma Rousseff. Está tudo certo, a não ser por um detalhe: o favorito dos tucanos hoje é seu desafeto José Serra.”
O jornalista Lauro Jardim informa, na nota reproduzida acima, sobre fato importantíssimo para a disputa pela presidência em 2010. Pelo que ele conta, Ciro Gomes estará ao lado de Aécio Neves caso este venha a concorrer à presidência pelo PSDB. E mais, Ciro estaria disposto a ser o vice de Aécio, e não de Dilma, por mais que o PSB, seu partido, não viesse a apoiá-lo nesta decisão. O que faria com que ele pudesse, até mesmo, mudar de legenda.
Lauro Jardim observa ainda um fato que não poderia ficar de fora da análise, o de que José Serra é favoritíssimo a ser o escolhido pelo PSDB. Acontece que Jardim coloca isso como empecilho para a consolidação da aliança entre Aécio e Ciro, porém, eu vou mais além. Quem sabe não é justamente o fato de Serra ser favorito, e ao mesmo tempo desafeto declarado de Ciro Gomes, que faz com que Ciro apóie Aécio. Pode ser que o ex-Governador do Ceará entenda que, apoiando Aécio, poderá estar dando armas ao Governador mineiro para desbancar Serra.
Além dessa hipótese, fica ainda a dúvida sobre qual seria o rumo de Ciro caso Serra, apesar de tudo, fosse mesmo o candidato. Afinal, se existe uma aproximação com Aécio, existe também uma aproximação com o PSDB. Sendo assim, seria correto afirmar que Ciro estaria se distanciando de Dilma, o que faria com que suas únicas opções, caso Serra seja o tucano indicado, fossem ficar neutro ou lançar candidatura própria, justamente para tentar conter Serra.
Por saber que Ciro deseja por demais deter José Serra, acredito mais na segunda hipótese aventada, caso uma disputa entre Serra e Dilma venha a se configurar. Nesse caso, se o PSB estiver com Dilma, Ciro poderia até mesmo concorrer por outra legenda.
Em um jogo polarizado entre PT e PSDB, o apoio de Ciro Gomes, uma espécie de terceira força, poderá ser o fiel da balança.
TSE conclui julgamento da consulta tucana sobre as prévias
O Tribunal Superior Eleitoral conclui, em sessão administrativa, o julgamento da consulta apresentada pelo PSDB sobre prévias partidárias e propaganda intrapartidária para divulgação das mesmas.
O julgamento foi retomado com o voto do ministro Eros Grau, que interrompeu a sessão no último dia 17 para analisar melhor o tema. Naquela ocasião, o relator da consulta, ministro Felix Fischer, respondeu às oito questões. As respostas de Fischer foram comentadas por este blog aqui.
Informa o próprio TSE que a maior dúvida era em torno da primeira questão, que busca saber a partir de qual data é permitida a realização das prévias. No julgamento anterior, o relator respondeu que as prévias deveriam ser realizadas, em qualquer dia, até o dia 30 de junho do ano em que se realizarem as eleições, ficando a cargo do partido fixar a data, mediante alteração estatutária (artigo 10, da Lei 9.096/95), sendo autorizada a propaganda intrapartidária nos 15 dias que antecederem a essa data.
No entanto, os ministros decidiram não conhecer, ou seja, não analisar esta questão por se tratar de tema intrapartidário. Em outras palavras, é uma questão que cabe ao partido decidir e não ao TSE, uma vez que não faz parte do processo eleitoral.
Veja as respostas dadas pelo plenário do TSE às questões levantadas pelo PSDB:
a) A partir de qual data é permitida a realização de prévias partidárias?
Nesse ponto, a matéria não foi conhecida por seu caráter intrapartidário.
b) Excluídas as possibilidades de propaganda intrapartidária por rádio, televisão e outdoor, conforme o artigo 36, §1º, da Lei 9.504/97, pode a propaganda intrapartidária ser realizada com o uso de página na internet, mensagens eletrônicas, faixas, panfletos, cartas, matérias pagas nos meios de comunicação social?
A divulgação das prévias não pode se revestir de propaganda eleitoral antecipada. Razão pela qual se limita à consulta de opinião dentro do partido.
A divulgação das prévias por meio de página na internet extrapola o limite interno do partido e, por conseguinte, compromete a fiscalização pela Justiça Eleitoral do seu alcance. Esta proibição se estende inclusive a divulgação da data de realização das prévias.
Tendo em vista a restrição de que a divulgação das prévias não pode ultrapassar o âmbito intrapartidário, as mensagens eletrônicas são permitidas apenas aos filiados do partido.
Nos termos do artigo 36, do parágrafo 3°, da Lei 9.504 (Lei das Eleições), que pode ser estendido por analogia às prévias, não se veda o uso de faixas e cartazes para a realização de propaganda intrapartidária, desde que em local próximo da realização das prévias, com mensagens aos filiados.
Na esteira dos precedentes do TSE entende-se que, somente a confecção de panfletos para a distribuição aos filiados, mesmo nos limites do partido, não encontra por si só vedação na legislação eleitoral.
Assim como as mensagens eletrônicas, o envio de cartas como forma de propaganda intrapartidária é permitido por ocasião das prévias, desde que essas sejam dirigidas exclusivamente aos filiados do partido.
Incabível autorizar matérias pagas em meios de comunicação, uma vez que ultrapassam ou podem ultrapassar o âmbito partidário e, atingir, por conseguinte, toda a comunidade.
c) Eleitores não filiados ao partido político podem participar das prévias? Em caso positivo, qual seria o limite da propaganda intrapartidária?
Os eleitores não filiados ao partido político não podem participar das prévias, sob pena de tornar letra morta à proibição de propaganda extemporânea.
d) Se a propaganda intrapartidária for obrigatoriamente apenas entre os filiados ao partido político, pode o TSE fornecer ao diretório nacional do partido a lista atualizada dos seus filiados com endereço?
O TSE pode fornecer ao diretório do partido a lista atualizada dos seus filiados. Porém, sem indicação de endereço.
e) O partido pode utilizar verbas do Fundo Partidário para pagamento de gastos com a referida propaganda intrapartidária?
O partido pode utilizar verbas do Fundo Partidário para o pagamento de gastos com a referida propaganda intrapartidária, alocando-se nas rubricas previstas nos incisos I ou IV do artigo 44 da Lei 9.096/95.
f) O partido pode receber doações de pessoas físicas ou jurídicas para financiar a propaganda intrapartidária, bem como para a realização das prévias partidárias?
O partido pode receber doações de pessoas físicas ou jurídicas para financiar a propaganda intrapartidária, bem como para a realização das prévias partidárias.
g) O postulante a candidatura a cargo eletivo pode receber doações de pessoas físicas ou jurídicas para financiar a sua propaganda intrapartidária?
O postulante a candidatura a cargo eletivo não pode receber doações de pessoas físicas ou jurídicas para financiar sua propaganda intrapartidária, uma vez que não ostenta a condição de candidato.
h) A Justiça Eleitoral pode fornecer urnas eletrônicas ao partido político para a realização de suas prévias? Em caso positivo, quais seriam as condições para o fornecimento das referidas urnas?
A Justiça Eleitoral pode fornecer urnas eletrônicas ao partido político para a realização de suas prévias nos termos do artigo 1° do Código Eleitoral e da Resolução do TSE 22. 685.
As respostas do TSE sobre as prévias e o respeito do processo destas à legislação eleitoral, de certa forma, privilegiam o candidato tucano José Serra.
Por mais que a realização das prévias, por si só, venha a ser uma demonstração de força política do Governador mineiro Aécio Neves, as regras a que as prévias teriam que se submeter não facilitariam muito os objetivos que o mineiro visa alcançar.
No âmbito das prévias, não poderia ser feita muita propaganda e apenas os filiados poderiam votar, sendo assim, pouco mudaria na vida política dos brasileiros em geral e na mídia, o que não permitiria a exposição maior do nome de Aécio, o que é desejado por ele.
Por mais que o noticiário repercutisse resultados, por exemplo, de prévias estaduais realizadas pelos diretórios do PSDB, isso não seria, na minha opinião, suficiente para que Aécio se tornasse mais conhecido em todo o Brasil. Ajudaria, mas nem tanto.
Como a internet também não está totalmente liberada, esse meio também não poderá ser utilizado em sua integralidade pela equipe de Aécio Neves.
Resumindo, as prévias do PSDB poderiam, por serem de âmbito nacional, colocar o nome de Aécio Neves no mapa político de muitos brasileiros que, antes disso, nunca teriam ouvido falar nele. Já seria um lucro obtido mesmo que a derrota viesse. Seria um modo de aparecer para todo o país, mesmo sem concorrer, necessariamente, à presidência.
Isso seria bom não só para Aécio, como para a democracia brasileira. Afinal, os nossos cidadãos poderiam, de certa forma, interagir mais com o cenário político e influir na escolha dos candidatos, analisando suas biografias, projetos e discursos.
Porém, pelo visto, isso não ocorrerá com muita intensidade. O impacto das prévias, se realizadas, será bem restrito. Com isso, lucra José Serra, que já está na frente e sabe que quanto menos o cenário se modificar, menos seu favoritismo será ameaçado. Além disso, Serra é preferido por mais diretórios do PSDB do que Aécio.
Aprovação dos governadores: Aécio lidera o ranking
“Aécio Neves lidera ranking de governadores; Serra está em 5º”
“No segundo mandato à frente do governo de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB) continua na liderança do ranking de avaliação dos governadores feito pelo Instituto Datafolha. A pesquisa, publicada na edição de hoje da Folha mostra que em uma escala de zero a dez, Aécio recebeu nota 7,6 dos eleitores e que seu índice de aprovação é de 77%.
A pesquisa, feita do dia 16 ao dia 19 de março, inclui os nove principais Estados do país e o Distrito Federal.
O governador paulista José Serra, que lidera as pesquisas para a Presidência em 2010 e disputa com Aécio a candidatura do PSDB, perdeu duas posições em relação ao levantamento anterior, de novembro de 2007, e foi para o quinto lugar, apesar de sua aprovação ter ido de 49% para 54% e sua nota passado de 6,5 a 6,6.
A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), é a mais mal avaliada, com nota 4,3 e índice de popularidade de 17%.”
Antes dos comentários sobre os resultados dessa pesquisa do Datafolha, segue o ranking completo:
01) Aécio Neves (PSDB-MG) – Nota 7,6 – Aprovação de 77%
02) Eduardo Campos (PSB-PE) – Nota 7,0 – Aprovação de 56%
03) Cid Gomes (PSB-CE) – Nota 6,9 – Aprovação de 55%
04) Roberto Requião (PMDB-PR) – Nota 6,6 – Aprovação de 57%
05) José Serra (PSDB-SP) – Nota 6,6 – Aprovação de 54%
06) José Roberto Arruda (DEM-DF) – Nota 6,4 – Aprovação de 59%
07) Jaques Wagner (PT-BA) – Nota 6,4 – Aprovação de 44%
08) Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC) – Nota 6,3 – Aprovação de 45%
09) Sérgio Cabral Filho (PMDB-RJ) – Nota 6,0 – Aprovação de 39%
10) Yeda Crusius (PSDB-RS) – Nota 4,3 – Aprovação de 49%
O ranking obtido através dos resultados da pesquisa do Instituto Datafolha permite algumas análises e conclusões sobre os 5 primeiros e os 2 últimos, vamos a elas:
1) Aécio Neves mantém sua grande aprovação em Minas Gerais, sendo o maior beneficiado da divulgação deste ranking. Sua alta popularidade em um colégio eleitoral enorme como Minas gera força, porém, não acredito que seja algo que incomode o favoritismo de José Serra para ser o indicado do PSDB ao Planalto.
2) Eduardo Campos vem fazendo um trabalho razoável e deverá se reeleger. A única pessoa que pode, talvez, impedí-lo é Jarbas Vasconcelos, graças ao recall que o político tem em Pernambuco e ao destaque que vem obtendo devido às críticas que fez ao PMDB. Jarbas, porém, é cotado para ser vice na chapa tucana, o que, ocorrendo, abriria caminho para Campos.
3) Cid Gomes deve manter o Ceará sob controle da família Gomes por mais 4 anos. Sua reeleição em 2010 é dada como certa e os índices do ranking demonstram um dos motivos para que isso seja dito. Mesmo o episódio que envolveu meios públicos e uma viagem da sogra de Cid à Europa não parece ter abalado tanto sua popularidade.
4) Roberto Requião não chega a fazer um governo marcado pelas críticas, porém, já as enfrentou em alguns momentos, além de também não ter uma gestão impecável. Parece pertencer mesmo à posição intermediária que obteve se levarmos em conta os governadores envolvidos.
5) José Serra enfrentou algumas turbulências em São Paulo, mas parece que estas não chegaram a ser um problema muito grande. O tucano tem um governo razoavelmente bem avaliado e me parece favorito e com cacife político para ser o escolhido do PSDB para concorrer à presidência. Ter ficado atrás de Aécio neste ranking não parece um problema.
6) Sérgio Cabral Filho aparece em penúltimo merecidamente. Seu governo parece não ter acrescentado nada ao Estado do Rio, que vive o caos em setores como a saúde e a segurança. Com Sérgio Cabral, o PMDB conseguiu ter um governo pior do que os de Garotinho e sua esposa. Pouca coisa evoluiu e muitos setores pioraram. Cabral terá uma reeleição complicadíssima.
7) Yeda Crusius já é dita, até mesmo por alguns tucanos, como tendo sido eleita por acidente. Já não é de hoje que enfrenta problemas com a aprovação de seu governo junto à opinião pública. Tomou atitudes não muito populares que, em alguns casos, tinham de ser tomadas, o que, para mim, a exime um pouco da culpa, porém não de toda. Se por um lado Yeda agiu, em certos momentos, fazendo o que políticos normalmente não fazem simplesmente por medo de perderem votos, por outro, permitiu um racha em sua base de sustentação e diversos problemas no âmbito da equipe governamental. Sua reeleição me parece impossível.
PSDB, PPS, as prévias e 2010
O PPS, integrante da aliança oposicionista que inclui ainda PSDB e DEM, havia cogitado a possibilidade de, embora tendo candidatos tucanos como alternativas, realizar prévias onde votariam seus filiados.
O intuito do partido seria o de definir qual dos dois tucanos seria o preferido dos seus membros, Aécio Neves ou José Serra, por mais que o projeto contasse ainda com a possibilidade de se votar na opção “outro”.
A realidade é que, da mesma forma que o DEM, o PPS está fechado com a candidatura de José Serra. As prévias provavelmente seriam vencidas por este que, simbolicamente, seria apoiado por mais essa frente.
Embora uma vitória de Serra entre os filiados ao PPS não representasse nada no âmbito formal dentro do ninho tucano, valeria muito nos quesitos mais subjetivos e políticos.
Acontece que o PPS, antes mesmo de oficializar a intenção de realizar estas prévias, adiou o projeto, engavetou a idéia. Segundo Roberto Freire, Presidente do partido, a verificação deverá ficar para agosto.
No fim das contas, o PPS empurra para o segundo semestre a decisão sobre quem é seu preferido para liderar a oposição contra Dilma Rousseff. Assim como o PSDB, deixará o caso para mais tarde, agindo de modo a, como diz a sabedoria popular, “empurrar com a barriga”.
Tanto a cúpula do PSDB, como a do PPS, deixam tudo para o segundo semestre seguindo o mesmo raciocínio:
Até lá, esperam que haja tempo para que Aécio Neves se convença, sem necessidade de prévias, a apoiar José Serra. Dizem os tucanos que as prévias ocorrerão caso não haja consenso, mas a realidade é que o que eles mais querem, pelo menos no que tange a cúpula partidária, é que Aécio ceda. O consenso em torno de Serra é o desejado.
Enquanto o tempo passa, ele age a favor de Serra que, liderando as pesquisas, teria tudo para ser escolhido, argumentando que as eleições já estariam se aproximando e que seu projeto estaria mais consolidado.
Ao mesmo tempo, Aécio estica a corda pois sabe que sairá por cima se conseguir, na marra, as prévias. Por mais que perca, mostrará poder de fogo, colocará seu nome na vitrine e na fila para as próximas eleições, além de se voltar para o Senado por Minas, não como perdedor, mas com ar triunfante.
Se cada um ceder um pouco de cada lado, fazendo, ambos, certas concessões, talvez o consenso chegue. Se isso não ocorrer, as prévias podem ser empurradas, por Aécio, goela abaixo de Serra.
De qualquer forma, em minha opinião, Serra deverá emergir como candidato.
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