Serra e Aécio: Acordo ou Prévias

O tom da disputa interna entre Aécio Neves e José Serra vem sendo dado pela contraposição entre a vontade de Serra de que se chegue a um consenso e a vontade de Aécio de que se realizem as prévias.

Como esse blog já falou inúmeras vezes, Aécio quer mostrar força, fortalecer seu nome nacionalmente e se colocar determinantemente como próximo da fila. Para isso, as prévias servem mesmo que ele as perca.

Por outro lado, José Serra é o favorito para vencer as eleições e também o favorito da cúpula do partido, sendo assim, só tem a perder. As prévias poderiam desgastá-lo para o embate final contra o PT, por isso, quer que exista acordo em torno de seu nome e ponto final.

Sendo este o cenário, os aliados de Serra defendem a ideia da “chapa pura”, ou seja, buscam oferecer a Aécio a vaga de vice e a promessa de que ele teria papel de destaque dentro de um futuro governo, pavimentando seu caminho para ser o sucessor. Essa proposta seria o que os serristas querem dar para Aécio em troca de sua desistência em favor de José Serra.

Até mesmo membros de outros partidos, como o Prefeito paulistano Gilberto Kassab, defendem a ideia da “chapa pura”. Ele o faz não só por entender que as chances de vitória da chapa que seu partido integrará são maiores com Serra, como também por ser forte aliado do Governador paulista.

Recentemente, até mesmo Geraldo Alckmin, antigo aecista, defendeu a “chapa pura”, o que significa, nas entrelinhas, defender o nome de Serra e o fim do projeto das prévias, por mais que essa parte não seja admitida. Alckmin o faz pois conta que, com isso, será o candidato do Governador ao Governo de São Paulo.

A noção de que as prévias poderiam enfraquecer o tucanato para a disputa final é correta, porém, também é correta a ideia de que as prévias fazem com que o eleitorado conheça melhor os candidatos, além de se apresentarem os projetos de cada um para o Brasil e do método ser bem mais democrático do que uma decisão de cúpula, fortalecendo a democracia brasileira, ainda em construção.

Enquanto isso, Aécio diz que as prévias são inevitáveis caso haja disputa. Ora bolas, o que ele quer dizer com isso é que as prévias ocorrerão se não houver acordo, e não, que o acordo é impossível. Isso nós todos já sabemos, queríamos saber era se ele aceitaria acordos ou não. Pelo visto sim.

Até o momento, como o acordo não veio, até porque parece que a oferta da “chapa pura” não seduziu Aécio, as prévias vão se aproximando. O TSE já respondeu à consulta do PSDB sobre as regras da pré-disputa e, segundo o Presidente dos tucanos, Sérgio Guerra, as coisas já estão sendo formatadas.

A conjuntura atual é essa, mas pode mudar a qualquer momento. Tudo depende de Aécio se convencer de que deve desistir de forçar as prévias e aceitar o que os serristas querem lhe dar em troca. Se não acontecer isso, pode ser que as prévias realmente ocorram.

Se ocorrerem, os pré-candidatos terão, como propõe Aécio para provar que as prévias não desgastarão, o que não acredito, que ter uma “agenda comum”, que inclui viagens conjuntas e temas comuns.

Resumindo, Serra não quer prévias e Aécio parece aceitar um acordo, embora queira um melhor do que o que lhe oferecem. Se não houver esse algo melhor, devem ocorrer prévias e Aécio, para tentar mostrar que elas serão benéficas, defende que os pré-candidatos disputem apenas em torno do nome do candidato tucano, enquanto levantam as mesmas bandeiras.

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