Ministros do PT se preocupam com palanques estaduais e PMDB

Segundo o Estadão, a dificuldade para fechar alianças com o PMDB nos maiores colégios eleitorais e o impacto da crise financeira na sucessão de 2010 teriam sido os principais temas de uma reunião sigilosa entre 12 ministros do PT e dirigentes do partido com o chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, na noite de terça-feira.

Em três horas de conversa após o expediente, na sede do Diretório Nacional, os petistas teriam mostrado preocupação com a montagem dos palanques estaduais para sustentar a campanha da chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, ao Palácio do Planalto, em 2010.

Ao que parece, a disputa entre PT e PMDB no Senado, que colocou os grupos de Tião Viana e José Sarney, respectivamente, em rota de colisão, respinga também nos estados. Ou seja, a aliança entre o governo e as lideranças do PMDB, que de certa forma diminuiu o poder de fogo dos petistas, não é tão bem aceita assim nos níveis mais baixos.

Da mesma forma que o PSDB luta para, juntamente com DEM e PPS, ter apenas um candidato em cada estado apoiado pelos três partidos da aliança, o PT tenta unificar os palanques estaduais com o PMDB. Acontece que a tarefa fica muito mais difícil quando os aliados são os peemedebistas.

Existem problemas entre Geddel Vieira Lima (PMDB) e Jaques Wagner (PT) na Bahia, entre Sérgio Cabral (PMDB) e Lindberg Farias (PT) no Rio de Janeiro e entre Hélio Costa (PMDB) e Patrus Ananias, ou Fernando Pimentel, ambos do PT, em Minas Gerais. Isso sem falar dos estados em que o PMDB pode apoiar a oposição, se recusando a se unir ao PT, como São Paulo, onde Orestes Quércia já declarou apoio aos tucanos.

Ainda segundo o Estado de São Paulo, o diagnóstico predominante no encontro petista teria sido o de que o PT deve trabalhar pela repetição do casamento de papel passado com os aliados históricos e com o PMDB, mesmo se tiver de sacrificar candidatos próprios.

Em resumo, muitos petistas que têm candidaturas viáveis em seus estados deveriam, quando seus nomes representarem obstáculos para o PMDB, desistirem da candidatura. Pelo apoio a Dilma, o PMDB obteria essa vantagem em diversos estados.

Muitos petistas, principalmente os históricos, não vão gostar nada dessa história de o governo ser mais PMDB do que PT. Acontece que só resta isso para Lula. Sem o PMDB, Dilma não terá muitas chances.

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