PSDB, PPS, as prévias e 2010

O PPS, integrante da aliança oposicionista que inclui ainda PSDB e DEM, havia cogitado a possibilidade de, embora tendo candidatos tucanos como alternativas, realizar prévias onde votariam seus filiados.

O intuito do partido seria o de definir qual dos dois tucanos seria o preferido dos seus membros, Aécio Neves ou José Serra, por mais que o projeto contasse ainda com a possibilidade de se votar na opção “outro”.

A realidade é que, da mesma forma que o DEM, o PPS está fechado com a candidatura de José Serra. As prévias provavelmente seriam vencidas por este que, simbolicamente, seria apoiado por mais essa frente.

Embora uma vitória de Serra entre os filiados ao PPS não representasse nada no âmbito formal dentro do ninho tucano, valeria muito nos quesitos mais subjetivos e políticos.

Acontece que o PPS, antes mesmo de oficializar a intenção de realizar estas prévias, adiou o projeto, engavetou a idéia. Segundo Roberto Freire, Presidente do partido, a verificação deverá ficar para agosto.

No fim das contas, o PPS empurra para o segundo semestre a decisão sobre quem é seu preferido para liderar a oposição contra Dilma Rousseff. Assim como o PSDB, deixará o caso para mais tarde, agindo de modo a, como diz a sabedoria popular, “empurrar com a barriga”.

Tanto a cúpula do PSDB, como a do PPS, deixam tudo para o segundo semestre seguindo o mesmo raciocínio:

Até lá, esperam que haja tempo para que Aécio Neves se convença, sem necessidade de prévias, a apoiar José Serra. Dizem os tucanos que as prévias ocorrerão caso não haja consenso, mas a realidade é que o que eles mais querem, pelo menos no que tange a cúpula partidária, é que Aécio ceda. O consenso em torno de Serra é o desejado.

Enquanto o tempo passa, ele age a favor de Serra que, liderando as pesquisas, teria tudo para ser escolhido, argumentando que as eleições já estariam se aproximando e que seu projeto estaria mais consolidado.

Ao mesmo tempo, Aécio estica a corda pois sabe que sairá por cima se conseguir, na marra, as prévias. Por mais que perca, mostrará poder de fogo, colocará seu nome na vitrine e na fila para as próximas eleições, além de se voltar para o Senado por Minas, não como perdedor, mas com ar triunfante.

Se cada um ceder um pouco de cada lado, fazendo, ambos, certas concessões, talvez o consenso chegue. Se isso não ocorrer, as prévias podem ser empurradas, por Aécio, goela abaixo de Serra.

De qualquer forma, em minha opinião, Serra deverá emergir como candidato.

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