Os anônimos
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“Brasil tem 14 empresas em lista de grandes companhias emergentes”
Aos poucos, o Brasil vai consolidando sua posição de “player” global. E é bom que isso aconteça. É interessante para a população ter uma economia mais aquecida, mais empregos e mais inovação. É interessante para os acionistas das empresas que elas lucrem mais. É interessante para o Estado Brasileiro que o país seja sede de empresas importantes no cenário mundial, gerando para o país respeitabilidade, credibilidade e, é claro, dividendos e impostos.
Porém, como dizem até mesmo nas histórias em quadrinhos, grandes poderes trazem grandes responsabilidades. Na medida que avançam as empresas brasileiras, é papel do Estado fiscalizar para que avancem também as responsabilidades sociais das mesmas. De que adianta um país ter empresas impressionantes e milhões na miséria? A grandeza do Brasil do futuro será averiguada a partir do critério de quanto do crescimento brasileiro foi revertido em melhoria da qualidade de vida da população. Nem só de empresas e conglomerados vive um país.
Também cabe ao Estado, além de fiscalizar as contrapartidas sociais das empresas, empregar corretamente os dividendos que advém do crescimento do mercado interno e das exportações. De que adianta o avanço da empresa brasileira se ele apenas servir para evidenciar mais ainda nossos gargalos? O Estado Brasileiro tem como função importantíssima alargar esses caminhos, investindo pesado em infra-estrutura, em energia e em qualificação de mão-de-obra.
Por mais que as empresas brasileiras cresçam e figurem em listas das mais importantes dos países emergentes, de nada adiantará para o cotidiano brasileiro se o Estado, encarnando o papel de fiscalizador e fomentador, não proporcionar meios para que o progresso continue e segurança jurídica para que os investimentos frutifiquem, além de verificar em que medida o avanço do Brasil corresponde a avanço real, a desenvolvimento. Não importa só PIB, importa também IDH. O Brasil dos sonhos é o Brasil que sabe repartir sua prosperidade entre seu povo. Esse é o bom capitalismo. Sem os extremos da esquerda radical ou da direita que defende o Estado mínimo, o país precisa investir em igualdade, em justiça social.
O Brasil precisa de suas empresas, e é ótimo que elas prosperem, maravilhoso mesmo. Porém o Brasil verdadeiro não é o das sociedades anônimas é o dos verdadeiros anônimos.