Desventuras equatorianas [3]
“Equador entra com ação para suspender dívida com BNDES”
Mais uma do presidente Rafael Correa. Mais um golpe na boa vontade do Brasil para com o Equador. Depois de estatizar empresas sem mais nem menos, tratar a Odebrecht como tratou, forçar a Petrobras a rever contratos ainda vigentes e estremecer as relações de seu país com o Brasil, o presidente Correa fez mais uma das suas.
Como dito por mim na postagem “Desventuras equatorianas [2]“, sou a favor de que as nações não permitam que os interesses de empresas externas venham causar a exploração sua população. Porém, o que é feito no Equador, assim como na Venezuela e na Bolívia, é um absurdo.
Nada de bom poderá advir do ataque às boas relações com os parceiros regionais. Nenhum lucro será obtido por um Equador que ficar famoso no mundo por sua insegurança jurídica. Um país sério, que busca se desenvolver, deve honrar seus compromissos, procurar manter a estabilidade da conjuntura local e fugir do casuísmo.
Como se pode ver tanto na postagem supracitada, como no texto “Desventurar equatorianas“, estou cada vez mais convencido dos malefícios que estão sendo causados aos países ditos bolivarianos. Eu, que primo neste blog pela moderação e por fugir de extremismos, estou cada vez mais inclinado a condenar de vez os regimes de Chávez, Morales e Correa. Seus países empobrecem, seus argumentos são furados, suas estatísticas são alteradas. Os objetivos que dizem serem alcançados na realidade não o são. Tudo que fazem é isolar seus países, afugentando empresas e se indispondo com outros países, sejam eles distantes ou até mesmo parceiros regionais como o Brasil.
Tudo bem, admito que no caso da Odebrecht, que envolve o BNDES, o governo equatoriano possa ter certa razão em reclamar. Foi contratado um serviço e este, aparentemente, foi mal feito. Mas isso não justifica os atos equatorianos. Que se peça uma indenização gorda, que se cobrem os responsáveis. Deixar de pagar um empréstimo contraído junto a um banco estatal de um vizinho importante não é a solução. Longe de mim querer que o Equador, ou qualquer outro país, se submeta ao Brasil. Sou brasileiro mas sou justo. O que ocorre é que, no caso analisado, o Equador se faz de vítima e tenta, a partir disso, justificar todo e qualquer ato hostil. O que o país quer fazer chama-se calote e ponto final. Se quer reaver um dinheiro pago indevidamente, que busque ser indenizado pela parcela do todo que foi paga de forma indevida, até porque, duvido muito que toda a obra da Odebrecht esteja comprometida e não valha nada.
É dialogando que se resolvem as pendências, caro Correa. O curioso é que os governos atuais de Venezuela, Bolívia e Equador parecem gostar de decisões intempestivas, indicam não gostar da diplomacia. Mas é confiando na diplomacia dos outros que crêem que não irão sofrer represálias.
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