Desventuras equatorianas

“Quito fecha acordo com petroleiras e aumenta pressão sobre Petrobrás”

Primeiro foi a Odebrecht, agora a Petrobrás. O governo de Rafael Correa no Equador, na mesma linha de Chávez e Morales, líderes da Venezuela e da Bolívia, respectivamente, vem começando a sinalizar a onda de estatizações que já era esperada, afinal, o mesmo ocorreu nos países que o apóiam, já citados.

A estatização de uma empresa é um procedimento totalmente normal, que inclusive está ocorrendo em larga escala por força da crise mundial. É apenas a compra, pelo estado, de uma empresa que era privada. O grande problema é a forma como isso foi feito na Venezuela e na Bolívia, e que provavelmente será repetida no Equador. A quase expulsão da empresa não é a solução, a imposição de novas medidas e de revisões de contratos, que ocorrem sem mais nem menos, não é o modo mais pacífico de defender os interesses do bem coletivo. Por mais que a justificativa seja o argumento de que as empresas, praticantes de um capitalismo selvagem, só pensam em seus lucros, em detrimento do bem-estar da população do país, ela não é forte o bastante para explicar de modo convincente o que é feito nesses países.

Por mais que, para mim, o mais importante seja mesmo o bem da coletividade, não acredito que as coisas tenham que ser feitas assim, embora o estado não deva servir aos interesses dos grandes capitalistas, não deve também tratá-los como inimigos. A verdade é que o que ocorre nesses países não é a busca do bem da coletividade, que segundo as estatísticas dos órgãos internacionais, não está tendo acesso a bem nenhum, e sim a busca da transferência do poder, das mãos das empresas mais ricas para o estado autoritário, conseqüentemente, para a mão de um líder que se diz democrático, mas que na realidade é um ditador como outro qualquer.

Sem nem entrar no mérito das supostas ligações espúrias entre Equador, Venezuela e FARCs, a falta de segurança jurídica causada por medidas como essas já é suficiente para mostrar o equívoco das políticas dessas nações. É notório que tratar as empresas dessa forma afasta os investimentos estrangeiros, mais do que isso, afugenta-os. Uma nação, que diz perseguir o bem da coletividade, não pode, obviamente, ser apenas um intermediário para o controle dos mais pobres pelos mais ricos, mas não deve, também, afugentar investimentos que geram emprego e renda, trazendo, desta forma, mais qualidade de vida, além de fortalecer a economia.

Em suma, Venezuela e Bolívia não estão atingindo os bens da coletividade que dizem perseguir com suas medidas autoritárias. A vida do povo só piora, os investimentos externos, tão importantes, minguam. O crescimento da tecnologia e da inovação, nem se fala, inexistem. O Equador, com Correa e sua mentalidade, que se expressa no que o país faz atualmente com as empresas brasileiras, vai, infelizmente, no mesmo caminho.

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