Análise do 1° turno
Vou procurar, neste post, fazer uma análise do primeiro turno das eleições municipais brasileiras. Embora as eleições tenham ocorrido em todo o país, exceto Brasília e Fernando de Noronha, pretendo dar destaque às disputas das capitais da região Sudeste. Farei isso, primeiramente, por se tratarem das cidades mais importantes para o cenário nacional como um todo, principalmente Rio, São Paulo e Belo Horizonte. Em segundo lugar, falarei sobre essas cidades por serem as que têm um cenário político mais conhecido por mim. Por último, vale ressaltar que todas as capitais da região Sudeste demonstraram detalhes muito interessantes a serem observados depois de conhecidos os resultados.
Rio de Janeiro
As eleições no Rio foram muito interessantes, e posso falar com mais conhecimento de causa, pois sou carioca. As pesquisas mostravam claramente que Eduardo Paes estaria no segundo turno, mas, ao mesmo tempo, apresentavam disputa acirrada entre Fernando Gabeira e Marcelo Crivella pela segunda colocação. No fim das contas, como agora sabemos, prevaleceu Gabeira, numa eleição em que o voto útil agiu como poucas vezes se viu, com a configuração de uma migração de votos enorme para Gabeira. Em suma, Paes confirmou o esperado, embora para alguns, fosse ter uma vantagem maior sobre o segundo colocado, enquanto Gabeira, recebeu, além de seus próprios votos, centenas de votos que seriam de outros candidatos, votos esses, oriundos de eleitores que viram no candidato do PV a única alternativa possível para barrar a disputa apenas entre Crivella e Paes. Como previsto por mim em outros posts sobre o assunto, Gabeira se beneficiou do voto útil e da rejeição à Crivella, que aumentou a migração de votos. Ou seja, uns votaram em Gabeira para tirar Crivella, outros, porque acreditavam que seus candidatos não tinham chance e que Gabeira era a melhor opção restante. Prevejo agora um segundo turno apertado, com os partidos da base aliada apoiando Paes e com o prefeito Cesar Maia entrando de cabeça na campanha de Fernando Gabeira. Vitória de Paes será vitória de Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro. Vitória de Fernando Gabeira será derrota de Sérgio Cabral e por isso, de certa forma, vitória parcial de Cesar Maia.
São Paulo
A maior cidade do país aprontou uma das maiores surpresas dessas eleições. Embora o bom desempenho de Gilberto Kassab não seja surpreendente para quem acompanha as pesquisas, olhando para trás e pensando no cenário pré-eleição, podemos dizer que foi um resultado inesperado. Kassab, vice de Serra na Prefeitura, assumiu o cargo quando o tucano saiu para concorrer ao governo do estado, ninguém apostava em uma grande gestão, era uma incógnita. Kassab foi bem, tem uma aprovação considerável, e se candidatou à reeleição. Começando em terceiro nas pesquisas, com a ajuda dos tucanos que boicotaram a candidatura de Alckmin e migraram para a sua equipe, ultrapassou o candidato do PSDB. Nos últimos dias, encostou em Marta Suplicy e hoje, finalmente, sai como o grande vencedor do primeiro turno. Um político que era apenas um vice-prefeito, que se elegeu na sombra de Serra, hoje é um nome relevante da política nacional, que provavelmente agregará os votos do PSDB no segundo turno e será, com o voto popular, o líder da maior cidade do país, com um orçamento maior do que o de muitos estados da federação. Marta está em apuros.
Belo Horizonte
Na capital mineira, a vitória de Lacerda teve gosto de derrota. O candidato do PSB vai ser obrigado a enfrentar um segundo turno contra Quintão do PMDB, e pior, venceu o primeiro turno por uma margem pequena de votos. Para qualquer candidato, vencer poderia ser o bastante, mas para Lacerda, apoiado tanto pelo atual Prefeito que é do PT, como pelo governador, e mito em Minas, Aécio Neves, não vencer no primeiro turno foi uma vergonha. Quintão, agora com mais gana ainda, pode complicar uma eleição para a aliança PT-PSDB que parecia fácil. Tudo isso é uma grande derrota, na verdade, para o governador Aécio, que além de não conseguir fazer seu candidato na capital de seu estado, embora tivesse a aliança mais forte possível no país hoje, assiste à vitória de seu oponente na corrida presidencial, José Serra, representada pelo desempenho ótimo de Gilberto Kassab em São Paulo.
Vitória
João Coser dominou as eleições em Vitória desde a primeira pesquisa e confirmou seu favoritismo e sua reeleição. Pode parecer uma disputa desinteressante, previsível, e é. Porém, é importante ressaltar que Vitória passa por um bom momento, um momento de crescimento e de organização. Viajei para Vitória recentemente e, salvo se fui enganado pela paisagem bonita e pelo famoso “para inglês ver”, estive em uma cidade boa para se viver, limpa, ordeira e em franco desenvolvimento. Tudo isso que foi visto por mim está em consonância com o resultado da eleição municipal na cidade. Vitória foi exemplo do objetivo do dispositivo da reeleição, ou seja, termos uma avaliação do chefe atual, e concedermos a ele mais quatro anos de governo, caso acreditemos que ele merece. Eu, pelo que vi em Vitória, acredito que João Coser merece mais quatro anos, acredito que, em Vitória, a existência da possibilidade de reeleição agiu para o bem. Ao que parece, o povo da capital do Espírito Santo concorda comigo. Afinal, João Coser dominou totalmente a eleição.
Nos próximos dias falarei mais sobre essas disputas do segundo turno, provavelmente tratando de uma cidade de cada vez, esse foi apenas um panorama geral dos resultados desse domingo.
Não ha comentários
Leave a reply

